Table Of ContentParede anterolateral do abdome e
rr ,
rLgono I nguinal Estruturação
1
Anatômica
,\Jaor 'J'pixeira *
'l.'HPsinha )J, r. Tdxeira **
INTRODUÇÃO f:i. - Feixe vásculonervoso
G. Músculo Transverso
PARI~DE ANTEIWLATEHAL DO AB 7. Fáscia transversalis (teci
DOME: do conjuntivo frouxo pré
peritoneal)
I I<~STRUTURA(;ÃO MORFOLóGI- 8. - Peritoneo parietal
~. - Cavidade adbominal (vir-
CA:
l. Constituição tual)
2. Inserção TIHGONO INGUINAL
:3. Mol'fologia relevante
1 - CONCEITO E DELIMITAÇÃO
ll - l•~S'I'RATIFICA(,:Ã():
lT - ESTRATIFICAÇÃO:
1. Pele ou irüeg·umenturn co-
mune A - PLANO SUPERFICIAL:
2. Tela subcutúnca com seus
dois planos 1. - lntegumentum comune
2. - Tela subcutânea
a) Fúscia areolar ou de CAM :3. - Anel inguinal subcutâneo
PER (fibroso)
b) Fúseia lamirw1· ou de
SCARPA B PLANO PROFUNDO:
.,
. lJ.l'úsculo Oblíquo [.,'xterno 1. -- Músculo Oblíquo Externo
,)
1. Músculo Oblíquo Interno G. - Músculo Oblíquo Interno
.. Prof1~>:isur 'ritulnr du Dq)art:uw·nt(J •l•~ Cirurgia F'.:VT/tJl•'HCS.
u Auxiliar df: 1":n.·dno do D(:})ai'L:un~·nlo de Cirurgia FM/UFHGH.
3G AXA!S DA I<'MTLDADI•; DI•; J\;H;DW!l\'A DE PORTO ALEGHF;
Anel inguinal intennedário Cordão fibroso da artéria
(muscular) umbelical
i~lúsculo Cremáster 1/.1 distai e inserção pelviana
Nervo gênitofemoral do músculo Reto Anterior
Aracada femoral Úl"ClCO
Ligamentos de COOPER e
6. - Trajeto I nguinal
de GT.lVII:mRNAT
7. - Funículo espermático
~. - lJ-Iúsculo Transverso BOLSAS ESCHOTAIS
Anel inguinal préperitoneal
I CONCEITO
(fibroso)
9. Tendão conjunto Il I~STRATIFICAÇÃO
10. - Fáscia Tnmsversalis
Vasos epigástricos HEFEHÊNCIAS
liVl'lWVUÇAO
Devido a uequenc.:ia com que a re_ ACUNA ( U)) em 1.. 968, ANSON, l'vlOH
gmo mgumal c seu e cte problemas pato GAN e lVtcVAY (6) em 1.960, S1QUBl
logicm:;, para o:; qua1:::; e::;tao mtilcaaw:; ::>o ltA ( 1b) em 1. \J{jl, BlU..;NTANO (11)
luções cirúrgicas, tem o estudo da sua em 1.\Jb:::::, !VHJ:\OV (11~) em 1.963, CON
estruturaçao auatonuca merecwo a aten VON (2~) e LA1V1l'l•; (06) em 1.967,
çâo de anatom1::>tas e ele cH·urgtóes hú vú SKANDALAKlS, GRAY e AKIN (116)
rios séculos, fato e::;te constatavel pela a em 1. D7t1, DANNEMANN (25) e .FALCI
nálise ela extensa literatura di::;ponível e HESKNDE (28) em 1.976, neste século.
