Table Of ContentPara uma aproximação à(s) identidade(s) socio-epistémica(s) do
campo educativo-formativo de Recursos Humanos
Viviana Andrade Meirinhos
Junho 2015
Tese apresentada à Faculdade de Psicologia e de
Ciências da Educação da Universidade do Porto para
obtenção do grau de Doutor em Ciências da Educação,
orientada pelo Professor Doutor José Alberto Correia.
Conhecer e pensar não significa chegar à verdade
absolutamente certa, mas sim dialogar com a incerteza.
Edgar Morin
II
Ao António, à Beatriz, ao Miguel, à Sofia e à minha família mais próxima,
testemunhas diárias da edificação deste empreendimento, impassíveis
resistentes às minhas ausências e alicerces deste e de todos os meus
passos.
À Clara Correia e à Irene Figueiredo, que me apresentaram ao campo
científico e educativo-formativo da Gestão de Recursos Humanos.
À Ana Cláudia e à Dora Martins, fielmente implicadas na construção
contínua de um projeto educativo-formativo em Recursos Humanos, sem
as quais esta reflexão nunca teria sido a mesma.
Ao Instituto Politécnico do Porto, e em particular à Escola Superior de
Estudos Industriais e de Gestão pessoalizada nos colegas com quem de
diferentes formas tenho trabalhado, pelas condições oferecidas de apoio
ao desenvolvimento deste trabalho e ao meu crescimento enquanto
profissional.
À Gabriela Chouzal e à Paula Marques pela presença permanente –
inestimável.
Ao Professor José Alberto Correia pelo privilégio (indizível) de ter
partilhado comigo a sua amplitude científica e humanidade.
Ainda a todos os que fazem parte de mim, no mais próximo quotidiano, -
Elita, Ana, João, Daniela, André, Cláudia e Joana, no pano de fundo mas
sempre lá – Mónica, Dricas e Diana e a alguns fundamentais in memoriam
(avós).
A todos, obrigada pelo(s) sentido(s) que fundam o meu trabalho e a
minha vida.
III
Resumo
As narrativas sobre as construções sócio-epistémicas das áreas de educação e
formação (AEF) são uma realidade crescente nacional e internacionalmente no
âmbito da problemática da contínua disciplinarização educativo-formativa. Este
trabalho explora gramáticas, argumentos e questionamentos potencializadores para
a leitura das AEF, propondo uma matriz interpretativa com este fim.
Sustentada em eixos epistemológicos e societais, esta grelha de análise propõe uma
diferenciação horizontal e vertical das AEF, distinguindo por esta via os ethos
identitários das AEF na sua relação com outras AEF e com os campos profissionais e
científicos homónimos. Na premissa de uma episteme especificamente educativa-
formativa e de um campo socialmente delimitado, são trilhados percursos desde as
fundações às autonomias ontológicas dos campos de educação-formação com
recurso à teoria dos campos de Pierre Bourdieu (1983) e ao campo empírico da AEF
de Recursos Humanos.
A identificação do capital epistémico e social específico deste campo, os seus
fundamentos científicos, profissionais e educativo-formativos, a estrutura e o habitus
do campo, os posicionamentos e estratégias dos agentes são alguns dos elementos
mobilizados na proposta construtivista que é apresentada neste trabalho.
IV
Abstract
Narratives on the socio-epistemic construction of education and training fields (ETF)
are a growing national and international reality, specially under the ongoing issue of
educational and training disciplining. This work explores grammars, arguments and
questions, proposing an interpretive matrix with this aim.
Grounded in epistemological and societal foundations, this analytical grid analyses an
horizontal and vertical differentiation of ETF, distinguishing in this way the identity
and ethos of the ETF in its relationship with other ETF as well as with homonyms
professional and scientific fields. Based on the assumption of a specifically
educational-training episteme and a socially delimited field, we explore routes from
the foundations to the ontological autonomy of the education and training fields,
using the field theory of Pierre Bourdieu fields (1983) and the Human Resources ETF
the empirical field as resources.
The identification of specific epistemic and social capital in this particualr field, its
scientific foundations, professional and educational-training, the structure and the
habitus of the field, the positioning and strategies of agents are some of the elements
mobilized in this constructivist approach here presented
V
Résumé
Les narratives sur les constructions socio-epistémologiques des domaines de
l´éducation et formation (DEF) sont une réalité croissante national et international
dans le cadre de la problématique courante de la compartimentation en disciplines
éducatives et formatives. Ce travail exploite arguments et questionnements qui
maximisent la lecture des DEF en proposant une matrice interprétative pour atteindre
cet objectif.
