Table Of ContentVandi Dogado
Colaboração Sandra Cristina Melchior
Inteligência e Aprendizagem
Desafios mentais
2ª Edição
São Paulo
2013
Para Sandra Cristina Melchior,
amada esposa e colaboradora desta obra.
Agradecimentos
Gostaria de agradecer, imensamente, à psicopedagoga Sandra Cristina
Melchior, que ofereceu subsídios teóricos para a constituição do capítulo sobre a
aquisição da escrita e da leitura. Acrescentei este capítulo por julgar importante
para a reflexão de alfabetizadores sobre as causas das dificuldades de algumas
crianças durante os procedimentos didáticos de alfabetização. Para isso, foram
descritos estudos da argentina Emília Ferrero, aluna de Piaget no doutorado, que
contribuiu efetivamente para o esclarecimento de mecanismos nos processos de
ensino-aprendizagem da escrita e da leitura. Houve confronto das diferenças no
processo de ensino-aprendizagem da escrita e da leitura entre as teorias
cognitivistas e as do condicionamento. Todos os créditos desse capítulo são de
Sandra que, além da enorme contribuição, é minha amada esposa, companheira
de todos os dias.
Não poderia deixar de mencionar as contribuições do amigo Hindemburg
Melão, fundador da sociedade Sigma Society, instituição social para pessoas
com elevados QIs. O capítulo sobre Testes de QI: uma visão psicométrica tem
como base os seus artigos sobre o tema publicados no site Sigma Society,
portanto, não poderia deixar de oferecer-lhe todos os créditos desse capítulo.
Melão destacou-se por possuir uma inteligência lógica elevada e por ter batido o
recorde de xadrez às cegas, que foi registrado no Guiness Book. É exímio
conhecedor de psicometria, inclusive já elaborou diversos testes psicológicos
para várias instituições. Alguns de seus testes são de grande profundidade e
distinguem-se dos tradicionais testes de QI, principalmente por não considerar o
tempo.
Agradeço ainda a todos que, em algum momento de minha vida, ajudaram a
construir o hábito da leitura e da escrita. Sou grato àqueles que despertaram o
gosto pela pesquisa científica e filosófica.
Sumário
Sumário
Prefácio ..........................................................................09
Introdução .....................................................................18
PARTE I
Capítulo I - Inteligência e Filosofia ...........................26
Capítulo II - Testes de QI ..........................................36
Capítulo III - Inteligência ou Inteligências?..............46
Capítulo IV - O Cérebro Humano.............................52
Capítulo V - Teoria Interacionista de Jean Piaget
.........................................................................................60
Capítulo VI - Teoria Interacionista de Vygotsky
.........................................................................................70
Capítulo VII - Diferenças entre as Teorias de Piaget e de Vygotsky
...............................................................77
Capítulo VIII - Inteligência, Escrita e
Leitura......................................................................................84
PARTE II
Capítulo IX - Inteligência, senso comum e
banalização.................................................................................100
Capítulo X - Genialidade, internet e êxito..............116
Capítulo XI - Inteligência e as novas tecnologias da comunicação e
informação .......................................132
Capítulo XII - Considerações Finais........................149
Capítulo XIII - Desafios Mentais ............................175
Sobre o autor...............................................................200
Referências Bibliográficas..........................................203
Prefácio
Inteligência é um dos temas mais intrigantes da ciência e, no fundo, todos
querem ser inteligentes. É comum ver pessoas chamarem os colegas de “burro”
(termo politicamente incorreto). Basta o indivíduo fazer uma pergunta ingênua
ou mostrar que não tem conhecimento sobre determinado assunto, lá vem o
famigerado “burro”. Nem se sabe ao certo a origem dessa metáfora. Talvez seja
porque o burro (animal) quando submetido a uma tapa só enxergue a sua frente.
No sentido próprio, seria a pessoa de pouca visão ou visão unilateral. Há quem
diga que essa linguagem figurada nasceu porque o burro é um animal
trabalhador e, no senso comum, quem trabalha muito não é lá muito
“inteligente”. Claro que isso não passa de uma grande besteira.
As pessoas gostam de ser consideradas inteligentes e, ao mesmo tempo,
muitas ofendem as outras com objetivos de autoafirmação. André Chénier disse
certa vez que “com um pouco de inteligência e muita soberba, queremos passar
por alguém neste mundo. Que triste herança!” Chénier estava absolutamente
correto. Que triste herança! Se tivermos algumas habilidades intelectuais
avançadas, devemos utilizá-las para ajudar outras pessoas. Não podemos nos
valer de facilidades para humilhar ou prejudicar alguém.
