Table Of ContentFocus Escola de Fotografia
Monografia: Fotografia de Natureza
Professor: Paulo Gomes e Luiz Leite
Aluna: Maria A C Maia
São Paulo, Julho/2017
1
Índice
1. Introdução
1.1. Não é só o equipamento
1.2. Saia mais em campo
1.3. Seja sério
1.4. Faça sua pesquisa
1.5. Não force a barra
1.6. Não acaba com o clique
2. Fundamentos da fotografia de paisagem
2.1. Idéia clara do que fotografar
2.2. Uso apurado da técnica
2.3. Qualidade da Luz
2.4. Lentes
2.5. Processamento
3. Fotografia de Natureza
3.1. Fotografia de Paisagem
3.2. Fotografia do Mundo Animal
3.3. Fotografia Macro
3.4. A fotografia de Natureza como arma na defesa
ambiental
3.5. Fotografia científica ambiental
4. Técnicas e acessórios
5. Dicas para Fotografia de Natureza
5.1. Selecionando a objetiva
5.2. Paisagens
5.3. Quando tremer
5.4. Longa exposição
5.5. Contraluz definindo contornos
6. Fotografia noturna de paisagem
6.1. Modo manual sempre
6.2. Atenção à velocidade do obturador
6.3. Abertura de diafragma e ISO
6.4. Balanço de branco
6.5. Tripé é fundamental
6.6. Privilegie lentes angulares
6.7. Usar o foco manual
6.8. Tenha uma ideia da foto na sua cabeça
6.9. Evite posicionar a linha do horizonte no meio da foto
2
6.10. Valorize objetos no primeiro plano
6.11. Adicione elementos humanos na fotografia
6.12. Experimente usar luzes artificiais para iluminar a cena
6.13. Criando efeitos
6.14. Explore diferentes tipos de enquadramento
6.15. Fique em segurança
6.16. Chegue ao local da foto antes do anoitecer
7. Tendências na Fotografia de Natureza
7.1. Astrofotografia
7.2. A viagem com um contexto ‘espiritual’
7.3. Paisagens minimalistas
7.4. Fotografia dos Drones
7.5. Ascensão de padrões e texturas
8. Mercado
8.1. Custos Fixos
8.2. Custos Variáveis
8.3. Como ganhar dinheiro com fotografia de natureza
9. Dezesseis Maiores Fotógrafos Internacionais
10. Dez Maiores Fotógrafos Brasileiros
11. Bibliografia
3
Fotografia de Natureza
“Landscape photography is the supreme test of the
photographer – and often the supreme disappointment.” – Ansel
Adams
Yosemite Special Edition Photographs - Ansel Adams, 1958
1. Introdução
A fotografia nos ensina um novo código visual, estabelece
comunicação imediata, é uma linguagem universal que atrai a
atenção das pessoas, e que pode gerar um movimento em
direção a mudanças, chamando a atenção seja para uma
paisagem deslumbrante, uma cena impressionante, uma flor ou
um fato político, uma causa social e questões ambientais. As
imagens informam, representam, surpreendem e transmitem
um significado. As fotografias fascinam e convidam o
espectador a senti-las, percebê-las, julgá-las e interpretá-las.
No contato com a fotografia, o sujeito é conduzido a novas
linguagens, inclusive à dimensão política dos fenômenos
representados. As imagens de paisagem são democráticas e
podem levar as pessoas a pensar as relações entre o homem e
os fenômenos naturais. Ela é uma ferramenta na educação
ambiental. Dá-nos um senso de que podemos segurar o mundo
em nossas mãos incutindo em nós uma sensação de poder,
4
proporcionando-nos um olhar sobre o passado e com o
presente ao nosso alcance.
A paisagem continua sendo um dos gêneros mais populares da
fotografia. A primeira fotografia foi de uma paisagem, quando
Joseph Nicephore Niépce, após anos de busca na tentativa de
criar imagens permanentes com a luz, fotografou, em 1827,
uma vista da janela de seu estúdio, no segundo andar de sua
propriedade rural na França.
