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Fernando Tarallo
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Doutor en Sociolingüística pela Universidade da Pensilvâma.
0(O0 Professer da Universidade Estadual de Campinas, UNICAMP
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TEMPOS
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LINGÜISTICOS
itinerário histórico da língua portuguesa
Livros & £ivros
DO LIVRO NOVO AO USAÎ^
COMPRA - VENDA - TROCA
Socializaba ero ¡ClfiHÇlAS
humanas e sociais
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Preparação de texto
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Capa
Ary Almeida Normanha
Paulo César Pereira
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ISBN 85 08 035/5 6
1994
Todos os direitos reservados
Editora Ática S.A.
Rua Barão de Iguaoe, 110 — CEP 01507-900
Tel.: PABX 278-9322 — Caixa Postal 8656
End. Telegráfico MBomlivro,, — Fax: (011) 277-4146
São Paulo (SP)
Este raarçia é dedicado à "v ô " Ida, que, com seus quase setenta anos,
cxj taKez por sso mesmo, ainda brinca e muito sorri. Será que ela já tem
_ ' es:Ido áe seda? Ou prefere um de crochê?
Este vro é p2~2 áe u r projeto de pesquisa financiado pelo CEPE-PUC-SP,
e*r '9 8 5 e 1 semestre de 1987.
SUMÁRIO
9
Inircdução .
Prefácio (autoria: Alary Kato)_ _ 11
1. O túnel do tempo ___________________________________ 15
Introdução: O túnel do tempo___________________________ 15
A diacronia e a sincronia: Estado e estrutura _____________ _______________________ 23
Resumindo: A história das línguas e as línguas na história 26
Pensando no (e além do) capítulo_______________ 26
2. Reconstruindo form as________________________.________________________ 29
O estabelecimento da protolíngua____________________________________________________ 29
As árvores de famílias lingüísticas____________________________________ ____ _ 32
As árvores de famílias lingüísticas versus a teoria das ondas___________________________ 37
Reconstruindo uma língua por dentro. _ _______________________ 38
Resumindo: A reconstrução de fo rm a i________________________________________________ 39
remando nc (e além do) capitulo__________________________ _ ____________ _________ 40
3. Regularizando as form as_____________________ _ ____________________ 43
As regularidades levadas às últimas conseqüências__ _____ 43
Os neogramáticos e seu manifesto____________________________________ _____ 44
Hermann Osthoff e Karl Bn-gmann: Prefácio a Investigações morfológicas no âmbito das
línguas indo-europúias I ______________________ _______________________ _____ _ 44
Novamente as regularidades e as r e g u l a r i z a ç õ e s _________________________ 48
Resumindo: A classificação das formas regularizadas _ 51
Pensando no (e além do) capitulo ____________________ _______ _ ____________ 52
4. Abstraindo a partir das form as____________ 56
A ordem na desordem: Introdução . .______________ ___________________ _ 56
Teorias fortes e teorias fracas de mudança lingüística_________________________________ 58
Os princípios norteadores da teo-ia _____________ _________________________ 61
O saber acumulado pelos prificípios norteadores___________________ ______________ 61
Pensundo no (e alem do) capitulo ________________________ - 64
5. Separando o joio do trigo__________________________ ______________________________ 68
Uma versus duas lingüísticas?__________________________ 68
Labov e a controvérsia______________________________________________ 69
Labov e a defesa dos neogramáticos__________________________________________________ 70
Uma lingüistica, outra lingüística, ou as duas?_______________________________________ 74
Separando ainda mais e resumindo______________________________________________*_____ 75
Pensando no (e além do) capitulo _ ______________ __ 77
6. O início do túnel ___________________________________ 81
Bilhetes, por favor!________________________________________________________________ 81
Portugal e Brasil: A história_________________________________________________________ 82
Português do Brasil versus português de Portugal: As querelas________________________ 86
Resumindo: E onde é que fica o início do túnel?________________________________________ 90
Pensando no (e além do) capitulo______________________________________________________ 91
7. Túnel fonológico I: As vogais______________________________ _______________________ 93
O substrato das línguas románicas_____________________________ _ ______ 93
As vogais no português arcaico e no português moderno_____________________________ 98
As \’Qgais tônicas do latim vulgar ao português______________________________________ 99