sobre o assunto, aonde clestacamos - Um e::;tudo cuiclado::;o elas publicações
pela valio::>a colaboraçüo que trouxeram acima referida-s permite - através da
para o esclarecimento do mesmo - as feitura de uma análise crítica comparati
contribuições ele FALLOP l US (::!U), em va - a verificação de que não existe uma
1. 606, l'UCPAltT (43) em 1. 705, CAM concordáncia absoluta entre os AA. no
PER (13, 14), em 1.'/~5 e 1.~01, G1Nl que diz re::;peito a presença, ao comporta
BERN AT (::H, :J2) em 1. 793 e 1. 795, mento e significado morfológico e, mes
HESSELBACH (:3:3) em 1.806, COOl'EH mo, à conceituaçáo de muitas das estru
(28, 24) em 1. 80 i e l. ~14, CLOCQ U ET tura::; anatômica::; identificáveis ao nível
(20, 21) em 1. ~17 e 1. ~19, e SCAlU'A da região inguinal. Tal fato, no nosso en
(4'1), divulgadas até o século XIX, e as tendimento, poderia (~er, eve;üualmente,
pesquisas realizadas por GlLLIS (:30) atribuível a uma série de fatôre::; que a
em 1. 901, EISENDHATH (27) em UJ04, :~eguir alinharemos:
H ESSE R T (34) em 1. 010, B l L E
(10) em Ul~H, ~IAHTINO (:l!J) em U):lí), I. ·- Documentaçâo inadequada re
ANSON e McVA Y (2, :3) em 1. !):38, AN presentada, ús rnab ela::; vezes, por dese_
SON e McVA Y (.J) e Me VA Y c ANSON nhos esquemúticos e por documentação fo
(110, 111) em 1. !340, ANSON e ASHLI·~Y tográfica de preparações anatômicas pou
(1), ASHLE Y e ANSON (7) e ASIILE Y, co claras, dando os primeiros uma vi::;ão
ANSON e BEATON (8) em l. !HJ, muitas vezes diston:ida da realidade e, a
CHANDLER e SCHADEWALD (18) em ·:~egunda, identificando - sem a clareza
1. 9114, LYTLE (88) e LICHT e SAM de::;ej a da -- a maioria das formações ana
SOlVI (37) em 1. 9'15, CHANDLv~H ( lG) tômicas que divulga;
e TOBIN, BEN.J AMIN e WI•~LLS (4~))
em 1.946, CHASSIN (19) em 1.!347, ~. -- 8xces:w de e.o;truluras wwlô
DUGDALE e BCHTON (2G) e HILARIO micas de valor secundário na documenta
(35) em 1. \!48, ANSON, MORGAN e ção utilizada -- muita·s, aliús, derivadas
McVAY (G) em l.!HD, CHANDLEH (17) de habilidosas manobras de eseaipelos
em l.9GO, BAHHE'J'O (!l) em l.D:"í~, ZL\1- cuja quantidade apenas (·olabora para tu
i.\IERMAN e A.\'"SON (GO) em 1. DG:}, multuar a compreensão do assunto e
BURTON (12) em 1. 9iH, CHACON e mascarar ou mesmo diminuir a importfm-
A~AI~ DA f'ACULDADJ•; DJ·; 1\U:DICINA DI•: POHTO ALl•lC:Hl~ 37
cia e o significado de elementos anatômi presentam o embasamento anatômico es
cos relevantes; eulpido - ao nível do plano profundo da
região - pela patologia;
3. - Delimitação incorreta do Trí
gono Inguinal, identificando a margem 6. - Dissociação entre o estudo ana
lateral do músculo reto anterior como tômico do Trígono lnguinal e a análise
sendo o limite media! elo referido Trigo da morfologia das paredes anterior e an
no, ao invéz da linha alba. Com efeito, sa terolateral do abdôme e das bolsas escro.
bemos que a fosseta inguinal mediai (in tais, as quais, como sabemos, mantém en
cluída na área anatômica elo Trígono) se tre sí íntimo relacionamento de natureza
situa na face profunda do referido mús morfológica, fisiológiea e de fisiopatolo
culo, tendo como limites mediai o úraco gia, que aconselham a adoção de um cri
e lateral a a. umbelical obliterada (ou, tério que permita a feitura de um estudo
segundo o nos•so conceito, a margem la integrado das mesmas.