Vista da Janela de Le Gras, Niépce, 1826 ou 1827
Após a invenção da fotografia, gerações e mais gerações de
fotógrafos se aventuraram pelo mundo, por seus cantos mais
longínquos e remotos, escalando montanhas, atravessando
oceanos, vencendo geleiras, cruzando os continentes a fim de
registrar a paisagem, natural e selvagem, num resgate visual de
onde viemos; ou artificial e urbana, resultado da transformação
da natureza conduzida pela mão do homem. O espírito de
exploração move o fotógrafo de paisagem, que está sempre em
busca de novos horizontes, novas vistas, novas interpretações
de um mundo em constante mudança.
Para Gustavo Pedro de Paula, ex-presidente da Associação de
Fotógrafos da Natureza (Afnatura), "fotografar a natureza pode
servir como uma ferramenta essencial para a educação
ambiental, mas também uma arma para denúncias, trazendo à
5
luz a necessidade de preservação de áreas em risco de
degradação”.
De todas as vertentes de especialização da fotografia, a foto de
natureza talvez seja a de maior apelo popular, fascinando não
apenas os iniciados na arte, mas a todos os olhares abertos
para a contemplação do mundo natural. A fotografia de
natureza é um gênero dentro do fotojornalismo que visa retratar
aspectos naturais, paisagens, animais, plantas, fenômenos
metereológicos, estrelas, devastação ambiental, etc e é tão
vasta que pode abranger desde a beleza das paisagens até o
horror dos desastres ecológicos que destroem o meio ambiente;
da fauna de aspecto familiar, aos animais mais raros e exóticos;
da delicadeza ao estranhamento da flora apreendida no detalhe
micro que só a objetiva é capaz de captar.
Há um conceito comum e equivocado de que um fotógrafo de
natureza bem sucedido é aquele que viaja muito, vagando por
cenários maravilhosos esperando que algo aconteça para
apontar sua câmera. Mas, na maioria das vezes, uma boa
imagem é fruto da habilidade do fotógrafo em captar a
informação, identificar as condições e arranjos favoráveis,
prevendo o que pode ou não agradar ao observador; saber
reagir rapidamente a mudanças, e descobrir maneiras de
fotografar um sujeito não só único mas que também tenha
apelo visual. É o que se pode chamar de veia criativa.
Este tipo de fotografia está mais centrado na harmonia da
composição do que outros tipos. Para atuar como fotógrafo de
natureza, é necessário não apenas o domínio da arte e das
técnicas de fotografia, como também conhecimentos biológicos
sobre as espécies e os ambientes que se quer retratar, além de
noções de técnicas de campo, segurança e ética em ambientes
naturais.
Alguns cuidados simples, sem custo algum, podem melhorar
muito a qualidade do trabalho do fotógrafo de natureza:
1.1. Não é só o equipamento
Não vamos ser ingênuos, o equipamento tem sim, um
papel importante na qualidade da fotografia, mas até certo
ponto. Uma boa câmera e boa lente irão ajudar a ter uma
fotografia de boa qualidade técnica, mas não vai melhorar
a sua composição, nem fazer a luz melhor, nem tornar o
6
sujeito mais interessante e, consequentemente, não fará
sua imagem mais atrativa. Alguns fotógrafos dirão que o
equipamento não é importante, mas se você olhar em
suas mochilas, certamente encontrará alguns milhares de
reais em “equipamento sem importância”. O melhor
equipamento é aquele com o qual você não tem que se
preocupar e que te permite manter o foco em fazer a
melhor imagem. Portanto tenha um equipamento que te
possibilite capturar detalhes para o tamanho da imagem
que você quer, que te dê boas opções de exposição,
flexibilidade na sua composição, e que seja leve e
confortável para carregar.
1.2. Saia mais em campo
Todos os dias coisas fascinantes acontecem em todo
lugar. Quanto mais tempo você estiver fora de casa, onde
seus objetos favoritos estão, maior a chance de você
estar no lugar e hora certas para aquela fotografia
especial. Fotógrafos de natureza estão à mercê de muitos
fatores aleatórios. Há sempre um elemento de sorte em
se fazer uma grande imagem. Não há uma programação
prévia para o acaso, grandes luzes não aceitam reservas,
céu de cores dramáticas não aparecem a um comando. A
melhor chance de se conseguir uma imagem única é dar
a essa coisa única a chance de ser encontrada.