As vogais não-tônicas do latim vulgar ao português___________________________________ 101
Resumindo: As vogais portuguesas no túnel do tempo __________________________________ 103
Pensando no (e além do) capitulo______________________________________________________ 103
8. Túnel fonológico II: As consoantes___________________ ________ _ 106
O túnel das consoantes: Perdas e ganhos ______________________ _______________ 106
As consoantes, do latim ao português______ _______________________________ 108
O dinamismo das mudanças consommais: Resumindo . ______________________ 113
Pensando no (e além do) capítulo _ ________________ 114
9. Túnel morfológico I: As perdas _ 117
Alais perdas? __________ . _ __ 117
Aspectos morfológicos dos dois latins 118
A herança não-herdada: O inventário (morfológico) do larim ao português 120
O saldo efetivo das perdas morfológicas no portugués 121
A perda do fsi no português é espanhol contemporâneos 124
Resumindo: O que se foi e o que ficou _____ __ 127
Pensando no (e além do) capitulo ___________________ _____ 128
10. Túnel morfológico II: Os ganhos 132
O que significa ganhar morfológicamente? 132
As preposições: Gar.hos morfológicos encaixados __ 133
Ganhos morfológicos não-encaixados: Pronomes pessoais e arugos 137
Ganhos morfológicos não-encaixados revisiiados________ 139
Rememorando: Os ganhos encaixados e não-encaixados 142
Pensando no (e além do) capitulo _ 142
11. Tunel sintático I: Fixando a ordem das palavras 146
Do sintético para o analítico ,______ . _ ___ _ 146
A sintaxe da colocação____________________ 147
A sintaxe da regência e da concordância ._______________ 152
Sintetizando e analisando: Da síntese para a análise ____ 154
Pensando no (e além do) capitulo_________________ ______ 155
12. Túnel sintático II: Conectando sentenças _ 160
Como conectar sentenças? 160
As relações hipotáticas do latim clássico e a posição de COMP 162
A redução dos preenchedores de COMP em português 166
Conectando mudanças fonológicas, morfológicas e sintáticas: Resumo 168
Pensando no (c aUm do) capítulo _____ ________ ____ 169
13. Penetrando as paredes do túnel_______ _ _ _ _ _ _ _ 173
Como, o que e por que escavar?______________________ _________ 173
Picaretas em punho: Vamos cavar!___________________ 175
Abrindo fendas nas paredes do túnel „ 177
Os primeiros resultados: A subordinação em Cicero 178
Resumindo: Como, o que e por que escarar ____ 181
Pensando no (e além do) capitulo . 182
14. O túnel feito texto____________ ___ 184
A dialetação do portueues e a escolha de textos 184
Texto I: O fim do século XX ' _______ 184
Texto II: 1316_______________________________ 186
Texto III: 1433______________ :________________ 187
Texto IY: 1442 ______________ __________ ____ 188
Texto V: 1489 ____ _______ 188
Texto VI: 1496___________________ 189
Texto VII: 1502 _____________________ 190
Texto VIII: 1510 „ _____ 191
Texto IX: 1515______________________________ 191
Texto X: 1527 _______________________________ 192
Texto XI: 1537 _____________________________ 193
Texto XII: 1597 _____ 194
Texto XIII: 1603 ___ 194
Texto XIV: 1606 . 195
Texto XV: 1715____________ 196
Texto XVI: 1724___________ 197
Texto XVII: 1751 197
Texto XVIII; 1752__________ 197
Texto XIX: 1769___________ 198
Texto XX: 1790____________ 199
Texto XXI: 1847 ___________ 200
Texto XXII 1878 _ 201
Texto XXIII: 1^17 202
t
Texto XXIV: 1918. 203
Texto XXV: 1937 _ 204
15. Saindo do túnel e do livro 207
Ou rr.elhor: Saindo do livro mas permanecendo no tunel 207
LISTA DE FIGURAS,
TABELAS E MAPAS
Mapa 1: Visâo parcial da família lingüística indo-européia____ _______ _ _ . 36
Figura 1: Distribuição de /ay/ e loy! no sistema vocálico de Jack Cant, 85 anos, Tíüingham,
Essex, Inglaterra_________________ ________ ____________________________________________ 64
Tabela 1: Distribuição de tons em Chao-Zhou____________________________________________ 70
Figura 2: Distribuição da vogal tensa /aeh/: Bea Black, 54 anos. Búfalo, Nova Iorque________ 72
Figura 3: Retesamento do /ae/ breve nas comunidades de Filadélfia e Nova Iorque___________ 73
Tabela 2: Balanço das mudanças vocálicas e consonantais, com e sem difusão lexical_________ 75
Figura 4: O espaço fonético-acústico_ _ __________________________ 76
Tabela 3: Freqüência de apagamcnto de /s! em determinantes._______________________________ 126
Tabela 4: Freqüência de apagamento de Js! em substantivos_________________________________ 126
Tabela 5: Presença do /si marcador de plural de acordo com a posição da palavra no simag-
ma nominal______ _______________________________________________________________________ 127