Cette grille d´analyse, basée en axes epistémologiques et sociétaux, propose une
différentiation horizontal et vertical des DEF, en distinguant les ethos identitaires des
DEF dans ses rélations avec les autres DEF et avec les domains profissionels et
champs cientifiques homonymes. Basé sur la prémisse d´une épistémé
espécifiquemente éducative et formative, et avec un domain socialement délimité, ce
travail suit des parcours dès les fondations aux autonomies ontologiques des champs
de l´éducation et formation en recourant à la théorie de champs de Pierre Bourdieu
(1983) et aux champs empiriques des DEF de ressources humaines
L´identification du capital epistémique et social spécifique de ce domain, ses
fondaments cientifiques, profissionaux, éducatifs et formatifs, la structure et l´habitus
du champ, les posicionéments et les stratégies des agentes, sont quelques uns des
éléments mobilisés dans la proposition construtiviste qui est présentée dans ce
travail.
VI
Índice
Da Introdução ao Campo Metodológico ................................................................ 18
Abordagem epistemológica, Problemática e Estruturação ...................................... 19
Campo Técnico .......................................................................................................... 28
Conclusão .................................................................................................................. 39
Pré texto: Narrativas educativo-formativas (em RH) .............................................. 41
A ponta (in)visível do icebergue ............................................................................... 42
No trilho da literatura científica ................................................................................ 48
Conclusão .................................................................................................................. 76
O campo educativo-formativo dos RH: identidade(s), capitais e espaço(s) socio-
epistémicos .......................................................................................................... 79
Uma aproximação ao campo .................................................................................... 80
A dominância socio epistémica ................................................................................. 99
Singularidades e outras valências socio-epistémicas ............................................. 123
Para uma análise do capital científico do campo educativo-formativo de RH ....... 148
O campo científico dos RH ...................................................................................... 149
O campo empírico nacional .................................................................................... 153
Para uma análise do capital profissional do campo educativo-formativo de RH ... 187
Profissionalização e posicionamentos profissionais ............................................... 188
Agentes e saberes profissionais .............................................................................. 209
Episteme profissional nacional ............................................................................... 214
Qualificações profissionais ...................................................................................... 221
VII
Conclusões: Epistemologia(s) de um campo social ............................................... 228
BIBLIOGRAFIA ..................................................................................................... 251
APÊNDICES ......................................................................................................... 297
VIII
Abreviaturas e Siglas
A3es – Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior
AEF – Áreas de Educação e Formação
ANQEP – Agência Nacional para a Qualificação e Ensino Profissional
APG – Associação Portuguesa de Gestão de Pessoas
Cit in – citado em
CNAEF – Classificação Nacional de Áreas de Educação e Formação
DGES – Direção Geral do Ensino Superior
DIRH – Desenvolvimento Internacional dos Recursos Humanos
DO – Desenvolvimento Organizacional
DRH – Desenvolvimento de Recursos Humanos
ECTS – European Credit Transfer System
EFA – Educação e Formação de Adultos
ESCE – Escola Superior de Ciências Empresariais
ESCE-IPS - Escola Superior de Ciências Empresariais do Instituto Politécnico de Setúbal
et al – entre outros
FCT – Fundação da Ciência e Tecnologia
GERH – Gestão Estratégica dos Recursos Humanos
GIRH – Gestão Internacional de Recursos Humanos
GRH – Gestão de Recursos Humanos
IX
HRM – Human Resourses Managment
Moreira – Instituto para a Qualidade e Formação
Irs – Imposto de Rendimento de Pessoas Singulares
ISCED – International Standard Classification of Education and Training
ISCSP – Insituto Superior de Ciências Sociais e Políticas
ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa
ISLA – Instituto Superior de Línguas e Administração
ISMAI – Instituto Superior da Maia
NUT - Nomenclatura das Unidades Territoriais para Fins Estatísticos)
OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico
PDRH – Políticas e Desenvolvimento de Recursos Humanos
QNQ/QEQ – Quadros Nacional e Europeu de Qualificações
RH – Recursos Humanos
RJIES – Regime jurídico das instituições de ensino superior
SHRM – Society of Human Resource management
AHRD – Academy of Human Resource development
TESE – Thesaurus Europeu dos Sistemas Educativos
UC – Unidade Curricular
UCs – Unidades Curriculares
UNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura
vs – versus
RCAAP – Repositório Científico de Acesso Aberto de Portugal
X
Description:Tradução livre do autor para “Refers to all management decisions affecting the nature of t9.he relationship between the organization and its employees, para a educação-formação em RH199, quer no âmbito da gestão200 quer no âmbito do desenvolvimento201 (quadro 6), podemos constatar que