Table Of ContentAdvogados
em guerra
com agências
funerárias e
imobiliárias
Acusam vários setores
de atos processuais
sem estarem habilitados
Relação
condena
amante de
Rosa Grilo
a 25 anos
de cadeia
Absolvido em primeira instância,
António Joaquim foi agora
considerado culpado pelos
crimes de homicídio de Luís Grilo
e profanação de cadáver P. 16
Covid-19 Segunda vaga
impede realização
de 214 mil cirurgias P. 8
Contabilistas, autarquias
e seguradoras também
são visados Página 15
Sporting Rúben Amorim custará 15 milhões P. 42
EnsinoAlunos dos cursos
profissionais têm acesso
mais fácil ao emprego P. 9
Novo Banco Relatório
censurado deteta falhas na
concessão de créditos P. 12
Presidenciais
Ana Gomes,
a voz inquieta
que vem dividir
os socialistas
P. 10 e 11
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jn.pt
Quarta-feira�9 de setembro de 2020
Diário. Ano 133. N.º 100. Preço:�1,20€
Diretor�Domingos de Andrade / Diretores-adjuntos Inês Cardoso, Manuel Molinos e Pedro Ivo Carvalho / Diretor de Arte Pedro Pimentel
Valor corresponde ao montante
base dos três primeiros escalões P. 6
Apoios sociais
Abono de
família extra
vai dos 28
aos 37,4 euros
Acu
de at
sem e
Absolvid
António
consider
CR 101
Capitão das quinas bisa em Solna
e faz história na vitória da seleção
na Liga das Nações P. 4 e 5
SUÉCIA 0-2 PORTUGAL
Va
ba
Quaresma
quer acabar
carreira em
Guimarães
P. 45
MARIO CRUZ/EPA
Jornal de Notícias
2
9 de setembro de 2020
PÁGINA 2
Vacina russa em duas doses
A vacina russa
“Sputnik-V” produziu
resposta de anticorpos
nos 76 participantes em
dois ensaios clínicos de
fase 1 e 2. Iniciou-se
agora um ensaio de fase
3 em 40 000 sujeitos
FONTE: GRAPHIC NEWS
Vetor: Vírus inócuo, a que falta o gene
responsável pela replicação na célula
hospedeira. A vacina usa dois vetores
de adenovírus — AD26 e AD5 — para
levar o gene do coronavírus
a despertar resposta imunitária
Ensaios de fase 1 e 2: Entre 18 junho e 3 agosto, dois grupos de 38 voluntários
saudáveis foram injetados com o vetor 1, seguido pelo vetor 2 passadas
três semanas
Coronavírus
SARS-CoV-2
Adenovírus
AD26
Genoma
AD5
Glicoproteína de pico:
Vírus usa a proteína para
entrar na célula humana
para se replicar
Anticorpos
Gene da proteína pico: Cortada
do genoma do SARS-CoV-2
e inserida em cada vetor
Vetor
1
Vetor
2
Célula
humana
A ABRIR
Não esquecer
os esquecidos
POR�Pedro Ivo Carvalho
Diretor-adjunto
De pouco nos vale o contentamento de
termos salvo o Serviço Nacional de Saú-
de (SNS) de si próprio, a expensas de
uma pandemia que tirou o chão a todas
as convenções e protocolos, se não ti-
vermos aprendido uma lição funda-
mental: o país não pode esquecer-se no-
vamente dos doentes que ficaram es-
quecidos. Dos largos milhares de portu-
gueses não atingidos pela covid mas
privados de consultas, tratamentos, ci-
rurgias, internamentos, carentes de um
simples aconselhamento médico, em
demasiados casos órfãos de uma mísera
prova de vida do outro lado do telefone.
É natural e desejável que a máquina da
saúde se acautele para o inverno que
pode fazer despontar uma tempestade
perfeita, quanto mais não seja porque
continuamos a caminhar sobre o arame
escorregadio das projeções. O regresso
às aulas, ao trabalho, aos transportes
públicos lotados e o impacto de uma
sempre imprevisível gripe sazonal são
desafios que se tornaram ainda mais
exigentes num contexto de tão elevada
transmissibilidade do vírus em que des-
graçadamente nos encontramos.
Mas uma coisa é adaptarmos o sistema
à experiência adquirida e ao pior cená-
rio, outra é fazê-lo de uma forma tão
obstinada que acabará por resultar
numa disformidade ainda maior. Nun-
ca como agora foi tão clara a relevância
de uma saúde pública acessível a todos.
Mas os mais recentes números sobre os
que ficaram para trás são alarmantes:
menos 986 035 consultas nos cuidados
primários, menos 16,8 milhões de atos
médicos, menos 998 mil consultas ex-
ternas hospitalares, menos 99 mil ci-
rurgias. Se a atividade programada vol-
tar a ser suspensa, será o caos. Por isso, a
mensagem de que o Estado está prepa-
rado para responder a uma segunda
vaga não pode sobrepor-se à ideia de
que o SNS se esgota nessa resposta. As
portas têm de continuar abertas para
todos os outros. Salvar o sistema é sal-
var os doentes. Todos os doentes.
da derrota deste, mas expressan-
do, dessa forma, o seu mal-estar
com o atual presidente, aprovei-
tando para lhe dar uma “lição”,
quiçá na esperança de lhe reduzi-
rem o “score”.
