Table Of ContentO fazer-dizer do corpo
dança e performatividade
Jussara Sobreira Setenta
SciELO Books / SciELO Livros / SciELO Libros
SETENTA, JS. O fazer-dizer do corpo: dança e performatividade [online]. Salvador: EDUFBA, 2008.
124 p. ISBN 978-85-232-1196-7. Available from SciELO Books <http://books.scielo.org>.
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o fazer-dizer
do corpo
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UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA
Reitor
Naomar Monteiro de Almeida Filho
Vice-Reitor
Francisco Mesquita
EDITORA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA
Diretora
Flávia Goullart Mota Garcia Rosa
CONSELHO EDITORIAL
Titulares
Angelo Szaniecki Perret Serpa
Caiuby Álves da Costa
Charbel Niño El Hani
Dante Eustachio Lucchesi Ramacciotti
José Teixeira Cavalcante Filho
Maria do Carmo Soares Freitas
Suplentes
Alberto Brum Novaes
Antônio Fernando Guerreiro de Freitas
Armindo Jorge de Carvalho Bião
Evelina de Carvalho Sá Hoisel
Cleise Furtado Mendes
Maria Vidal de Negreiros Camargo
O conteúdo desta obra foi aprovado pelo Comitê Científico da FAPESB
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o fazer-dizer
do corpo
DANÇA E PERFORMATIVIDADE
Jussara Sobreira Setenta
EDUFBA
Salvador | 2008
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© 2008 by Jussara Sobreira Setenta
Direitos para esta edição cedidos à Edufba. Feito o depósito legal.
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a não ser com a permissão escrita do autor e das editoras, conforme a Lei nº 9.610,
de 19 de fevereiro de 1998.
PROJETO GRÁFICO
Gabriela Nascimento
ARTE FINAL
Alana Gonçalves de Carvalho
REVISÃO
Susane Barros
Flávia Rosa
Biblioteca Central Reitor Macêdo Costa – UFBA
Setenta, Jussara Sobreira.
O fazer-dizer do corpo : dança e performatividade / Jussara Sobreira
Setenta. - Salvador : EDUFBA, 2008.
124 p. : il.
ISBN 978-85-232-0495-2
“O conteúdo desta obra foi aprovado pelo Comitê Científico da FAPESB.”
1. Dança. 2. Linguagem corporal. 3. Performance (Arte). 4. Comunicação
e cultura. 5. Dança - Estudo e ensino. 6. Política. 7. Corpo humano - Aspectos
sociais. I. Título.
CDD - 792.8
Editora da UFBA
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Às instâncias que instigam o exercício
de ações compartilhadas:
minha Família,
a Escola de Dança da UFBA,
a área da Dança.
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PREFÁCIO
Produzir conhecimento faz a diferença que deve quando, no caso da
Universidade, o que se aprende intramuros ganha vida junto ao objeto
que lá se pesquisou. É esse o caso, na transformação em livro da tese de
doutorado que Jussara Sobreira Setenta defendeu na PUC-SP, em 2006.
Mas não simplesmente porque, no formato livro, poderá encontrar leitores
fora da restrita população que freqüenta as bibliotecas acadêmicas. O que
aqui importa diz respeito às questões que estão sendo disponibilizadas
para a sociedade.
Instigada pela teoria dos atos de fala do filósofo J.L.Austin (1911-
1960), que apresenta a linguagem como uma forma de ação, estende para
fora do domínio do verbal a possibilidade de se tratar a linguagem fora da
tirania do entendimento dela ser um processo de transmissão e veiculação
de informações.
O texto parte da proposta de não pensar a linguagem somente como
aquilo que descreve o que está fora dela. Quando se compreende que a
linguagem pode se constituir como um fazer-dizer, ou seja, como uma
situação na qual o seu fazer seja simultaneamente o seu dizer, abandona-
se a fala da dança como a arte do indizível. Ela não somente se torna
dizível, como passa a ser vista como dizendo-se no seu fazer. Ao atar o
fazer ao dizer, coloca o fazer ligado às informações que estão no mundo e,
assim, ao vincular dança e mundo, politiza o seu discurso.
Depois de apresentar a cena da dança como a sua fala, Jussara indica
duas possibilidades para essa cena se organizar: como performatividade
ou como performance. Explora a singularidade de cada uma dessas
manifestações, e investe nas operações da performatividade, pois a associa
ao fazer-dizer.
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Assim que mune seu leitor da condição de compreender a
performatividade, transforma esse conceito no eixo investigativo das relações
que ligam a Escola de Dança da Universidade Federal da Bahia aos grupos
de dança que produziu, ao longo de seus 51 anos de vida, e hoje ainda
abriga. Monta um mapa com o GDC, o Odundê e o Tranchan e, ao fazê-
lo, torna vivas as hipóteses com as quais trabalha. Transforma-se em exemplo
daquilo qe descreve, pois seu fazer acadêmico torna-se um dizer de amplo
alcance e nele, teoria e prática não se separam.
