Table Of ContentO NAVIO
ARCANO
O Reino dos Antigos
por Robin Hobb
Saga do Assassino
O aprendiz de assassino
O assassino do rei
A fúria do assassino
Os Mercadores de Navios-Vivos
O navio arcano
R O B I N H O B B
O NAVIO
ARCANO
-
OS MERCADORES DE NAVIOS VIVOS
L I V R O I
Tradução
Gabriel Oliva Brum
Este livro vai para
A Pata do Diabo
O Totem
O E.J. Bruce
O Almoço Grátis
O Labrador (Escamas! Escamas!)
A (adequadamente nomeada) Baía do Massacre
A Fiel (Ursinhos Gummi à vista!)
O Ponto de Entrada
O Cabo St. John
O Patriota Americano (e o Capitão Wookie)
A Lésbica Belicosa
A Anita J. e a Marcy J.
O Tarpão
O Capelim
O Golfinho
A Baía das (não muito) Boas Notícias
E até mesmo o Galinho
Mas, sobretudo, para a Senhora da Chuva,
onde quer que esteja.
VILAMONTE
Escarpa de Granito BMAEÍRAC DAOD OR arrebentEaçnãotrada
Coruchéu
VILAMONTE Borda do Adeus
O
AMLAILTDOIRÇAOLA DO VILAMONTE BAÍA DO MERCADOR
Água Ruim IDlhisap deras ão
Ilha da
Velha
ILHAS
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Pântano
Ilha
Distante
Ilha das
Algas
Ilha dos
Ilha Outros
Última
Ilha do
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PRÓLOGO
Maulkin se ergueu de repente e sacudiu-se vigorosamente, lançando uma
nuvem de partículas que encobriu seu corpo de serpente. Lascas de pele des-
prendida pairavam ao seu redor, misturadas com a areia e a lama do fundo,
como resquícios de sonho no mundo desperto. Ele moveu o corpo longo e
sinuoso num nó preguiçoso, esfregando-se em si mesmo para soltar os últimos
restos de pele velha. A lama no chão já estava se assentando, e a serpente olhou
em volta, para as dezenas de outros indivíduos da sua espécie que repousavam
satisfeitas no sedimento confortável e áspero. Maulkin sacudiu a enorme
cabeça, balançando a juba farta, e alongou o corpo largo e musculoso.
— Chegou — anunciou, com sua voz grave e gutural. — Chegou a hora.
Do fundo do mar, as demais serpentes o encararam sem sequer piscar
os grandes olhos, alguns verdes, alguns dourados e alguns cor de cobre.
Foi Shreever quem se pronunciou em nome de todas, perguntando:
— Por quê? A água daqui é quente, a comida é farta. Há cem anos não
sofremos com o inverno. Por que é hora de partir?
Maulkin retorceu o corpo outra vez, preguiçosamente. As escamas recém-
-expostas pela troca de pele reluziam com um brilho intenso à luz azulada
do sol filtrado pela água. Tirar a camada de pele morta, mais cedo, havia
lustrado os desenhos de olhos falsos que cobriam seu corpo, imagens que o
declaravam como um dos possuidores de visão ancestral. Maulkin conseguia
se lembrar de coisas, tinha memórias de um tempo anterior a tudo o que
estavam vivendo. Sua percepção não era nítida, muito menos consistente.
Como muitos dos que viviam entre as eras, sendo um dos portadores da vida
passada e da vida presente de seu povo, era comum a grande serpente soar
8 Robin Hobb
desconcentrada e incoerente. Maulkin sacudiu a juba até seu veneno parali-
sante formar uma nuvem pálida em torno da face. Engoliu a própria toxina
e a expirou pelas guelras, numa demonstração de seu juramento da verdade.
— Porque a hora é agora! — exclamou, com urgência.
