Table Of ContentRevista do Museu de Arqueologia e Etnologia, São Paulo, 17: 149-168, 2007.
Richard Francis Burton, os sambaquis e a Arqueologia no Brasil Imperial
(Com tradução de textos de Burton)
Lúcio Menezes Ferreira*
Francisco Silva Noelli**
FERREIRA, L.M.; NOELLI, F.S. Richard Francis Burton, os sambaquis e a Arqueolo-
gia no Brasil Imperial. (Com tradução de textos de Burton). Revista do Museu de
Arqueologia e Etnologia, São Paulo, 17: 149-168, 2007.
Resumo: O principal objetivo deste artigo é apresentar a contribuição
arqueológica de Richard Francis Burton no contexto brasileiro. Em seguida,
apresentamos traduções de textos arqueológicos de Burton, os quais são de difícil
acesso e ainda inéditos em português.
Palavras-chave: Arqueologia Pré-Histórica – Arqueologia Brasileira – Sambaquis.
A institucionalização científica da Ar- descrever o processo de institucionalização da
queologia brasileira, especialmente no Arqueologia brasileira, necessário se faria,
século XIX, ainda é pouco conhecida. Conhecê- também, considerar os documentos primários
la pormenorizadamente seria uma tarefa depositados nos arquivos dos museus e institu-
hercúlea, pois são muitas as fontes e as institui- tos. Tais documentos são importantes porque
ções a serem compulsadas. Dentre elas, os vários lidam com eixos temáticos de investigação: a
museus e institutos históricos formados no elaboração de catálogos, a permuta e intercâm-
Império e na Primeira República, ao lado de bio de coleções, e os relatos de viagens científi-
instituições situadas fora do Brasil. O volume cas que registram a ocorrência de sítios
do material a ser lido, mesmo que nos arqueológicos, escavações e obtenções de
restrinjamos às publicações destes museus e materiais. Como disse Paula Findlen (1996), o
institutos, demandaria, com efeito, a forma- colecionismo, os catálogos e as viagens são
ção de uma linha de pesquisa com equipes e fundamentais para a compreensão dos
colaboradores.1 Até mesmo porque, para processos de institucionalização de uma ciência.
(*) Pesquisador Associado do Núcleo de Estudos
Estratégicos (Unicamp). Bolsa de Pós-doutorado (FAPESP) 24-26). A presença da Arqueologia em textos
[email protected] literários e na imprensa do Império e da Primeira
(**) Professor Aposentado da Universidade Estadual República, que será apenas aludida a seguir, é
de Maringá/Programa Interdisciplinar de Estudos de discutida mais longamente na tese, com indicação
Populações. [email protected] das fontes. A tese apresenta, ainda, como a
(1) Esta proposta de formação de uma linha de Arqueologia institucionalizou-se articulada aos
pesquisa em História da Arqueologia brasileira foi processos de mundialização da ciência, ao nacio-
tratada na tese de doutorado de Ferreira (2007: nalismo e ao colonialismo.
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Richard Francis Burton, os sambaquis e a Arqueologia no Brasil Imperial (Com tradução de textos de Burton).
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Ademais, se admitirmos, ao menos como entre 1866 e 1874. Em seguida, apresentamos,
hipótese de trabalho, que a Arqueologia brasilei- em adendo a este artigo, traduções dos textos
ra concatenou-se aos processos de mundialização arqueológicos de Burton.
da ciência, seria preciso fazer um apanhado Esses textos, alguns deles, na verdade,
extremamente minucioso da bibliografia e dos consistindo de notas ligeiras e informativas,
materiais arqueológicos presentes em museus permanecem completamente desconhecidos
estrangeiros.2 Tal levantamento é imprescindível pela Arqueologia brasileira. Apenas suas
para situar os diálogos e colaborações entre menções aos sambaquis da baía da Guanabara
pesquisadores do Brasil e do mundo, bem como e à arte rupestre do baixo rio São Francisco
para aquilatar o número e o valor de coleções foram lembradas (Beltrão 1978; Sousa 1991;
levadas, desde o século XIX, para museus Lima 1999-2000). Dentre seus coetâneos que
estrangeiros. Há, ainda, outras fontes a serem atuaram no Brasil, somente o engenheiro
analisadas: a imprensa e romances do período. alemão radicado em São Paulo, Carlos Rath
Quanto à primeira, os pesquisadores divulgavam (1871: 291), referiu-se a ele, lamentando que o
descobertas e interpretações, registravam a “grande capitão”, a caminho de suas explora-
localização de sítios, além de solicitarem recursos ções de Minas Gerais e do rio São Francisco,
para pesquisa e o envio de artefatos para os passou “à vapor” (com pressa!) pelos sambaquis
museus locais. Nos romances, notadamente os da baía Guanabara. Em parte, a raridade dos
naturalistas, há inúmeras informações e textos de Burton decorre, inclusive, do fato de
discussões arqueológicas, e mesmo figurações que ele foi “esquecido” por seus próprios
metafóricas. colegas do Anthropological Institute durante o
É igualmente importante, para germinar último quartel do século XIX (Penzer 1921:76).
