Table Of ContentLEONARDO AGUIRRA DE ANDRADE
ESTRUTURAÇÃO ELUSIVA DE ATOS E NEGÓCIOS JURÍDICOS
NO DIREITO TRIBUTÁRIO BRASILEIRO
Limites ao planejamento tributário
DISSERTAÇÃO DE MESTRADO
Orientador: Professor Doutor Gerd Willi Rothmann
Universidade de São Paulo
Faculdade de Direito
São Paulo
2014
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LEONARDO AGUIRRA DE ANDRADE
ESTRUTURAÇÃO ELUSIVA DE ATOS E NEGÓCIOS JURÍDICOS
NO DIREITO TRIBUTÁRIO BRASILEIRO
Limites ao planejamento tributário
Dissertação apresentada à Banca
Examinadora da Faculdade de
Direito da Universidade de São
Paulo como exigência parcial para
obtenção do Título de Mestre em
Direito Tributário, junto ao
Departamento de Direito Econômico
Financeiro e Tributário.
Área de Concentração: Direito
Tributário
Orientador: Professor Doutor Gerd
Willi Rothmann.
São Paulo
2014
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Nome: ANDRADE, Leonardo Aguirra de.
Título: Estruturação elusiva de atos e negócios jurídicos no Direito Tributário brasileiro:
Limites ao planejamento tributário
Dissertação apresentada à Banca
Examinadora da Faculdade de Direito da
Universidade de São Paulo como
exigência parcial para obtenção do Título
de Mestre em Direito Tributário, junto ao
Departamento de Direito Econômico
Financeiro e Tributário.
APROVADO EM:
BANCA EXAMINADORA
Prof. Dr. _________________________________________ Instituição: ____________
Julgamento: ___________ Assinatura: ________________________________________
Prof. Dr. _________________________________________ Instituição: ____________
Julgamento: ___________ Assinatura: ________________________________________
Prof. Dr. _________________________________________ Instituição: ____________
Julgamento: ___________ Assinatura: ________________________________________
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AGRADECIMENTOS
Primeiramente, agradeço ao orientador desta pesquisa, Professor Dr. Gerd Willi Rothmann,
pelas diretrizes iniciais e pelo auxílio na definição do escopo de estudo.
Agradeço também ao Professor Dr. Luís Eduardo Schoueri, pelas considerações apresentadas
por ocasião da banca de qualificação de mestrado, que me ajudaram muito na construção dos
cortes metodológicos finais deste trabalho.
Agradeço a Eduardo de Carvalho Borges pelas conversas cotidianas sobre o tema, ao longo da
minha carreira profissional, que contribuíram bastante para o desenvolvimento da pesquisa e
para reflexão crítica dos estudos doutrinários sobre o assunto.
Agradeço a minha esposa, Maria Clara Oliveira Ribeiro Troncoso, por toda paciência e por
todo o seu amor.
Por fim, agradeço aos meus pais, cujo esforço e dedicação foram determinantes para que eu
pudesse estar aqui hoje.
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RESUMO
ANDRADE, Leonardo Aguirra de. Estruturação elusiva de atos e negócios jurídicos no
Direito Tributário brasileiro: limites ao planejamento tributário. 2014. 364f. Dissertação de
Mestrado – Faculdade de Direito, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2014.
O presente estudo analisa os contornos da estruturação elusiva de atos e negócios jurídicos no
Direito Tributário brasileiro. Inicialmente, busca-se definir o conceito de planejamento
tributário, abordando as diferentes noções de elisão fiscal, elusão fiscal e evasão fiscal, bem
como os critérios contemplados pela doutrina brasileira de Direito Tributário para distinguir as
condutas oponíveis e inoponíveis ao Fisco. Para melhor compreensão dos limites da conduta
elusiva, examinam-se os princípios constitucionais pertinentes à interpretação da lei tributária
e à qualificação da materialidade tributável, as quais são estudadas com vistas à percepção da
relação entre Direito Tributário e Direito Privado. Nessa seara, destacam-se os esforços para
compreensão da importância dos artigos 109, 116, incisos I e I, e 118 do Código Tributário
Nacional em matéria de aplicação da lei tributária, principalmente para entender as
consequências da caracterização de determinados vícios ou defeitos, do ponto de vista formal
e material, nos atos e negócios jurídicos realizados pelos contribuintes com objetivo de
economia fiscal. Nesse particular, examinam-se as figuras da simulação, abuso do direito,
fraude à lei e abuso de formas à luz da doutrina brasileira, a fim de verificar sua aplicabilidade
em matéria de qualificação da materialidade tributável, bem como com a intenção de
identificar pontos em comum entre elas. Analisa-se a pertinência da utilização do postulado da
proporcionalidade como parâmetro de interpretação das regras e princípios aplicáveis à
estruturação elusiva de atos e negócios realizados pelos contribuintes. Uma vez compreendido
o cenário da doutrina brasileira, parte-se para o estudo das figuras do propósito negocial,
abuso de formas, fraude à lei e abuso do direito, de acordo com as experiências do Direito
estrangeiro, respectivamente, nos Estados Unidos, Alemanha, Espanha e França, igualmente,
com o objetivo de encontrar pontos em comum entre tais figuras. Assim, testa-se o postulado
da proporcionalidade como ferramenta de compreensão das referidas figuras de acordo com os
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ordenamentos jurídicos dos respectivos países maternos. Feito esse estudo, busca-se refletir
sobre a importação dos conceitos estrangeiros para fins de tratamento da elusão no Brasil, bem
como sobre a necessidade da edição de uma norma geral antielusiva no Brasil. Por fim, são
examinados os critérios e conceitos adotados pelo Conselho Administrativo de Recursos
Fiscais do Ministério da Fazenda para avaliar as condutas elusivas praticadas pelos
contribuintes, à luz dos parâmetros selecionados ao longo do trabalho.