De repente, Maulkin disparou para longe, em direção à superfície,
subindo a toda, mais rápido do que as bolhas de ar. Rompeu o teto da
Abundância marítima, bem acima, e saltou, adentrando brevemente a
grande Carência antes de mergulhar de volta. Nadou ao redor das demais
serpentes numa ansiedade muda e frenética.
— Outras maranhas já partiram — comentou Shreever, pensativa.
— Não todas, nem mesmo a maioria. Mas o suficiente para, sempre que
saímos para cantar na Carência, notarmos que não estão aqui. Talvez seja
mesmo a hora.
Sessurea aninhou-se ainda mais na lama e retrucou, com preguiça:
— Ou talvez não seja. Acho que o melhor é esperar até a maranha de
Aubren partir. Aubren é... mais estável que Maulkin.
A seu lado, Shreever ergueu-se da lama num ímpeto. O brilho escarlate
da nova pele era espantoso. Lascas de sua pele castanha ainda pendiam do
corpo. Ela arrancou um pedaço grande com a boca e o engoliu antes de falar.
— Talvez devesse se juntar à maranha de Aubren, já que não confia
nas palavras de Maulkin. Já eu seguirei nosso líder para o norte. Antes
cedo do que tarde. Melhor partir logo do que ir junto com dezenas de
outras maranhas e ter de disputar alimento. — Shreever moveu-se com
destreza, desfazendo um nó que dera com o próprio corpo, arrancando
os últimos fragmentos de pele velha. Sacudiu a juba e jogou a cabeça para
trás. Soltou um guincho agudo que agitou a água. — Eu vou, Maulkin!
Eu o sigo! — E subiu para se juntar à dança sinuosa do líder, que ainda
nadava em círculos acima de todos.
As outras grandes serpentes ergueram os longos corpos, uma de cada
vez, e começaram a se retorcer para soltar a lama pegajosa e a pele velha.
Todas, inclusive Sessurea, subiram das profundezas e nadaram em círcu-
los logo abaixo do teto da Abundância, juntando-se à dança da maranha.
Iriam para o norte, de volta às águas de sua origem, uma origem perdida
num tempo tão longínquo que pouquíssimos se lembravam.
PLENO VERÃO
1
DE SACERDOTES E PIRATAS
Kennit caminhava ao longo da costa sem dar muita atenção às ondas
salgadas que molhavam suas botas e apagavam o rastro de suas pegadas
na praia. Ele mantinha o olhar na faixa de algas marinhas, conchas e
pedaços de madeira espalhados no ponto onde as ondas chegavam mais
longe na areia. A maré estava começando a virar, e as ondas quebravam
com cada vez mais antecedência, fazendo carícias sôfregas na terra. Logo
a água salgada recuaria o suficiente pela areia negra para deixar à mostra
os grandes blocos de pedra que lembravam dentes desgastados e os ema-
ranhados de algas depositados no fundo da maré.
Marietta, seu navio de dois mastros, estava ancorado na Angra do
Engodo, do outro lado da Ilha dos Outros. Kennit conduzira o navio até lá
depois que os ventos matutinos dispersaram o que restou da tempestade
e limparam o céu. A maré ainda estava subindo quando ele chegou, e as
rochas pontiagudas daquele lugar lendário tinham sido cobertas — mui-
to a contragosto — pela espuma esverdeada. O escaler, pequeno barco a
remo que servia de comunicação com a terra firme, tinha passado raspando
por entre as rochas cobertas de cracas, deixando Kennit e Gankis numa
minúscula praia de areia negra. E mesmo aquela estreita faixa de terra tinha
desaparecido quando os ventos da tempestade empurraram ainda mais as
ondas, fazendo-as cobrir uma área maior do que a típica maré cheia do local.
Desfiladeiros de ardósia assomavam acima da praia, ostentando pinheiros
quase negros de tão escuros, todos inclinados precariamente em desafio
aos ventos constantes. Mesmo para os nervos de aço de Kennit, a sensação
de estar ali era como adentrar a boca entreaberta de uma criatura gigante.
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