uma futura linha de pesquisa em História da
Arqueologia brasileira, escrever biografias de
pesquisadores nacionais e estrangeiros e Burton e a Arqueologia
traduzir, para o vernáculo, textos raros e de
difícil acesso. Neste artigo, damos um pequeno Richard Francis Burton (1821-1890) foi um
passo nesse sentido. Nosso objetivo principal é personagem de múltiplos talentos no contexto
situar os textos de Richard Francis Burton colonial vitoriano. Às vésperas de vir para o
sobre os sambaquis brasileiros, publicados Brasil, era considerado por um dos seus
conterrâneos como o “maior explorador de todos
os tempos” (Farewell Dinner 1865:169).
(2) As atividades científicas sempre ocorrem em lugares Desempenhou muitas funções nas instituições
institucionais e geográficos específicos, carregando do império britânico: oficial militar de carreira,
consigo as marcas discerníveis destes lugares de
espião, explorador, diplomata, cavaleiro do
produção (Shapin: 1995). Porém, uma destas marcas é
império. Burton era o próprio protótipo do
afetada pelo que os historiadores latino-americanos da
ciência conceituam como mundialização da ciência: a Império, símbolo do viajante explorador,
circulação mundial da cultura científica a partir do século sequioso pelas fronteiras, inquieto pelos
XVIII. A cultura científica, ao “globalizar-se”, não imprimiu
lugares distantes. O viajante timorato e incansá-
às instituições de pesquisa locais uma transferência
vel, sempre descortinando as regiões desconhe-
passiva de modelos, mas produziu um conjunto de
representações historicamente situadas, de articulações cidas pelo olhar europeu, como a África
com as tradições locais de pesquisa e de respostas para Central (Torcato 1996; Gebara 2006). O
os problemas políticos, sociais e econômicos de
cientista destemido que, no início dos anos
determinados contextos (Lafuente y Ortega 1992; Polanco
1860, antes de David Livingstone, procurou
1990; Figueirôa 1998; Saldaña 1993). Pensamos que o
internacionalismo referido pelos historiadores da pelas nascentes do Nilo (Dugard 2005).
Arqueologia, que seria responsável, durante o século Porém, antes de tudo, Burton é conhecido por
XIX, pelos vínculos mundiais que formularam teorias
sua competência lingüística; poliglota versátil,
arqueológicas (Kaeser 2000, 2001, 2002) e as concepções
falava 19 línguas e vários dialetos (Rice 1991:19).
políticas dos arqueólogos (Díaz-Andreu 2007), coaduna-
se com o conceito de mundialização da ciência. Traduziu, para o inglês, livros escritos original-
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mente em árabe, persa, sânscrito, latim, equipe a escavar um sítio que acreditava ser um
italiano, francês e português, como As Mil e acampamento de Alexandre da Macedônia
Uma Noites, a obra completa de Camões, o (Lovell 2000: 69). Mas foi apenas na maturidade
Kama Sutra e os escritos de Catulo (Penzer que publicou resultados sistemáticos no livro
1921; Wright 1906, v. 2; Lovell 2000). Etruscan Bologna (1876). Trata-se de um trabalho
Seu enorme apetite pelo conhecimento e de 275 páginas fartamente ilustrado, que hoje
pela Antropologia, no “truest meaning of the seria facilmente considerado como interdisciplinar.
word” (Penzer 1921: 74), levou-o a publicar É realmente espantosa a amplitude de suas
uma vastíssima obra, composta de 50 livros, abordagens neste contexto italiano: Arqueologia,
vários com dois ou mais volumes, e centenas Bioantropologia, História, Lingüística, Geologia
de artigos, cartas e notas. Até mesmo seus e Arte.