PALAVRAS CHAVE: Planejamento tributário – Elusão fiscal – Proporcionalidade
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ABSTRACT
ANDRADE, Leonardo Aguirra de. Elusive Structuring of acts and transactions according to
the Brazilian Tax Law: limits of tax planning. 2014. 364f. Dissertação de Mestrado –
Faculdade de Direito, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2014.
This study examines the contours of the elusive structuring of acts and transactions according
to the Brazilian Tax Law. Initially, it seeks to define the concept of tax planning, covering the
different notions of tax avoidance, tax elusion and tax evasion, besides the criteria used by the
Brazilian Tax Law doctrine to distinguish between conducts that may be or may be not
enforceable against the Brazilian tax authorities. For a better understanding of the limits of an
elusive conduct, this study examines the constitutional principles that are relevant to the
interpretation of Tax Law and to the identification of taxable material facts, which are also
analyzed in view of the relationship between Tax Law and Private Law. Regarding this
subject, we highlight the efforts made to understand the importance of articles 109, 116,
sections I and I, and 118 of the National Tax Code in regard to the enforcement of the Tax
Law and, mainly, efforts made to understand the consequences of the characterization of
certain formal or material defects or flaws in acts and transactions undertaken by taxpayers for
the purpose of tax saving. In particular, we examine the discussions held by the Brazilian legal
doctrine concerning simulation, abuse of law, fraus legis and abuse of forms in order to verify
the applicability of those concepts to qualify taxable material facts and in order to identify
similarities among them. This study also analyzes the appropriateness of using the postulate of
proportionality as a parameter of interpretation of rules and principles applicable to the elusive
structuring of acts and transactions conducted by taxpayers. Once the Brazilian doctrine is
understood, we proceed to the study of the business purpose test, abuse of forms, fraus legis
and abuse of law, respectively, according to the experiences in the United States, Germany,
Spain and France. This analysis aims to find common ground between the referred figures.
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Thus, we test the postulate of proportionality as a tool to understand these figures pursuant to
the legal systems of their respective countries of origin. Once this analysis is concluded, we
try to reflect on the adoption of foreign concepts for treating tax elusion in Brazil, as well as
on the need of editing a national general rule to avoid tax elusion. Finally, we examine the
criteria and concepts adopted by the Administrative Board of Tax Appeals of the Ministry of
Finance for assessing the elusive behaviors practiced by taxpayers in the light of the
parameters selected throughout this study.