1.3. Seja sério
Leve seu trabalho a sério, leve sua câmera a sério e,
principalmente, leve-se a sério. Acredite em suas
habilidades e estude seu assunto: o que eu posso fazer
com isso? Esta é a melhor composição? Não importa se
você está no quintal de casa ou se viajou quilômetros
para um lugar especial; se a cena evocar emoção, se a
luz é boa e se você fizer a composição correta, você terá
uma grande imagem. Ponha todo seu esforço na
fotografia e você pode transformar algo corriqueiro em
uma obra prima.
1.4. Faça sua pesquisa
Apesar de termos muitas variáveis que não controlamos,
temos muitas coisas que podemos fazer para aumentar
nossa chance de encontrar aquela cena especial, como
escolher o horário adequado (início da manhã ou final de
tarde é bom tanto para paisagem quanto para encontrar
7
animais e pássaros), a estação certa (estação de
acasalamento, seca, fases da lua, horário do nascer e
pôr-do-sol), ler sobre o lugar/ sujeito que se vai fotografar.
Ter alguma habilidade para estar na natureza: usar
roupas confortáveis, o que fazer, o que procurar, como se
mover, saber se orientar em lugares desconhecidos, onde
achar água, levar comida, etc.
1.5. Não force a barra
Se você esteve num lugar legal e não conseguiu grandes
imagens ainda é melhor que se você nem tivesse ido.
Não se deixe frustrar. Pra começar, se você quiz
fotografar estes lugares/sujeitos é porquê se sentiu
inspirado por sua beleza e grandiosidade. Aproveite a
experiência e deixe-se enlevar pela natureza. Não foi
desta vez, mas outras oportunidades virão.
1.6. Não acaba com o clique
Você gastou uma grana em equipamento, seu tempo
viajando e achando a melhor luz e composição, capturou
um milagre de grande beleza. Acabou? Não, o ponto alto,
o que todo fotógrafo procura, a razão mesma da
fotografia, é poder mostrá-la, seja para amigos, numa
revista de grande circulação, num site de fotografia ou
numa galeria, e observar o impacto causado.
2. Fundamentos da fotografia de paisagem
Fotografia de paisagem é um gênero que é explorado por
quase todos os fotógrafos, pelo menos uma vez na vida. Contar
uma estória através de uma fotografia de paisagem é muito
mais complexo do que se pode imaginar. Humanos
demonstram emoções através de expressões faciais e olhos,
mas para um assunto sem vida própria, como na fotografia de
paisagem, isso não é possível. Transmitir a mensagem através
de diferentes assuntos requer pensar fora da caixa. É a
criatividade do fotógrafo que faz dois retratos de uma mesma
paisagem passarem um humor e uma mensagem
completamente diferentes.
Ansel Adams, um dos maiores mestres da fotografia que já
tivemos, escreveu que “a fotografia de paisagem é o teste
supremo para o fotógrafo e, frequentemente, seu maior
desapontamento”. Para entendermos tal afirmação devemos
lembrar, inicialmente, que quando estamos diante de uma
8
paisagem, vivemos essa experiência em três dimensões, pois
assim enxergamos o mundo, bem como através de outros
sentidos, pois além da visão interagimos através da audição, do
olfato, do tato e, em alguns casos, do paladar. Além disso,
temos a capacidade natural de nos emocionar diante da cena.
Quando decidimos, então, fotografar a paisagem, temos a
tarefa de transpor a imagem tridimensional e tudo o que ela nos
transmite, através de nossos sentidos, para o plano. Como,
então, conseguir expressar adequadamente, em uma fotografia,
a beleza da paisagem e as emoções que sentimos ao
contemplá-la? Esse é, seguramente, o maior desafio da
fotografia de paisagem.