diários de viagem, recheados de detalhes que Burton assistiu à efervescência de um tema
servem a variados objetos de estudo, mostram que passou a freqüentar assiduamente a
quão versáteis eram os apetites de Burton. agenda de debates da época: a “antiguidade do
Revelam outros aspectos, mais jocosos e homem”. Tema que surgiu na esteira de dois
pitorescos, de seu caráter aventureiro: suas grandes eventos das Ciências Humanas e
pródigas “incursões” sexuais pelos territórios Naturais. O primeiro é a publicação de Origin
africanos e asiáticos (Hyam 1990). of Species em 1859, de Charles Darwin, que
Menos conhecido, contudo, é seu papel popularizou e sistematizou o argumento
na institucionalização da Antropologia e da central do evolucionismo e da antiguidade
Arqueologia. Em 1861, tornou-se sócio da humana (Mayr 1991; Bowler 1996). O segun-
Ethnological Society (Penzer 1921: 75). Ajudou a do é de 1863, quando Charles Lyell, então o
fundar, em janeiro de 1863, a Anthropological geólogo inglês mais influente, publicou The
Society of London, da qual foi o primeiro presi- Antiquity of Man, a síntese que estabeleceu o
dente. Fundou também revistas especializadas: campo de estudos da relação Homo sapiens e
a Journal of the Anthropological Society e a ambiente projetados no tempo passado. Para
Anthropological Review (Wright 1906, v. 1: 185). Lyell (1863: 1): “nenhum objeto ultimamente
Em uma época em que a Antropologia começava excitou mais a curiosidade e o interesse geral entre
a delinear seus objetos e métodos, a Anthropological geólogos e o público que a questão da Antigüidade
Society tinha a Arqueologia em pauta. Depois do Homem”. Lyell tratou da coexistência entre
que a Ethnological Society e Anthropological humanos e mamíferos extintos, da descoberta
Society foram fundidas em 1871 para formar o de artefatos pré-históricos, das três idades de
Anthropological Institute of Great Britain and Thomsen, da importância dos sítios arqueoló-
Ireland,3 Burton criou uma nova instituição: a gicos e dos estudos sobre a variação do nível
London Anthropological Society e o periódico do mar para definir cronologias (Lyell 1863: 9-
Anthropologia (essa sociedade teve vida curta). 12). Também destacou o artigo de John
Fontes diversas e o conjunto da obra de Lubbock, de 1861 (Lyell 1863: 12), cujo nome
Burton evidenciam que ele sempre se interes- Danish shell-mounds, or kjökkenmödding, inspira-
sou pela Arqueologia. Ao longo de sua vida, ria em 1866 o título quase homônimo de um
desde os anos de estudo em Oxford, na artigo de Burton. Além dessas publicações, que
carreira militar, nas explorações e na diploma- certamente foram lidas por Burton,4 Lyell e
cia, conviveu com vários praticantes da Lubbock foram seus colegas na Ethnological
Arqueologia. Aos 24 anos, quando era um
jovem oficial em Karachi (1845), levou uma
(4) O volume 1, número 3, da Anthropological Review
fundada por Burton, publicou um debate sobre o recém-
lançado Antiquity of Man. Este volume 1(3) também
(3) Em 1905, o nome da instituição mudou para Royal comentava as pesquisas de Lubbock (Crawfurd 1863: 404,
Anthropological Institute of Great Britain and Ireland, 433-437). Lubbock (1865: 198, 565), por seu turno, citou
que existe até hoje (Stocking 1971). Burton.
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Society e, desde 1871, no Anthropological sear Cordiviola, dizendo que, para Burton, o
Institute (Keith 1934: 50). Lubbock, em 1865, Brasil seria igualmente o país do passado; ou,
ano em que Burton veio para o Brasil, publi- então, o país que, tendo diversos sambaquis
cou o primeiro grande clássico da arqueologia, em suas franjas marítima e fluviais, possuiria
Prehistoric times, onde incluiu seu Artigo de parte significativa do futuro da pesquisa em
1861. Arqueologia pré-histórica. Numa palavra, o
Como se sabe, ao lado da Arqueologia Brasil, com os seus ricos arquivos sobre a
escandinava e das pesquisas de Boucher de “antiguidade do homem”, detinha um grande
Perthes, as obras de Darwin, Lyell e Lubbock, ao manancial para fomentar o progresso e o
confirmarem a “antiguidade do homem”, foram futuro da Arqueologia pré-histórica.