tel'al elo mú~culo reto anterior). O fato A nossa experiência no estudo da es_
acima apontado nos obriga a localizar, truturação anatômica da parede abdomL
portanto, o limite mediai do Trígono In na! (anterior, anterolateral e do Trígono
guina! ao nível da linha alba; Inguinal) c de seu divertículo (bolsas es
c:rotais) está fundamentada na disseca
1. - Imprecisões de conceitos, os ção de 1.000 cadáveres (2.000 observa
quais, ou não correspondem à realidade cões), efetuadas no deconer de 25 anos
da morfologia disponível (Ex,: Canal In de atividade didática ininterrupta em A_
guina!*) ou são pouco eol'l'etos na identi naiomia (Faculdade de Medicina/U.F.R.
ficação, dispo·sição e eomportamento es G.S., Faculdade Católica de :Medicina/
trutural de determinada formação da SCMPA e Faculdade de Medicina/UCS).
qual pretendem se referir (Ex.: Fáscia Os dados de identificação do material em
Transversalis**); questão encontram-se sumariados no ..
··-· QUADRO da página seguinte.
~.
15, - Inclusão, no estudo do Tríqono Visando a sistematizar a nossa expo
lnmânal. de dismorfi:mws conqênitos sição, estudaremos de forma separada os
(Trírrono de HESSF:RT) mL adq"uiridos da dos relevantes da anatomia da PARE
(Trí.qono de HESSELBACTI) como .<;en DE ANTERO LATERAL, do TRfGONO
do or·on·énciw; rle morfoloaia normal, INGUIN AL e, finalmente das BOLSAS
quando, em realidade, tais formaçõe('l re- I·:SCROT AIS.
O lermo nn:·rf(nni<'o r•orTr·fo p:rr:1 jr]('n· Se.~undo :r lllaioria dos anatomistas e
f ifif'ar r• rl<~sknar :r rei:H::Io :rn:ilrlrniC":r norrn:Jf dos r·irurgiiies qll<' se• ocup:1rarn de seu estudo,
do Fnní<"nln Espe•rrn:'dico c·on1 o Trígono Tn.~ni :r Fáscia Transvr•J'salis S<'l'ia a apoi11!UI'ose pos_
n:d (• 'I'I'ail'!n TnJ~uinal. O lcTIIliJ Canal pn·sstr· lerior do ml!sculo Transve•rso do :rhdôme. Dis
cordando deste 11rodo de pensar, somos de opi
pi)(' n c•xisff•nC'Ín rll' U111:1 111~. falo t•sh• !flll' .sn·
ni:lo q1w :1 Fáscia Transversalis pode e rle\'e ser
lll('llh• oc·orrc· nn inii'I"I'<IITf·rwi:l de· 11111 ou:lilro
<'Oil<'l'itu:rda C'o!IIO s<'ndo o tcl'ido conjunli\'O
ll:rfo]r'Jgi!'" !ld·rnia inguin:d). A pre·se·rw:r de· 11111 frouxo pr{'JH'ritoJ]('<II. Aliús, tal posicionamento
Canal Tngninal «nurrnal» pod(•. c•ntr<'fanto. sc•r do ll'l'ido c·o11junlivo frouxo niio {• inusitado
id,·ntifir·ada na fase~ ontog<'nfoti•·a no rf('f'OJTPI' JH'IIl identific:"l\·c·l :qwnns :ro niYel do ahdônw,
ria qual l'sf:'1 Sl' r·fl'l iv:rnd<,J o dr•sc·;·Jlso ll'sf ic·ni:IJ· .1:1 que• '' nosso organismo t'lll scu planeja
IIH'Illo t·slrulur:ll ('Oiol'a sempre um:1 camada
d<•sd(' o :r11e·l i11guinal pr{·rwrilmll':tl ai{· n se'll
do IIIPsnlo, st~pm·:rndo :1 lf11nina serosa parielal
JH•sicion:,llle'lllo ddinil i\'o ao níve•l d:1s llols:rs
dos e-le·m<'ntos :rnatilnricos t•xtracaYitúrios que
I'SI'I'o!:ris. ;\fc',ra isto, o IC'rmo Canal Tnguinal
llre• s:lo vizinhos: Fáscia Endotorácica 110 hemi
l<•n1 nítida e· <•vidt•llh~ r'IJilnf:u:iio p:rlolúgil':r d<' r.·li':JX; Fáscia Pr{•Jll'ricárdica 110 llll'rliastino;
vendo, por isto. sl'r sullsfituído nos floxlos d•• Fáscia Vaginal Comum no nín·l rias bolsas r•s.