No outro lado do espetro, os co-
munistas terão, como sempre ti-
veram, o seu nome oficioso, para
fazerem as contas às suas fidelida-
des. Como não haverá segunda
volta, terão um dilema a menos.
O Bloco de Esquerda vai a jogo,
como expectável, com Marisa
Matias, a qual, há cinco anos, foi
uma interessante surpresa, que,
desta vez, não parece ter condi-
ções de se repetir. É que, com Ana
Gomes no terreno, o eleitorado
do “pintasilguismo” de nova ge-
ração, que já esteve com Manuel
Alegre, que sempre oscila entre o
Bloco e a esquerda do PS, passa a
ter uma opção alternativa. Foi cla-
ro o afã de Marisa Matias em sur-
gir a terreiro, como o foi a deter-
minação de Ana Gomes em tam-
bém marcar, desde cedo, o seu es-
paço. São, de facto, áreas políticas
que, de certo modo, se sobre-
Por algumas razões, achei que não
devia escrever sobre as eleições
presidenciais. Por outras, que so-
brelevam as primeiras, entendi
dever fazê-lo.
Não há, por ora, verdadeiras sur-
presas no horizonte eleitoral que
se aproxima.
A candidatura quase clandesti-
na, sem a menor força nem pres-
tígio, que entretanto surgiu no
espaço da direita radical, entre
André Ventura e Marcelo Rebelo
de Sousa, acaba por servir muito
bem a este último. Como pratica-
mente ninguém irá por aí, aos
eleitores de direita que vivem de-
sencantados com o atual presi-
dente restam duas opções: passa-
rem um domingo em casa ou op-
tarem pelo candidato do Chega,
apostando na antecipada certeza
põem. Haverá, entre as duas, um
“womenagreement” de não-
-agressão, atentas eventuais cum-
plicidades criadas no Parlamento
Europeu? Logo veremos.
Não parece fácil a posição de
António Costa, em todo este ce-
nário. Desde o episódio da Au-
toeuropa que ficou claro que,
para ele, uma reeleição, quase
oficiosa, de Marcelo Rebelo de
Sousa, seria o mundo ideal. Mas,
para tal, terá de ultrapassar al-
guns meses em que sabe que a
uma parte, não desprezível e não
desprezável, do PS não agrada a
ideia de ser dada uma bênção au-
tomática a um recandidato ao
qual parte importante da direita
acabará por se ligar.
O eleitorado do PS é mais rebel-
de do que foi o do PSD, em 1991,
que não tugiu nem mugiu quan-
do Cavaco optou por apoiar Soa-
res. Ana Gomes sabe que a sua
candidatura representa o descon-
forto de muitos socialistas, peran-
te a perspetiva de terem de votar
em Marcelo. Pelos vistos, até de
setores da direita do PS!
Presidenciais
UMA SEGUNDA
OPINIÃO
Ana Gomes sabe que a sua candidatura
representa o desconforto de muitos
socialistas, perante a perspetiva de terem
de votar em Marcelo
POR��
Francisco Seixas
da Costa
Embaixador
INFOGRAFIA
Jornal de Notícias
9 de setembro de 2020
3
MOBILIDADE NUM MUNDO
EM MUDANÇA
3ª EDIÇÃO DO MAIOR EVENTO
DE MOBILIDADE URBANA DE PORTUGAL
ORGANIZAÇÃO
APOIOS
Inscreva-se
já em
portugalms.com
EVENTO QUE GARANTE AS NORMAS DE SEGURANÇA, HIGIENE E DISTANCIAMENTO SOCIAL.