pilares do estatuto científico da Arqueologia pré- As principais biografias sobre Burton,
histórica (Daniel 1950; Groenen 1994: 37-94; entretanto, ocultam e esclarecem pouco sobre
Stiebing 1993: 29-54; Trigger 1990: 87). Pode suas atividades arqueológicas no Brasil. Na
dizer-se que Burton, portanto, ao chegar ao mais antiga, sua sobrinha Georgina Stisted
Brasil, já era íntimo e partícipe do processo de (1897: 311) diz que “é difícil acreditar que nosso
institucionalização da disciplina. Seu interesse viajante permaneceu dezoito meses em Santos sem
pelos sambaquis brasileiros ditou-se exatamente nenhuma grande aventura”, praticamente
pelo potencial destes sítios para as pesquisas em ignorando suas viagens e publicações e resu-
Arqueologia pré-histórica. Ademais, seus artigos mindo suas atividades culturais a palestras
e notas sobre os sambaquis, conquanto não proferidas para Pedro II e círculos sociais
resultem de pesquisas sistemáticas, ligam-se, como restritos. Sua esposa, Isabel Burton6 (1916:
veremos, às pesquisas arqueológicas do Brasil 258, 260, 271), relata sucintamente que ele fez
Imperial. “várias expedições por sua própria conta”, antes da
viagem a Minas Gerais e ao Rio São Francisco,
sublinhando as relações sociais com a corte no
Burton e a Arqueologia Brasileira Rio de Janeiro e com personalidades de São
Paulo e Santos.
Burton veio para o Brasil para ocupar o Foi Thomas Wright, em 1906, o primeiro
cargo de cônsul em Santos, no qual permane- biógrafo a revelar o interesse de Burton pela
ceu por três anos (1865-1868). A nosso ver, o “arqueologia e história local” do Brasil. Relatou
mais brilhante estudo sobre o legado diplomá- que, em Santos, Burton “explorou enormes
tico, exploratório e cultural de Burton no kitchen middens de índios aborígines; mas sua
Brasil é o do crítico literário Alfredo Cordiviola atração maior foi o sítio de um forte português,
(2001). Para Cordiviola, a narrativa de viagem sinalizado por uma pilha de pedras, onde um
do diplomata inglês – intitulada Explorations of artilheiro, um Hans Stade [sic], foi capturado por
the Highlands of the Brazil (1869a, b)5 – trama- canibais...” (Wright 1906, v. 1: 196-197). No
se às linhas de uma tradição apologética cujos final do livro, no apêndice IV, há uma lista de
ecos ainda nos soam aos ouvidos: a de que o artigos de Burton sobre Arqueologia em geral e,
Brasil seria o país do futuro. Podemos parafra- especificamente, sobre o Brasil (Wright 1906,
v. 2: viii, x). Na única biografia de Burton
traduzida e publicada no Brasil, Edward Rice
(1991: 397) praticamente repete Wright,
(5) Neste trabalho fazemos uso dos volumes das
declarando que em Santos ele “dedicou muito
Explorations e das traduções brasileiras. Américo
Jacobina Lacombe publicou a primeira em 1941, reeditada tempo a explorações arqueológicas. Escavou ruínas
em 1983 (Burton: 1983). David Ricardo Jardim Júnior fez
nova tradução, publicada em 1977 e reeditada em 2001
(Burton 1977a, 1977b, 2001). Nossas citações referir-se-ão
ao original e às traduções. As Explorations, como se (6) W.H. Wilkins (1916), que concluiu e publicou a
sabe, são as narrativas de viagem de Burton pelo Rio de biografia de Isabel Burton e editou as palestras de Burton,
Janeiro, Minas Gerais e pelo rio São Francisco. também omitiu as atividades arqueológicas no Brasil.
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seculares de aldeias indígenas abandonadas e ruínas de Antropológica” (Miscellanea Anthropologica:
de fortes portugueses cobertos de mato”. 1866: 208), e publicada pouco depois no
Burton é, pode-se dizê-lo, um dos pionei- quarto volume da Journal of the Anthropological
ros das pesquisas arqueológicas no Brasil. Society of London (Burton 1866). Além desta
Eventualmente, foi lembrado, como já disse- carta, Burton publicou um artigo específico
mos anteriormente, por uma curta nota de sobre sambaquis no primeiro volume da
rodapé sobre os sambaquis no Rio de Janeiro, revista Anthropologica (Burton 1873). Há,
publicadas em 1869 nas Explorations. Ele ainda, um importante parágrafo em um artigo
escreveu: “Aconselha-se aos antropólogos visitarem de 1871, que ele dedicou aos artefatos arqueo-
a Ilha Comprida [do Governador], onde há ostreiras lógicos da “Terra Santa”, onde ele informa
chamadas localmente de sambaquis, ricas em sobre a distribuição geográfica dos sambaquis
crânios de aborígines e machados de pedra” ao sul do Rio de Janeiro (Burton 1871).