KEY WORDS: Tax planning – Tax elusion – Proportionality
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SUMÁRIO
ABREVIATURAS .............................................................................................................. 11
INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 12
CAPÍTULO I ....................................................................................................................... 17
1.1. NOÇÕES GERAIS E FUNDAMENTOS DO PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO .............................. 17
1.2. ELISÃO, ELUSÃO E EVASÃO: MAIS DO QUE UMA QUESTÃO TERMINOLÓGICA ................. 21
1.3. CRITÉRIOS PARA CARACTERIZAÇÃO DO PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO ........................... 33
1.3.1 Superação do critério cronológico................................................................................... 33
1.3.2. Avaliação da legitimidade dos atos e negócios realizados pelo contribuinte .................. 37
1.3.2.1 Critério da ocorrência do fato gerador ............................................................................ 39
1.3.2.2. Critério da finalidade dos atos praticados pelo contribuinte .......................................... 39
1.3.2.3. Critério das imperfeições dos negócios e atos jurídicos ................................................. 41
1.3.2.4. Critério do confronto com princípios constitucionais .................................................... 44
1.4. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS PERTINENTES À CARACTERIZAÇÃO DA ELUSÃO TRIBUTÁRIA
NO BRASIL ..................................................................................................................................... 46
1.4.1. Princípio da legalidade .................................................................................................... 47
1.4.1.1. A impropriedade da noção de tipicidade fechada e a indeterminação conceitual ........... 56
1.4.1.2. Vedação à analogia ....................................................................................................... 59
1.4.2. Princípio da autonomia privada ...................................................................................... 64
1.4.3. Princípio da solidariedade social ..................................................................................... 71
1.4.4. Princípio da isonomia ...................................................................................................... 73
1.4.5. Princípio da capacidade contributiva .............................................................................. 75
1.4.6. Princípio da boa-fé .......................................................................................................... 82
1.4.7. Princípios da razoabilidade e proporcionalidade ............................................................. 87
CAPÍTULO II ................................................................................................................... 100
2.1. CONSIDERAÇÕES GERAIS SOBRE INTERPRETAÇÃO JURÍDICA ........................................ 100
2.1.1. Relativização da ideia de elusão tributária como tertium genus ................................... 103
2.2. INTERPRETAÇÃO DE ACORDO COM OS LIMITES À POSTURA DO CONTRIBUINTE ............ 107
2.3. INTERPRETAÇÃO DA LEI TRIBUTÁRIA ............................................................................ 114
2.3.1. Interpretação econômica e consideração econômica ..................................................... 116
2.4. A RELAÇÃO ENTRE DIREITO TRIBUTÁRIO E DIREITO PRIVADO .................................... 131
2.4.1. Conteúdo e alcance do artigo 109 do CTN ................................................................... 136
2.4.2. Conteúdo e alcance do artigo 118 do CTN ................................................................... 149
2.5. PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 116 DO CTN................................................................ 160
2.5.1. Divergência doutrinária ................................................................................................. 160
2.5.1.1. Norma antielisão .......................................................................................................... 161
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2.5.1.2. Norma antielusão ......................................................................................................... 165
2.5.2. A atual irrelevância do parágrafo único do artigo 116 do CTN .................................... 169
2.6. REQUALIFICAÇÃO DE CONDUTAS PELA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA ....................... 171
CAPÍTULO III .................................................................................................................. 180
3.1. VÍCIOS E DEFEITOS NOS ATOS E NEGÓCIOS ................................................................... 180
3.1.1. Simulação e dissimulação ............................................................................................. 189
3.1.2. Abuso do direito ............................................................................................................ 196
3.1.2.1. Teorias do abuso do direito .......................................................................................... 197
3.1.2.2. Abuso do direito em matéria tributária ........................................................................ 202
3.1.3. Fraude à lei .................................................................................................................... 213
3.1.4. Abuso de formas ........................................................................................................... 221
3.2. NEGÓCIO JURÍDICO INDIRETO........................................................................................ 229
3.3. ESTRUTURAÇÃO ELUSIVA E OS CRITÉRIOS PARA SUA IDENTIFICAÇÃO ......................... 238
3.3.1. A causa dos negócios jurídicos ..................................................................................... 239
3.3.1.1. Causa, motivo e propósito negocial ............................................................................ 246
3.3.2. Proporcionalidade: necessidade, adequação e proporcionalidade estrito senso como critérios
pertinentes à caracterização da elusão fiscal ............................................................................... 254
CAPÍTULO IV .................................................................................................................. 264
4.1. CRITÉRIOS PARA O ESTUDO DOS MODELOS ESTRANGEIROS ANTIELUSIVOS ................. 264
4.1.1. Estados Unidos: prevalência da substância sobre a forma, propósito negocial e análise
conjunta de operações ................................................................................................................. 265
4.1.2. Alemanha: abuso da estruturação jurídica .................................................................... 269
4.1.3. Espanha: fraude à lei ..................................................................................................... 274
4.1.4. França: abuso do direito ................................................................................................ 278
4.2. PONTOS EM COMUM AOS CRITÉRIOS ANTIELUSIVOS ..................................................... 282
4.3. CRÍTICA À ADOÇÃO NO BRASIL DE CRITÉRIOS ANTIELUSIVOS ESTRANGEIROS ............ 285
4.4. SEGURANÇA JURÍDICA E O EQUÍVOCO NA POSITIVAÇÃO DA REPRESSÃO À ESTRUTURAÇÃO
ELUSIVA ...................................................................................................................................... 288
4.5. CRITÉRIOS UTILIZADOS NA JURISPRUDÊNCIA DO CARF ............................................... 293
CONCLUSÃO ................................................................................................................... 309
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................................................ 333
Description:Repertório Enciclopédico do Direito Brasileiro, v.8, Rio de Janeiro, Borsoi, pp.2-25);. JARACH, Dino. Yassin entende que se o direito é exercido de maneira inútil, tal exercício seria abusivo na medida em que desviou o