Tabela 6; Aiarcaçâo do passado dos verbos no inglês de Cingapura e .Malásia________________ 128
Tabela 7: Marcação de plural em português em função dos processos morfológicos de forma
ção de plural 129
Tabela 8: Percentagem de preenchimento de sujeito e objeto direto em cinco momentos
h i s t ó r i c o s _______________________________________140
Tabela 9: Freqüência de concordância verbal de acordo com a classe morfológica do verbo___ 141
Tabela 10: Freqüência do clítico acusativo e de suas formas substitutivas na fala paulistana___ 142
Tabela 11: Freqüência de sujeito anteposto versus posposto ao verbo________________________ 150
Tabela 12: Tipo de verbo e posição do sujeito. ___________________________ 150
Tabela 13: Informação nova e velha, e posição do sujeito____________________________________ 151
Tabela 14: Freqüência de concordância verbal em fundão da posição do sujeito______________ 154
Tabela 15: Percentagem de construções de tópico com objeto direto em função do tipo de su
jeito, oculto ou :nexistente versus explícito _____1________________________ 155
Tabela 16: Freqüência de preenenedores de COMP em orações adjetivas____________________ 168
Tabela 17: Distribuição geral dos dados em Cícero ________ ________________________________ 179
Tabela 18: Preenchedores de COMP em Cícero (em ordem decrescente de ocorrência)_______ 179
Tabela 19: Preenchimento variável de CO¿\ÍP nos vários tipos de subordinação._____________ 180
Tabela 20: Flexão do verbo e caso do sujeito nas subordinadas______________________________ 180
The orientation toward linguistic research that
I would like to demonstrate here begins with a
somewhat different perspective. It is motivated
by a considerable respect for the intelligence of
our predecessors, and for the evidence that led
them to their conclusions. A careful considera
tion of competing bodies of evidence leads us
to recognize the need tor a higher-level theory
that will take into account, as well as account
for, the findings of both sides of the controversy.
Such a synthesis can be achieved only if we
ascertain the conditions under which each of the
opposed viewpoints is valid. I don't think this can
be done by simply re-shuffling the data already
accumulated, or by manipulating and re-organiz
ing a set of known data points — in a word, by
trying to be more intelligent than our predeces
sors. The sort of synthesis I have in mind requires
broader and richer data, drawn from a wider vari
ety of sources and measured by more precise
techniques.
(William Labov, 1981, Resolving the
neogrammarian controversy, p. 268.)
INTRODUÇÃO
Este é um livro de Introdução: à Lingüística, à Língua Portuguesa, e
à Lingüística da Língua Portuguesa. Nele encontram-se descritas, na forma
de aventuras lingüísticas pelo túnel do tempo da língua portuguesa, a histó
ria e a estrutura do sistema português.
Essa nova concepção de uni livro introdutório à Lingüística pretendeu
não suprir lacunas em relação aos manuais de introdução já existentes. Ao
contrário: deles nos valemos, e muito, na criação de Tempos lingüísticos. Pro
curamos, entretanto, colori-lo a ponto de torná-lo agradavelmente legível ao
estudante de Letras. Mas não só: a linguagem do manual procurou em cada
capítulo, na medida do possível e do razoável, evitar a especificidade da dis
ciplina (e do manual), sem contudo inviabilizar o aprendizado técnico atra
vés do qual novos manuais e outras obras mais avançadas do campo poderão
ser lidos.
Com o estudante de Língua Portuguesa e de Lingüística, nossa preo
cupação mais constante foi a de evitar que o manual oferecesse simplesmen
te respostas. Nesse sentido, a Lingüística» enquanto ciência da linguagem,
é colocada como uma disciplina problematizadora por natureza e por defini
ção. Assim, os cinco capítulos iniciais do manual propõem-se a: apresentar
uma perspectiva teórica e metodológica bem definida de um lado, mas, de
outro, problematizar a importância ¿essa perspectiva, comparando-a com ou
tros métodos e modelos teóricos.
A exceção dos dois últimos capítulos do manual, os de números 14 e
15, cada capítulo é composto de três partes: uma primeira, em que se temati-
za e se problematiza o conteúdo do capítulo; um resumo das principais ques
tões colocadas no capítulo, e uma terceira parte, composta de exercícios. Es
ses, por sua vez, retomam pontos já devidamente discutidos durante o capí
tulo, bem como propõem atividades para reflexão “além” do capítulo. As
sim, os exercícios não constituem meras atividades de fixação de conteúdo:
além da fixação de conteúdo, o estudante é, a cada capítulo, convidado a aplicar
o conteúdo aprendido, problematizando questões de linguagem.