O legado histórico e a tradição que herdamos de mestres como
Edward Weston e Ansel Adams nos ensinam que a fotografia
de paisagem está calcada em quatro fundamentos: uma idéia
clara do que fotografar, o uso apurado da técnica, a escolha da
luz adequada e a organização dos elementos no quadro
fotográfico, isto é, a composição. É a soma desses
fundamentos que permite a obtenção de fotografias de
paisagem com grande impacto visual e emocional.
2.1. Idéia clara do que fotografar
O primeiro passo do planejamento da fotografia de paisagem
consiste no desenvolvimento de uma idéia clara do que se
deseja fotografar. Naturalmente, belas fotografias de paisagem
já foram realizadas sem planejamento específico, sendo
resultado de eventos fortuitos ou inesperados. Entretanto, um
fotógrafo de paisagem comprometido não pode contar sempre
com a sorte para obter belas imagens, mas deve amadurecer a
temática a ser perseguida em sua próxima jornada fotográfica.
Tomemos, como exemplo, Ansel Adams, que durante os anos
em que se manteve um ativo e determinado fotógrafo de
paisagem, visitou, anualmente, o Parque Nacional Yosemite,
nos Estados Unidos. Adams tinha uma visão clara do seu
objetivo fotográfico: registrar a beleza monumental das
florestas, montanhas, riachos e flora daquele lugar, mostrando
a natureza inabitada e sem a interferência da ação humana:
imaculada, sublime e bela. Um ambientalista convicto, Adams
usou suas fotografias em prol da conservação não apenas
daquele lugar, mas de outros parques nacionais americanos.
Suas visitas frequentes ao Yosemite nos ensinam sobre sua
9
determinação e paciência em escolher variados pontos de vista,
ângulos, perspectivas, condições de luz e épocas do ano para
expressar, no filme, o encantamento daquele lugar.
Ter uma idéia clara do que fotografar, entretanto, não é uma
tarefa fácil. A abundância de temas que está à disposição do
fotógrafo de paisagem pode ofuscar sua visão e impedi-lo de se
concentrar num tema por vez. Concentração é importante para
que o fotógrafo possa se aprofundar na temática escolhida e
conseguir extrair a essência da paisagem estudada, mostrando
sua força e suas nuances a partir da percepção de sua
topografia, explorando os melhores ângulos de abordagem e
buscando a harmonia entre os diversos planos da imagem.
Uma idéia clara do que fotografar implica, também, na decisão
sobre qual equipamento será necessário para expressá-la
adequadamente. A escolha do ângulo de visão apropriado é
fundamental para ajudar a contar a história da cena a ser
fotografada, e esse é um aspecto muitas vezes despercebido
pelo fotógrafo de paisagem iniciante. Uma idéia clara do que
fotografar vai, portanto, ajudar no planejamento sobre como
fotografar o tema e se preparar para isso.
2.2. Uso apurado da técnica
Edward Weston observou que “um fotógrafo aperfeiçoa sua
técnica pela mesma razão que um pianista pratica: através do
completo domínio da ferramenta escolhida, ele pode melhor
expressar o que tem a dizer”. O domínio da técnica deve ser
compreendido pelo fotógrafo apenas como um meio de
expressar no filme ou sensor digital a sua visão de cena, e não
o objetivo fotográfico em si. Fotógrafos de paisagem, em seus
primeiros passos, se frustram com a dificuldade em registrar a
imagem tal como idealizada ou pré-visualizada e isso ocorre,
em boa parte das vezes, porque os meios técnicos para tal
façanha ainda não foram completamente dominados. São
muitos ainda os desafios técnicos que a fotografia de paisagem
apresenta. Mas a obtenção de uma exposição com uma
distribuição de tons bem equilibrada e a necessidade por
grande nitidez, tipicamente requerida para toda a extensão da
imagem, se destacam como desafios particulares. A dificuldade
em obter uma boa distribuição tonal reside no fato de que,
muitas vezes, a cena se apresenta com uma amplitude tonal
muito maior do que aquela que pode ser registrada pelo filme
10
Description:Adams. Yosemite Special Edition Photographs - Ansel Adams, 1958. 1. macro, foles e tubos de extensão, lentes close-up, anéis de inversão, etc.