(Burton 1869a: 23; 2001: 54). Na mesma obra Também publicou o prefácio, a introdução e
refere-se à ocorrência de grafismos rupestres, várias notas explicativas de sólida erudição
passagem também recordada pela Arqueologia etnológica e histórica sobre o Brasil, na
brasileira contemporânea, deduzindo que eles tradução inglesa do livro de Hans Staden
seriam comuns no baixo Rio São Francisco: (Burton 1874a, 1874b). Logo no início do
“Tive o cuidado, contudo, de coligir para os futuros prefácio, relatou que visitou e explorou várias
viajantes, as narrações ouvidas sobre os acidentes vezes os “kitchen middens” no litoral paulista
naturais de interesse, as reservas geológicas e as (Burton 1874a: i).
inscrições lapidares até hoje não estudadas”. Além Embora ele não tenha explicitado,
disso, Burton (1869b: 425, 1983: 57) prome- certamente aportou no Brasil sabendo da
teu publicar um livro para “mostrar claros existência de sambaquis. Leu sobre o
vestígios de um povo esquecido, possuidor da terra assunto no capítulo Mounds of Santos in
anteriormente aos atuais selvagens (da raça tupi) e Brazil,7 do livro The Antiquity of Man, onde
do qual nem a mais vaga tradição se conservou”. Lyell (1863: 42) analisou os dados publica-
Infelizmente, não cumpriu a promessa. Mas dos, em 1828, por Meigs nas Transactions of
deixou um manuscrito intitulado The Eastern Philosophical Society. Acresce que, antes de
Coast of South America, datado de 1865, que Burton vir para o Brasil, Charles Carter
merece ser avaliado para verificar se possui Blake já havia publicado, na Anthropological
conteúdos de Arqueologia (Edwards H. Metcalf Society, um artigo sobre fósseis humanos em
manuscript collection, Huntington Library, cavernas do Brasil (Blake 1864). Burton
California). No livro Cartas do Paraguai, conhecia também, como ele mesmo mostra
Burton (1870: 33) anunciou em nota que nas Explorations, os trabalhos do dinamar-
estava preparando um livro que se chamaria quês Peter W. Lund, que nos anos 1830, ao
The lowlands of the Brazil, que possivelmente pesquisar cavernas em Lagoa Santa (MG),
versaria sobre temas arqueológicos. descobriu fósseis humanos geologicamente
A produção de Burton sobre Arqueologia associados com ossadas de megafauna. E
brasileira é mais extensa do que estas notas Lund reportou a existência de sambaquis.
escritas nas Explorations. Chegando a Santos no Em 1844, ele escreveu uma carta sobre suas
dia 10 de novembro de 1865 (Burton 1874a: descobertas para a Sociedade Real dos
ii), ele logo foi explorar a região. Já no dia 11 Antiquários do Norte, fazendo analogias
de dezembro de 1865, remeteu uma caixa com arqueológicas e etnográficas entre os
artefatos arqueológicos extraídos de sambaquis sambaquis do Brasil e os da Dinamarca
e escreveu uma carta para o presidente da (Lund 1950 [1844]: 467).
Anthropological Society, denominada On a
kjökkenmödding at Santos, Brazil, na qual narrou
suas descobertas arqueológicas. Ela foi lida, em
(7) No sumário do capítulo 3 Lyell (1863: v, 33), cita
15 de maio de 1866, no “Encontro da Socieda- como Sepulchral Mound of Santos in Brazil.
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Richard Francis Burton, os sambaquis e a Arqueologia no Brasil Imperial (Com tradução de textos de Burton).
Revista do Museu de Arqueologia e Etnologia, São Paulo, 17: 149-168, 2007.
Em suma, Burton, ao vir para o Brasil, ciente nal, ele mesmo os escavou no Sul do Brasil e
que estava do processo de institucionalização deixou-nos publicações sobre o tema (Neto
da Arqueologia pré-histórica, da gestação dos 1882, 1885: 263-275).