8 E 9 DE OUTUBRO
CENTRO DE CONGRESSOS DO ESTORIL | ORADORES
10 E 11 DE OUTUBRO
PASSEIO MARÍTIMO DE CARCAVELOS | EXPERIÊNCIAS INTERATIVAS (DAS 11H ÀS 19H)
Alberto Souto Miranda
Secretário de Estado Adjunto
e das Comunicações
Alexandre Fonseca
CEO, Altice
André de Aragão Azevedo
Secretário de Estado para a
Transição Digital
Bernardo Correia
Country Manager,
Google Portugal
Gustavo Monteiro
Administrador Executivo,
EDP Comercial
John Siraut
Director of Economics,
Jacobs
Jorge Delgado
Secretário de Estado
das Infraestruturas
Marco Steinberg
Founder and CEO,
Snowcone & Haystack
Marion Lagadic
Project Manager, 6t
Research
Miguel Anxo Lores
Alcaide de Pontevedra,
Galiza
Neil Sipe
Honorary Professor of Planning,
Queensland University and
independent consultant/researcher
Nidhi Gulati
Senior Director of Programs
& Projects, ONG PPS - Project
for Public Spaces
Paula Panarra
Diretora-geral,
Microsoft Portugal
Silke Bagschik
Head of Sales and Marketing,
Product Line e-Mobility,
Volkswagen Group
Steve Oldham
CEO, Carbon Engineering Ltd
Vera Pinto Pereira
CEO, EDP Comercial
DESCARREGUE
A APP WHOVA
E ACOMPANHE
O PMS2020
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Jornal de Notícias
4
PRIMEIRO PLANO
9 de setembro de 2020
PRIMEIRO PLANO
Seleção de luta
tem a magia
do melhor do Mundo
“Bis” de CR7
selou triunfo
(2-0) perante
a Suécia
Cristiano Ronaldo remata para carimbar o segundo golo no jogo e selar o triunfo da seleção portuguesa sobre a Suécia
JONATHAN NACKSTRAND / AFP
LIGA DAS NAÇÕES Dois mo-
mentos mágicos de Cristiano
Ronaldo selaram, ontem, a ba-
talha de Solna e concederam a
Portugal um triunfo justo (2-
-0) sobre Suécia e a liderança
repartida do Grupo 3 da Liga
das Nações. Depois de falhar o
embate com a Croácia, devido
a lesão, Ronaldo voltou a assu-
mir o estatuto de rei e a solu-
cionar a equação com golos
monumentais, num palco
onde selou a qualificação para
o Mundial 2014 com o grande
hat-trick.
A exibição da equipa das qui-
nas não terá sido tão atrativa
no plano coletivo como a an-
terior, mas a seleção foi com-
petente na luta a meio-campo
e depois deixou a magia do
suspeito do costume fluir. A
magia de Cristiano Ronaldo,
um dos melhores jogadores do
Mundo.
Portugal surgiu algo adorme-
cido e sentiu dificuldades na
cobertura do corredor esquer-
do, explorado por Krafth. Por
isso, permitiu a primeira opor-
tunidade, num lançamento de
linha lateral, mas depois cres-
ceu progressivamente e dese-
nhou lances de envolvimento
ofensivo. No entanto, o verda-
deiro perigo surgiu na sequên-
cia de bolas paradas. Danilo e
Pepe não acreditaram no cru-
zamento de Bernardo Silva e
Ronaldo fez Olsen brilhar,
após um canto com pedido es-
pecial. “Bruno olha para mim”
disse o atacante, antes de se
encontrar com o sueco. O
guarda-redes venceu o duelo
e repetiu o feito na jogada se-
guinte, ao parar novo remate,
após assistência de Cancelo.
A batalha não demoraria, no
entanto, muito tempo a mu-
dar de rumo. A inversão suce-
deu num livre mágico que per-
mitiu a CR7 chegar à marca
dos 100 golos (ver texto ao
lado). O lance, precedido da
expulsão de Svensson, in-
fluenciou a discussão decisiva-
mente.
Portugal controlou total-
memnte o duelo na etapa
complementar perante um
onze escandinavo na expecta-
tiva de aproveitar uma bola pa-
rada para chegar ao empate.
Bruno Fernandes voltou a
ameaçar Olsen e Ronaldo tor-
nou a apresentar uma tese ao
nível de quem continua no
topo do mundo futebolístico:
“chapéu” perfeito com re-
quintes de malvadez num apa-
0-2
SUÉCIA - PORTUGAL
À margem de Ronaldo,
Danilo revelou intensi-
dade no meio-campo.
Bruno Fernandes e João
Félix mereciam o golo.
A lesão de Bernardo Sil-
va com apenas 20 minu-
tos de jogo. Svensson, ao
ser expulso, traiu a sele-
ção sueca.
Implacável com a falta
de prudência de Svens-
son que mereceu a ex-
pulsão. Competente a
ajuizar os duelos físicos
a meio-campo.
rente castigo do atrevimento
inicial dos suecos. Com o due-
lo sentenciado, a ameaça da go-
leada ainda pairou, mas houve
muito desperdício. �
SUÉCIA Olsen; Krafth, Helander, Jansson e
Augustinsson; Kulusevski (Ekdal, 90),
Olsson, Svensson e Forsberg (Svanberg,
79); Isak (Quaison, 71) e Berg.
Treinador Jan Andersson
PORTUGAL Anthony Lopes; Cancelo,
Rúben Dias, Pepe e Raphael Guerreiro;
Danilo, Moutinho (Rúben Neves, 73) e
Bruno Fernandes; Bernardo Silva (Gonçalo
Guedes, 22) João Félix e Ronaldo (Diogo
Jota, 81)
Treinador Fernando Santos
LOCAL Friends Arena, em Estocolmo
TEMPO Noite fria RELVADO Bom estado
ESPECTADORES À porta fechada
(covid-19)
ÁRBITRO Danny Makkelie (Holanda)
ASSISTENTES Mario Diks e
Hessel Steegstra
AO INTERVALO 0-1 GOLOS Ronaldo
(44 e 72),
AMARELOS Svensson (14 e 44), Raphael
Guerreiro (56) e Félix (86)
VERMELHOS Svensson (44)
Luís Antunes