Quando caminhamos pelas trilhas que vai abrindo, conseguimos rever
velhos conceitos como os de autoria, repensamos as formas de organização
e entendemos a razão pela qual novos coletivos se organizam. Pouco a
pouco, vamos nos impregnando do entendimento de que as subjetividades
são coletivas e regidas por singularidades.
E assim, chega-se a uma dança que nos remete para a sociedade, pois
que ela, como arte, se torna política. Num país onde a produção de
conhecimento em dança ainda se encontra em fase inicial, a perspectiva
que Jussara Setenta introduz deve ser expandida para que mais e mais de
nós possam descobrir como o entendimento da performatividade pode
colaborar para a transformação do mundo.
A possibilidade que essa pesquisa abre, ao capilarizar as ligações
universidade-sociedade, fortalece um pouco mais a esperança de que a
irrigação de idéias como as que aqui se apresentam pode promover novos
e indispensáveis entendimentos da dança entre nós.
Helena Katz
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SUMÁRIO
APRESENTAÇÃO 11
(cid:122)
Capítulo 1.
FALAS QUE SE ENUNCIAM 15
(cid:122)
Atos de fala no corpo 29
(cid:122)
Ação e corpomídia 37
(cid:122)
Corpomídia e performatividade 39
(cid:122)
Diferentes fazeres-dizeres da dança 42
(cid:122)
Capítulo 2.
DO CORPO-SUJEITO PARA O CORPO-INSTITUCIONAL 53
(cid:122)
Ação-atitude-comportamento: processos de semiose e agência 55
(cid:122)
O poder formativo/performativo das Instituições 65
(cid:122)
A forma(ação) disciplinar do corpo 67
(cid:122)
Atuação performativa corpo-dança-instituição 69
(cid:122)
(In)visibilidade dos processos artísticos da Escola de Dança da UFBA 71
(cid:122)
Capítulo 3.
A CONTEMPORANEIDADE E O FAZER-DIZER 81
(cid:122)
Por que performatividade? 83
(cid:122)
Possíveis conseqüências 87
(cid:122)
Tema 1: autoria 89
(cid:122)
Tema 2: novas formas de organização 93
(cid:122)
Tema 3: outro tipo de sociedade (comum) 94
(cid:122)
Tema 4: uma dança interessada nas singularidades coletivas 99
(cid:122)
Hábitos e Performatividade 101
(cid:122)
EM VEZ DE CONCLUSÕES, PROPOSIÇÕES 107
(cid:122)
NOTAS 107
(cid:122)
REFERÊNCIAS 117
(cid:122)
ENTREVISTAS 122
(cid:122)
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APRESENTAÇÃO
Dançar, dançar, dançar. A cada movimento o corpo expõe configurações
e reconfigurações que organizam-se espaço-temporalmente e provocam
inúmeras percepções. Em algumas oportunidades essas percepções se dão
no imediato contato com o fazer artístico – como uma fala que se reconhece.
Em outras, a percepção se dá como que uma fala em eco, que se repete e
vêm se encostar aos poucos, promovendo outros conhecimentos, outras
percepções. A familiaridade da fala enunciada dependerá de como se
permite dela se aproximar.
A dança coloca em cena corpos em movimento que produzem
significados e estabelecem diferentes modos de enunciação e percepção.
As maneiras como esses corpos organizam as idéias e as expõem é de
fundamental importância para a proposição que entende o corpo que
dança como indissociável do contexto onde apresenta suas propostas.
Indispensável também é o jeito como a dança observa e tem observado
seu fazer.
O jeito como se pratica a observação, de modo geral, está
comprometido com crenças e compreensões de mundo ainda muito
estabelecidas por entendimentos de essência, origem, verdade, certeza.
Provavelmente, esta maneira de enunciar idéias de dança reproduza a
lógica do indizível vinculada a propostas artísticas que destacam
individualidades(individualismos) e lidam com as idéias de dança como
propriedades privadas.
Na contramão dessa maneira de tratar a dança, este livro apresenta a
dança enquanto fazer que é também dizer. Neste fazer-dizer, dança e
política compartilham o mesmo processo de constituição das propostas e
idéias artísticas e coletivas. O acolhimento da tônica “política” no processo
de organização do fazer em dança se constrói como um acontecimento
singular. Criar e enunciar vão se dar, ao mesmo tempo, produzindo corpos
específicos para cada enunciado.
Jussara Sobreira Setenta (cid:122) 11
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