debates evolucionistas e acerca da “antiguidade Além dos contatos de Burton, que necessi-
do homem”, procurou por sambaquis. O tam de maiores e mais extensas pesquisas
reclame de Rath (1871: 291) sobre a vista de ulteriores, uma importante fonte literária deve
soslaio e apressada de Burton sobre os ser cotejada. Trata-se do IHGB. É verdade que
sambaquis da baía de Guanabara não se Burton queixou-se acidamente por não ter sido
sustenta porque, como veremos nas traduções convidado para participar das reuniões semanais
a seguir, o inglês reitera que sua intenção era do IHGB (Burton 1869a:15), onde a pesquisa
dar notícia ao invés de fazer pesquisa, dizendo arqueológica vicejou desde a criação da institui-
que: eu mal posso encontrar tempo no presente ção, em 1838 (Ferreira 1999, 2003). Entretan-
para trabalhar sobre minhas extensas notas sobre to, as Explorations mostram que Burton leu
este tema; mas serei o mais feliz em colocá-los nas atentamente a Revista do Instituto, para
mãos de membros irmãos que tiverem mais tempo e a aprofundar seus conhecimentos sobre História
inclinação para tentar a tarefa (Burton 1871: 300). e Geografia do Brasil e amealhar dados para sua
Sua estada no Brasil, durante a qual viagem pelo rio São Francisco. Decerto Burton,
estreitou contatos com os cientistas e autorida- como ele mesmo nos conta nas Explorations,
des locais, pode ter-lhe proporcionado infor- valeu-se de uma série de narrativas de viagens de
mações mais exatas sobre a distribuição naturalistas que percorreram o Brasil antes dele;
geográfica e os conteúdos arqueológicos dos mas a Revista do IHGB não pode ser despreza-
sambaquis. Sobre tais contatos, não temos da como fonte privilegiada de Burton. O
ainda dados precisos. Mas podemos avançar explorador leu-a, como vemos nas Explorations,
algumas considerações, que talvez abram na Faculdade de Direito de São Paulo, institui-
veredas para futuras pesquisas. Tanto D. Pedro ção que ele freqüentava regularmente e onde
II, patrono do Instituto Histórico e Geográfi- havia uma coleção da Revista.
co Brasileiro (IHGB) e notório colecionador Na Revista do IHGB ele certamente
de cultura material arqueológica e etnográfica, deparou com várias análises sobre sambaquis e
como outros personagens do Império, prova- Arqueologia brasileira em geral. Conquanto
velmente forneceram-lhe informações arqueo- não as cite diretamente, podemos supor que
lógicas que auxiliaram suas investigações. Com atentou ao menos para algumas das discussões
Pedro II seus encontros não foram apenas estampadas na Revista. Em primeiro lugar, nos
protocolares, mas sociais e intelectuais, como primeiros volumes da Revista estão publicadas
ele próprio e sua esposa Isabel comentam. as cartas de Lund, nas quais o naturalista
Burton, por volta de junho de 1866, proferiu dinamarquês argumenta pela coexistência do
para Pedro II palestras sobre suas viagens a “homem de Lagoa Santa” com a megafauna
Medina, Meca, Harar, ao “Coração da extinta (Lund 1842, 1844). Em segundo lugar,
África” e aos Estados Unidos, que postuma- no final dos anos 1840 e início dos anos 1850,
mente foram reunidas e publicadas no livro os sambaquis estavam em pauta no IHGB. Um
Wanderings in Three Continents (Burton 1901; dos membros do Instituto que trouxe à tona
Wilkins 1901). discussões sobre os sambaquis foi o historiador
Burton menciona que, durante suas Francisco Adolfo Varnhagen, o autor da
estadas no Rio de Janeiro, conversou com História Geral do Brasil (1975 [1854]). Nesta
Ladislau de Souza Mello Neto (cf. Burton obra magna de Varnhagen, a arqueologia e a
1874b: lxxx), que viria a ocupar, entre 1874 e etnografia figuram com destaque (Ferreira
1893, a direção do Museu Nacional. Trata-se 2005a). Burton cita a História Geral do Brasil
de um contato importante, pois Ladislau Neto nas Explorations, portanto, obviamente lidou
conhecia bem os sambaquis. Neto promoveu com as pesquisas Arqueológicas e Etnográficas
pesquisas sobre estes sítios no Museu Nacio- do Visconde de Porto Seguro.