René Descartes afirmou que “não há nada tão equitativamente distribuído no
mundo como a inteligência: todos estão convencidos de que têm o suficiente”.
Este fato é plenamente constatável no nosso cotidiano. Os indivíduos
consideram-se inteligentes e incomodam-se veemente se alguém mencionar o
contrário. É obvio que Descartes foi irônico quanto ao “equitativamente
distribuído”. Ao proferir tal frase, pretendia mesmo atacar a arrogância das
pessoas que possuem vaidades intelectuais. Em contrapartida, as pessoas
idolatram sujeitos com habilidades excepcionais. Por exemplo, John Nash,
ganhador do Nobel de Economia (embora este prêmio seja considerado um
Nobel, não foi deixado por Alfred Nobel), quando veio a São Paulo causou furor
em sua palestra. Todos queriam chegar perto do gênio da Teoria dos Jogos.
Ainda mais porque, além de gênio matemático, Nash era esquizofrênico e teve
sua conturbada vida contada, de forma romântica, no filme “Uma Mente
Brilhante”.
Outros sujeitos se sentem menos inteligentes porque possuem autoestima
baixa, muitas vezes originada na própria escola, devido a métodos inadequados e
atitudes antiéticas de certos professores. Nas práticas docentes, deve-se evitar
que crianças sofram bullying de colegas ou de professores. Ser chamado de
“burro” pelo “educador” pode deixar sequelas emocionais por toda a vida.
Muito do que é dito no dia a dia não corresponde nem de longe a inteligência.
Justamente por haver grande confusão do que seja inteligência, decidi escrever
esta obra para esclarecer, de forma sintética, um pouco do que a ciência
descobriu sobre a mais intrigante das características humanas. Ainda que
fascinante, alerto de que a inteligência não deve ser considerada mais importante
do que o bom caráter.
Pretendo indicar a relação da inteligência ou das inteligências com o processo
de ensino-aprendizagem, assim, esse livro poderá ser um formidável recurso
didático para professores, alunos de licenciatura e prestadores de concursos
públicos, não deixando de ser interessante para leigos no assunto, porquanto
pode subtrair alguns equívocos do senso comum.
No último capítulo, há uma ampla gama de desafios mentais para melhorar
algumas habilidades intelectuais de qualquer leitor. Esta obra, com exceção dos
desafios mentais, não oferece nada de novo no campo da pesquisa sobre
cognição, na realidade, é uma síntese de diversas teorias científicas e reflexões
filosóficas. Mesmo que, em algum momento, tenha emitido minha opinião sobre
o tema, as ideias concentram-se nas teorias piagetianas e vygotskyanas.
Não foi possível explanar detalhadamente cada conjuntura teórica abordada,
nem mencionar todas as teorias sobre a inteligência existentes, por isso, é de
suma importância, para quem quiser aprofundar no contexto cognitivo, ler cada
obra citada na bibliografia.
Tentei, na medida do possível, tornar os conceitos claros e utilizar uma
linguagem bem simples. Não sei se alcancei êxito, mas anseio que o leitor possa
extrair proveito do corpo teórico exposto no livro. Então, boa leitura!
Na sequência, um breve resumo de cada capítulo:
Na Introdução, expus determinados conceitos e teci uma série de
questionamentos sobre a inteligência e sua relação com o estudo continuado, o
sucesso profissional e as novas tecnologias da informação e comunicação,
retomando-os em capítulos posteriores. É uma prévia do que virá nos próximos
capítulos, mas de antemão, incita certas reflexões sobre possibilidades no uso da
inteligência e seus benefícios nas práticas escolares.
No Capítulo I, busquei, inicialmente, mostrar o embate ideológico entre o
inatismo e o empirismo na Filosofia que, posteriormente, serviram de base para a
sustentação de conceitos cognitivos na Psicologia e na Pedagogia. A questão
sobre se nascemos inteligentes ou nos tornamos inteligentes, durante nossas
vidas, continua provocando discordâncias e acirrados debates. Uma geração de
cientistas mais moderada, atualmente, não nega as influências da natureza e do
ambiente na formação da inteligência.