Anatorni:1 norrnal por Tl'ajetu Tnguinal. cT o! n is.
38 AXAlS DA B'ACIILDADl•J DI<J ll<mDWIKA Dl•J POHTO ALEGRI•:
PAREDE ANTEROLATERAL DO
ABDô.ME:
I - ESTRUTURAÇÃO MORFOLó_
GICA - FIGURA 1 (C/D) :
1. - Constituição: A parede ante_ culonervosos destinados aos mesmos se
rolateral do abdôme é estruturada à par dispõem entre os mm. Transverso e OblL
tir de 3 elementos musculares laminares, quo Interno, sendo que o contingente ner
dispostos - ela periferia para a profun voso motor adentra cada um deles ao ní
didade - como se segue: músculo Oblí vel da parede lateral, de tal forma que,
quo Externo, músculo Oblíquo Interno e na altura do plano ventral, esta tarefa es
músculo Transverso. Os elementos vás- tá concluída.
TIPO DE SEXO COR Nq DE
:'IIATERIAL iH F H p OHSERV AÇõES
FETOS
(GO dias a 9 meses) 55 3r,.) 75 15 90 180
HECF:l\I-~ ASCTDOS
(O a :10 dias) :15 15 41 9 50 100
CRrA:t\(:AS
(;H dias a 1fl :111os) 42 18 43 17 (i() 120
ADL'LTOS
(Acima de 16 :>~nos) ()50 150 620 180 800 1.GOO
TOTAL 782 218 779 221 1.000 2.000
!
Observação: - Todos os Fetos. H(~c·{·m-rwseirlos, Cri:m~·as e 200 Adultos eones
ponri<'lll a ma floria! n:io fixado ((~stwlo IH'I'l'O.<;<'(Jpico).
---- -- - - -- - - -- --~------------~--
2. - Inserção: Os !3 músculos de ral do abdôme se relaciona, inquestiona
que se constitui a parede anterolateral a velnwnte, à disposição daR fibraH muHcu
presentam- de forma esquemútica- os lares ao nível rios 3 elementos anatômi
seguintes locais de inserção: r·os principais que a constituem. Healmen
a) Proximal, ao nível do gradeado te tal disposição:
co;.:;ta 1 ; ' a) Oblíq.uo Externo: fibras muscu
b) Dorsal, na altura da coluna ver lares orientadas no sentido dor
tebral, estruturando duas lojas, sovent ml I c raniocaudal;
uma para os músculos das gotei b) Obliqu.o Interno: no sentido o
ras vel'tehrais e outra para o posto ao antf~rior ( dorsoventral/
músculo íleohsoas; caudocranial);
c) Ventral, na linha alba (por eles c) 1'ransvenw: fibras musculares
estrutura do) formando, ou h·os com disposição transversal, ele
sim, em seu relacionamento com termina a constiluicão de uma
o músculo Reto Anterior, a Bai ve1·dadeira CRADE ·a qual -
nha Aponeurótica elo mesmo; pelo falo d(~ possuírem. os !3 ele
rl) Distai, no esqueldo ôsseo da mentos musculares em estudo. a
cintura prlvica, formando a esta mesma inervac;w --- realiza um
altura o Trígono Ing·uinal. trabalho sincrt;nif'o de contrac:;rto,
3. - Jt!orfologia relevante: O as_ cuja resultante funcional pode
pecto morfológico fundam~~ntal a ser sa ser l'eprPsentada por um vetor
lientado no estudo da parede anterolate- orientado no sentido do pube.