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Varnhagen discorrera sobre os sambaquis Certamente, como o olhar especializado
antes de publicar a História Geral do Brasil. Em do leitor arqueólogo observará nas traduções
Etnografia Indígena: Línguas, Imigrações e que oferecemos, as interpretações de Burton
Arqueologia (1849), Varnhagen, propondo a sobre os sambaquis possuem erros e incon-
efetivação de uma seção especializada em gruências. Contudo, a contribuição do
Etnografia e Arqueologia no Instituto, comen- cientista inglês é inegável. Podemos sumarizá-
tou os “últimos achados arqueológicos” em territó- la do seguinte modo: 1) constatou a ocorrên-
rio brasileiro: machados líticos, igaçabas, vestígios cia de 20 sambaquis na costa de Santos; 2)
cerâmicos e outros (Varnhagen 1849: 370). constatou a ocorrência de sambaquis em
Varnhagen descreveu também um sambaqui Ubatuba; 3) constatou a ocorrência de
maranhense, classificando-o como “mausoléu” sambaquis na área de Cananéia; 4) constatou
(Varnhagen 1849: 372). Tal descrição levou o que ocorriam sambaquis na costa do Paraná,
eminente naturalista Francisco Freire Alemão a Santa Catarina e Rio Grande do Sul; 5)
escrever uma memória – Memória sobre a Pirâmide aventou a hipótese, a partir da amostragem
do Campo Ourique do Maranhão (RIHGB, tomo amealhada entre o Rio de Janeiro e o Rio
12, 521, 1850) –, que infelizmente permanece Grande do Sul, de que existiriam sambaquis
inédita. do Oiapoque ao Rio da Prata; 6) deduziu que
Provavelmente, Burton considerou estas e os sambaquis eram pré-históricos; 7) realizou
outras informações na Revista do IHGB. De descrições da estratigrafia e do contexto
todo modo, as fontes literárias e os contatos arqueológico dos sambaquis; 8) coletou
pessoais de Burton requerem, no-lo reiteramos amostras, escavando-as e recebendo doações;
novamente, melhor garimpagem e exame nos 9) verificou que havia um padrão de inserção
arquivos do Brasil e da Inglaterra. Contudo, dos sambaquis na paisagem, especialmente
mesmo que ainda não tenhamos mapeado associados com os cursos de água potável e os
circunstancialmente as relações sociais e mangues, onde havia fontes alimentícias; 10)
intelectuais de Burton, já podemos afirmar que sugeriu hipóteses sobre a construção e a
sua contribuição às pesquisas arqueológicas ocupação social dos sambaquis. Atento ao
brasileiras é extremamente valiosa. Burton não avanço das pesquisas sobre a relação entre os
fez escavações minuciosas, mas coletou sambaquis europeus e a regressão/transgres-
amostras dos sambaquis. Advertiu, num tom são marinha, Burton advertiu em 1873 sobre
modesto e comedido, que faria apenas divulga- a inconsistência da interpretação popular e
ção dos sambaquis brasileiros; seu objetivo científica da origem dos sambaquis brasilei-
principal era granjear coleções de artefatos e ros: O ignorante não consegue acreditar que esses
esqueletos. Pelo que depreendemos de seus montes resultaram de trabalho manual do homem,
textos, Burton formou duas coleções. Uma atribuindo-o ao dilúvio de Noé, ou a algum outro
delas doou à Anthropological Society. A outra suposto distúrbio. Homens instruídos têm igual-
consistiu de uma coleção particular. Ele mente defendido esse absurdo em publicações (veja
vendeu uma pequena parte desta coleção (veja tradução abaixo). Burton não imaginava que
a tradução mais abaixo) e, em 1884, doou-a a essa interpretação teria vida longa na Arqueolo-
August Pitt Rivers (Petch 2006; sobre as gia brasileira.
doações ver http://history.prm.ox.ac.uk), Um fato interessante, comum ao conjunto
quando o General arqueólogo preparava-se da obra de Burton, é a constante menção que
para retirar seus 14.000 artefatos do British faz dos seus interlocutores em campo, referin-
Museum of Natural History e transferi-los para o do-se às suas informações práticas e analisando
recém-fundado Museu da Universidade de suas ponderações e interpretações de interesse
Oxford (Bowden 1999). O Museu de Oxford, arqueológico.
que hoje, como sabemos, se chama Pitt Rivers Estas interpretações de Burton podem e
Museum, ainda possui a coleção brasileira devem ser historicamente articuladas às
doada por Burton. pesquisas arqueológicas do Brasil Imperial.
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Richard Francis Burton, os sambaquis e a Arqueologia no Brasil Imperial (Com tradução de textos de Burton).
Revista do Museu de Arqueologia e Etnologia, São Paulo, 17: 149-168, 2007.
Elas se imbricam em uma série de outros Batista Lacerda, futuro diretor da institui-
trabalhos, feitos por cientistas estrangeiros e ção, dissertou, sob o ponto de vista da
brasileiros. Dentre os primeiros, em 1864, Antropologia Física, sobre o “homem” do
antes da chegada de Burton ao Brasil, o sambaqui (Lacerda 1885).