No Capítulo II, delineei a história e o uso dos testes psicométricos e a tentativa
de medir a inteligência humana. Antes, porém, ressalto de que os testes de
inteligência mensuram apenas algumas habilidades intelectuais lógicas; no
entanto, na ausência de outros recursos, é um importante instrumento clínico
para diagnosticar dificuldades intelectuais. Embora a utilização dos testes de QI
divirja de meu ponto de vista, é um dever democrático expor suas acepções, já
que no âmbito de pesquisas sobre a inteligência encontrei um campo aberto e,
ainda, há muitas divergências e respostas a serem buscadas. Não posso descartar
anos de pesquisas seguindo esta tendência científica, contudo afirmo que os
testes de QI não trazem nenhum benefício para as práticas educativas em sala de
aula.
No Capítulo III, questionei se possuímos uma única inteligência ou diversas
inteligências. Apoiei-me na Teoria das Inteligências Múltiplas de Howard
Gardner, muito debatida em diversos lugares do mundo no campo educacional.
Sou adepto dessa teoria, pois, minha experiência e observações em sala de aula
me possibilitaram verificar que alguns alunos têm facilidade com determinados
processos mentais e dificuldades com outros. Além do mais, Gardner sustentou
muito bem sua teoria com as novas descobertas da neurociência.
No Capítulo IV, destaquei algumas descobertas recentes sobre o cérebro e,
consequentemente, a esperança de cura para certas doenças degenerativas do
sistema nervoso central como o Mal de Parkinson e o Mal de Alzheimer e, ainda,
a possibilidade de aprimorar a inteligência humana. A maior descoberta, nos
últimos anos, foi a capacidade plástica que o cérebro possui de se transformar e
de gerar novas células, um fenômeno que os neurocientistas designaram de
neurogênese.
No Capítulo V, descrevi um pouco sobre a vida de Jean Piaget, os principais
conceitos de sua teoria e a implicação nas práticas pedagógicas. Trouxe algumas
experiências do autor, sua tese de que as crianças passam por distintas fases de
desenvolvimento da inteligência e pela construção do conhecimento por meio da
interação entre o sujeito e o mundo que o cerca. Piaget é considerado o maior
pesquisador sobre a inteligência, cometeu alguns equívocos, mas elucidou
muitos mecanismos de como aprendemos, processamos informações e
solucionamos problemas.
No Capítulo VI, teci um rápido relato sobre a vida de Vygotsky, discuti os
principais conceitos de sua teoria e sua implicação nas práticas pedagógicas.
Vygotsky morreu cedo e não chegou a constituir uma completa teoria, mas suas
ideias são discutidas até hoje. Seu conceito de Zona de Desenvolvimento
Proximal (ZDP) é um dos subsídios mais importantes que legou à educação. Foi
o primeiro pesquisador a mencionar as interações do sujeito com os
conhecimentos socioculturais. Também, foi destaque em sua teoria do
desenvolvimento da inteligência a importância da linguagem simbólica.
No Capítulo VII, ofereci as principais divergências entre as teorias de
Vygotsky e de Piaget: pensamento-linguagem e desenvolvimento-aprendizagem.
Em contrapartida, mesmo tendo diferenças, destaquei que as duas teorias no
âmbito educacional não são excludentes, mas complementares, por isso reforço
que os professores podem se beneficiar das duas teorias para construir seus
próprios métodos de ensino.
No Capítulo VIII, a psicopedagoga Sandra Cristina Melchior, propõe um
debate sobre a aquisição da escrita pelas crianças e, consequentemente, a
elaboração de hipóteses para construir as noções de significado dos signos
linguísticos e da unidade textual. Nesse capítulo, foram oferecidas as
características de professores, de alunos e de escolas, conforme as Teorias de
Aprendizagem. Depois, retomei a relevância da escrita e da leitura no capítulo
sobre as novas tecnologias da informação e da comunicação.
No Capítulo IX, não trouxe uma pesquisa científica, mas relatos factuais do
cotidiano e da internet, visões populares e pseudocientíficas sobre a inteligência.
São observações que podem indicar que, independente do conceito de
inteligência, há comportamentos considerados culturalmente inteligentes.
Algumas observações deste capítulo são estranhas, curiosas e, às vezes, até
pitorescas. Ofertei, ainda, uma série de estudos científicos de caráter duvidoso.
Description:O que é inteligência? Podemos aumentá-la? Pessoas com alto QI são mais bem sucedidas? Ômega 3 faz bem para o cérebro? Temos uma ou mais inteligências? Einstein foi mal aluno? O que é neurogênese? Tamanho do cérebro determina a inteligência? Os testes de QI conseguem medir a inteligência