ANAIS DA B'AC\:LDADI•J DI·; MI•:DICIKA DJ<; PORTO ALiêGRE 39
li - ESTRATIFICAÇÃO- FIGURAS
l e 7:
Se introduzirmos uma agulha na pa a) Fáscia areolar ou de CAM_
rede ahdominal ao nível de seu plano la PER;
teral, acima da crista ilíaca e orientando h) Fáscia laminar ou de SCAR-
a no sentido transversal até atingir a ca PA;
vidade, atravessaremos os planos anatô 8. Músculo Oblíquo Externo;
micos de que se constitui a mesma segun 4. Músculo Oblíquo Interno;
do a e:;trati fi cação seguinte: i5. Feixe vasculonervoso;
6. Músculo Transverso;
7. Fáscia Transversalis (tecido con
l. Pele ou integumentum com une; juntivo frouxo préperitoneal) ;
2. Tela suhcutânea com seus dois 8. Peritoneo Parictal;
planos: H. Cavidade Abdominal (virtual).
TRíGONO INGUINAL
f -- CONCEITO I~ DELIMITAÇÃO:
FIGURA 2 (EM CIMA).
Se unirmos, por uma linha, a espinha gíu a linha alba, até o pube, delimitare
ilíaca anterosuperior ao puhe; traçarmos mos uma área triangular ao nível da pa_
outra - partindo do mencionado reparo
rede ventral do abdôme, por nós identifi
ósseo, com orientação transversal - até
cada com o nome de Região ou Trígono
a linha alba; e, finalmente, se ligarmos o
ponto no qual a linha acima de:;crita atin- Tnguinal, (47,18).
[l- (;~STRATIFICAÇÃO: FIGURAS !i,
1, G, G e 7.
As estruturas anatômicas (flerivaclas nar (SCARP A). Interessante é
em sua m~1ior pal'tr da parede anterola salientar que todo o indivíduo é
ieral do abdôrnc que constituem c inte portador de espessura semelhan
gram o Tt·ígono Inguinal se dispõe segun te de Fáscia de SCARP A, ao
do dois planos: um Superficial (elo inte passo que a de CA:VfPER, apre
gumentum comune até a aponeurose do senta uma espessura variável,
músculo Oblíquo Externo) e outro Pro em relação direta com o grau de
fundo (desde o mencionado músculo até nutrição do mesmo (já que esta
o folheio peritoneal parietal). A disposi é resultante, como sabemos, da
tão estratigr{tfica das estruturas em re infiltração de tecido gorduroso
fen~ncia pode set· identifieada de forma entre ms lâminas daquela) ;
esqupm{d,ica, como segue: ' ~. Anel inguinal subcutâneo ( fi
broso), dependência da aponeu
A- PLANO SUPJ·~RFTCIAL: rose do músculo Oblíquo Exter
no, por intermédio do qual o fu
l. lntergumerztum comune, ao nível nículo espermático deixa o plano
do qual se pode identificar cla profundo ela região para- num
ramente as linhas (prrg·as) cutá trajeto subcutáneo -chegar às
neas inguinais supe1·ior e inferior bolsas escl'Otais;
(valioso·:~ pontos de referência
para a (~xecucão da via de acesso
ei rú rgica it r;~gião) ; n- PLANO PROFUNDO:
2. Tela subcutânea, representada
por dois planos fasciais: um a 1. iJtúsculo Oblíquo Externo, cuja
reolar (CA:\:fPf;~R) e outro lami. aponeurose estruturará, como vi-
40
---- --
---~ ~ ----~ ------~-~-
mos acima, o anel inguinal sub masculina (testículo) com o res
cutâneo (fibroso); to do organismo;
5. Músculo Oblíquo Interno com as 8. Músculo Transverso e anel ingui
duas estruturas anatômicas dele nal préperitoneal (fibroso), dele
derivadas - anel inyuinal inter derivado;
mediário (muscular) e músculo
9. Tendão conjunto, representado
cremáster, nen o genitofemoral
pela inserção distai ao nível ela
e a arcada femoral (dependên
crista pectínea, elos músculos O
cia do músculo Oblíquo Exter
blíquo I n t e r n o e Transverso.