francês Conde de La Hure escavou Para não estendermos mais a lista de
sambaquis de Santa Catarina. Escreveu um publicações, finalizamos concluindo que estas
competente relatório sobre suas escavações, pesquisas, feitas por brasileiros e estrangeiros,
enviando-o para o IHGB (La Hure 1865); o pretendiam o mesmo que Burton: constituir a
relatório, infelizmente, permanece inédito, Arqueologia pré-histórica como disciplina
esperando por tradutores e publicação. Por científica e reunir empirias para o debate
sua vez, o diplomata e cientista Charles sobre a “antiguidade do homem”. De todo
Wiener, comissionado para o Museu Nacio- modo, será preciso que, no futuro, contemos
nal por Ladislau Neto (1876), retornou, em com outros estudos mais detalhados e
1876, a Santa Catarina, produzindo um balizados do que o nosso, tenham eles como
importante estudo sobre os sambaquis objeto Burton ou qualquer outro cientista
fluviais e marítimos da região (Wiener brasileiro ou estrangeiro. Somente assim
1876). No final dos anos 1870 e início dos comporemos novos elementos comparativos
anos 1880, cientistas alemães, a exemplo de para organizarmos uma linha de pesquisa em
História da Arqueologia brasileira, devida-
Karl von den Steinen, remeteram os materi-
mente inserida no campo de História da
ais de sambaquis de São Paulo (Santo
Ciência.
Amaro) e Santa Catarina (São Francisco do
Sul e Joinvile) para o Museu de Berlim; tais
materiais permitiram ao fundador e diretor
As Traduções
da instituição, o famoso antropólogo
Rudolf Virchow, escrever três importantes
Procuramos manter o tom original dos
trabalhos (Faria 2003).
textos, marcados pela linguagem coloquial,
Outros cientistas estrangeiros se somari-
pelas inevitáveis figuras de linguagem e pelas
am a esta pequena lista. Mas o fato é que
abruptas oscilações temáticas. Nossa idéia foi
eles e o próprio Burton não escreveram em
manter o sabor e a tonalidade da narrativa de
hiato empírico e interpretativo. Já havia, no
Burton. Atualizamos a toponímia e a nomen-
Brasil, uma tradição local de pesquisa, como
clatura dos componentes do relevo, mas não
enunciamos brevemente acima, a propósito
alteramos as medidas.
do IHGB. Os cientistas estrangeiros dialoga-
Esta série de publicações, realizadas entre
ram ativamente com esta tradição local, e
1866 e 1874, constitui-se de:
vice-versa, dando vazão aos fluxos do
processo de mundialização da ciência 1) Uma carta de dezembro de 1865,
(Ferreira 2007). A partir dos anos 1870, publicada em 1866;
com a consolidação das teorias
2) Uma nota de rodapé, em 1869, no
evolucionistas no Brasil, intensificaram-se as
primerio volume das Explorations;
escavações sobre os sambaquis (Ferreira
2005b). Na revista Ensaios de Ciência, assim, 3) Um parágrafo de um artigo sobre
surgiram pesquisas sobre os sambaquis de a Terra Santa, em 1871;
Santos e da Amazônia, feitas, respectivamen-
4) Um artigo específico sobre os
te, por Gustavo Such Capanema (1876) e
sambaquis, em 1873;
João Barbosa Rodrigues (1876). Pelo Museu
Nacional, além dos trabalhos de Ladislau 5) Fragmentos do prefácio à edição
Neto, o naturalista viajante da instituição, inglesa do livro de Hans Staden, em
Domingos Soares Ferreira Pena, escavou os 1874 (devido a sua extensão serão
sambaquis do Pará (Pena 1876); e João publicados posteriormente).
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Lúcio Menezes Ferreira
Francisco Silva Noelli
Agradecimentos nossa tradução, melhorando a qualidade do texto e
ajudando a manter o sabor da versão inglesa. Maria
Alfredo Cordiviola gentilmente nos enviou Isabel D’Agostino Fleming deu valiosas sugestões
cópia do artigo de 1873, publicado na rara revista para corrigir e melhorar o artigo. Contudo, a
Anthropologia. Amílcar D’Ávila de Mello revisou responsabilidade é restrita aos autores.
FERREIRA, L.M.; NOELLI, F.S. Richard Francis Burton, the shell mounds and
Archaeology in Imperial Brazil. (With translation of Burton’s texts). Revista do
Museu de Arqueologia e Etnologia, São Paulo, 17: 149-168, 2007.
Abstract: The main aim of this paper is to raise some matters about the
Brazilian context of the archaeological productions of Richard Francis Burton.
We offer translations of the archaeological texts of Richard Francis Burton as
well, which are hard to find and still unavailable in Portuguese.
Keywords: Prehistoric Archaeology – Brazilian Archaeology – Shell mounds.
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Description:O primeiro é a publicação de Origin of Species em 1859, de Charles Darwin, que popularizou e .. Anthropologia. Amílcar D'Ávila de Mello revisou.