no). Menção especial deve ser
Uma menção especial eleve ser
feita ao comportamento anatô
feita à clelaminação elo Tendão
mico variável da insercão do O
Conjunto a qual possibilita o
blíquo Interno ao nível, da crista
trânsito do funículo espermático
pectínea *
entre o Oblíquo Interno ventral
6. Trajeto lnguinal, extendendo-se mente e o Transverso clorsalmen
desde o anel inguinal préperito te situaclos;
neal (fibroso - dependência da
lO. Fáscia Tmnsversalis ( te c i do
aponeurose do músculo Trans
conjuntivo frouxo préperito_
verso) até o anel inguinal sub
neal), vasos epigástricos, cordão
cutàneo (fibroso - constituído
fibroso (reliquat) da artéria um
pela aponeurose elo músculo O
belical, 1/.1 distai e inserção pel
blíquo Externo) ;
viana do músculo reto anterior,
7. Funículo espermático, repre>Sen úmco e ligamentos de COOPER
tado por um conjunto de elemen e de GIMBERNAT. Destaque
tos anatômicos ( cl ucto deferente, especial deve se1· conferido às
vasos, nervos e envoltórios con denominadas fossdas inguinais,
juntivos), localizado na intimi também identificáveis ao nível
dade do Trajeto Inguinal, que se deste plano da região inguinal:
origina na altura do anel ingui assim, :~ fosseta podem ser eles_
nal préperitoneal e se termina critas, tomando-se como referên
nas bolsa·s escrotais, tendo como cias anatômicas os vasos epigá5_
objetivo básico a integração mor tricos, a margem lateral do mús
fofuncional da glândula sexual culo reto anterior** e o úraco, it
~ .\ den1ç:io da inscrçiío distai do lllliS. .\ rlirirnld:~<l<• <'111 id<'tllil'ic-ar o C'ordüo
culo Oblíquo Interno acima de certos linlites, fibroso. rdiqu:il da :rrtt"·ria wn!Jelical ohlitPrn~
escapa ao terreno d;1 normalidade por condi
ria. no d<•corTer do estudo :~n:iltmli<·o. ~~ a inl
donnr reflexos funcionais JwgatiYos sühre o
trabalho executado pelo grade:Hio da par<'d<• possihilid:~d<· d<• .st• idenlifi!':rr o nwsn1o no de
anteroLileral do abrlôrne, t•m seu o!Jjdiyo d<• n• r·orn·r do t r:IIJSOtH'I":rf{ll·io nos !<•v a :1 propor <l
forc;;~r <' de proteger o Trígono lnguin:d quan utiliz:tr;:io da lllar.!.(<'III lateral rio lliÚsculo reto
do do atmwnto dn pn·ssüo intr:l abdominal. Co :tni(Tior t'lll .-;ul>stiiLJi(;:io :to nu•nt·iorwdo <'OI"·
rno l'Xt'll!plo, podenws assinalar ((ll<' () Tipo rrr d:io <"OIIICI lintil!~ <·ntrc :1s foss(~t:ts inguinais
de inscrc:io rnt"·dio-c:llliLrl do r<'fcrido músculo interm(•dia <' mNiial, jú que a l"<•f<•rida marg(~lll
(rnúsculc;- hainlw do reto) descrito no tr:iiJallr(J llll!sc·ul:r r :r pn•s('ll t :t posil"ionarnenlo anatômit·c,
de D.\:\:\E'.T.\:\'.\" (25) rrn 1.976 repr·escntn
prúlic·:illl!"lltP idi·nli<'o, i<'ndo, ck outro lado, a
u111a im:~gern :m:ilômica nítid:~rnente patológir·a.
SCiill'llwntc. :diús, :'l descrita JlOI" lff-:SSEI!'I' r:nl v:lntagt·nt de ser f:kilmente idPntifit·úvd no de
('fll 1.910. t'(JIT('I' d:t lll:tnipui:H;:io tissul:.tr fr:JIJSCIJl<'r;tlc"lri:t.
ANAIS DA FACULDADE D~; MFmiCINA DE PORTO ALEGRE 41
saber: a) - fosseta inguinal la to anterior; c) - fosseta ingui
teral, situada lateralmente aos nal medial, disposta entre a mar
vasos epigástricos; b) - fosseta gem lateral do músculo reto an
inguinal intermediária, localiza terior e o úraco* ;
da entre os vasos epigástricos e
a margem lateral do músculo re- 11. Peritôneo parietal
III - BOLSAS RSCROT AIS:
I - CONCEITO:
As Bolsas Escrotais podem ser con sob o ponto de vista morfológico e fun
sideradas como sendo divertículos da pa. cional - as glândulas sexuais masculi
rede abdominal, destinadas a alojar nas (testículos) .
II - RSTRA TIFICAÇÃO:
Os planos da parede abdominal, ao vem desempenhar, em sintonia com a fun
se projetarem para formar as Bolsas Es ção testicular. Alinhamos abaixo o estu
crotais, sofrem algumas modificações do comparativo da disposição estratigrá
qualitativas e de posicionamento estrati fica das Bolsas Escrotais em relação com
qoráfico, como consequência do papel mor. os planos correspondentes identificáveis
fológico e funcional que as mesmas de- ao nível da parede abdominal:
PARf~DE ABDOMINAL BOLSAS ESCROTAIS
Pele Escroto
Tela Subcutânea Dartos
Oblíquo Externo Túnica espermática externa
Oblíquo Interno Músculo Cremáster
Transverso
Fáscia Transversalis Fáscia vaginal comum
Perítôneo parietal Membrana vaginal
---~-------------------~---------------~-----'
* Corno a fosseta in~uinal mediai - fos1wta in~uinal mediai. Esta verdade de natu
rle\'ido ao seu posidonamento ao nível da faC'e reza pr·útiea niio eorresponde, entretanto, à rea
lidade morfológica, motivo pelo qual - sob o
dorsa I rio músculo r !'lo anteri<H' - niio possui
pnntn dP vista anatômic-o-·· o limite mediai do
signifi<·ado \'TIL patologia, os cirurgiões niio con Tdgono Tnguinal deve sPr a linha alba, incluin
sideram a sua t•xist(·nda soh o ponto de vista do. portanto, na :ír·ea do mencionado Trígono,
lli':Ít i co. Como r·onscqui•nda d(~ste fato, a fosse a fosseta assestadn dorsalmente ao músculo reto
ta in~uinal intermi>dia passa a denominar-se anter·ior.
42
REFERÊNCIAS
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Buli. Nort. U. Med. School, 15: hernia repair. Surg., Gyn. & Obst.,
192, 1941 98: 153, 1954
2 ANSON, B. J.; McVAY, C. B.: 13 CAMPER, P.: !cones herniarium.
The anatomy of the inguinal and hY Frankfurt, Warrentrapp & Wenner,
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wall. Anat. Rec., 70: 211, 1938 11 CAMPER, P.: Sammtliche kleinere
3 ANSON, B. J.; McVAY, C.B.: In schriften, v. 2. Leipzig, Crusius, 1785
guina! hernia. I - The anatomy of 15 CIIACON, J.P.; ACU:NA, E.R.: Ana
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186, 1938 abdominal. Cirurgia, 1: 61, 1958
4 ANSON, B.J.; McVAY, C.B.: A 16 CHANDLER, .T.B.: Studies on the
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ANAIS DA FACULDADE DE MEDICINA DE PORTO ALEGRE
FIGURA 1 - CONSTITUIÇÃO ANATOMICA DA PAREDE ANTE
ROLA TERAL: observamos em A - após a retirada da pele - a tela
subcutanea com as fáscias de CAMPER, areolar (seta a) e de SCARP A,
laminar (seta b); em B - retirada a tela subcutanea - identificamos
a aponeurose do m. oblíquo externo e, por transparencia, as suas fibras
musculares, cuja orientação é documentada pela seta a; a seta b identi
fica o anel inguinal subcutaneo, em cuja luz introduziu-se uma pinça de
dissecação; em C - depois da liberação do m. oblíquo externo (cujas
fibras estão identificadas pela seta a) - observamos o m. oblíquo inter
no, com suas fibras musculares orientadas segundo o sentido da seta b;
finalmente, em D identificamos os tres elementos musculares constituin
tes do gradeado da parede anterolateral: oblíquo externo (seta a), oblí
quo interno (seta b) e transverso (seta c). A contração sincrônica dos
mesmos resulta num eficiente mecanismo de proteção morfo/funcional
para a região inguinal.
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