Table Of Content1ª edição
2013
CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO NA FONTE
SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ
Constantino, Rodrigo, 1976-
C765e
Esquerda caviar [recurso eletrônico]: a hipocrisia dos artistas e intelectuais progressistas no Brasil
e no mundo / Rodrigo Constantino. - 1. ed. - Rio de Janeiro: Record, 2013.
recurso digital
Formato: ePub
Requisitos do sistema: Adobe Digital Editions Modo de acesso: World Wide Web Inclui
bibliografia
ISBN 9788501100986 (recurso eletrônico) 1. Partidos de esquerda - América Latina. 2. América
Latina - Política e governo - Séc. XX. 3. América Latina - Política e governo - Séc. XXI. 4. Direita e
esquerda (Ciência política). 5. Sociologia política. 6. Cultura política. 7. Livros eletrônicos. I. Título.
13-05311
CDD: 320.5
CDU: 321
Copyright © Rodrigo Constantino, 2013
Todos os direitos reservados. Proibida a reprodução, armazenamento ou transmissão de partes deste livro
através de quaisquer meios, sem prévia autorização por escrito. Proibida a venda desta edição em Portugal e
resto da Europa.
Texto revisado segundo o novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.
Direitos exclusivos desta edição reservados pela
EDITORA RECORD LTDA.
Rua Argentina, 171 – 20921-380 – Rio de Janeiro, RJ – Tel.: 2585-2000,
que se reserva a propriedade literária desta tradução.
Produzido no Brasil.
ISBN 9788501100986
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“É fácil amar a humanidade;
difícil é amar o próximo.”
NELSON RODRIGUES
Para minha mãe, Sonia
Sumário
Introdução
O fenômeno e suas origens
PARTE 1
As origens
Duplipensar
O viés da imprensa
As bandeiras
PARTE 2
A obsessão antiamericana
O ódio a Israel
O culto ao multiculturalismo
Os pacifistas
O mito Che Guevara
A ilha dos sonhos
Os melancias
Justiça social
Sem preconceitos
As minorias
Juventude utópica
Os ícones
PARTE 3
Políticos, gurus, legitimadores, hollywoodianos e outros boçais úteis
Epílogo Há luz no fim do túnel
Apêndice Islamofobia
Indicações bibliográficas
Introdução
O mundo dito civilizado vive uma crise moral de grandes proporções. Há uma
clara decadência de valores em curso, que ameaça a própria sobrevivência do
mundo moderno como o conhecemos. Ideias têm consequências, e um conjunto
equivocado delas tem minado o progresso e a liberdade individual.
Por trás dessas ideias, encontramos uma parcela vaidosa, oportunista,
acovardada e mimada da elite, que parece só pensar no curto prazo e em sua
própria imagem. “Vaidade de vaidades, diz o pregador, vaidade de vaidades!
Tudo é vaidade.” A mensagem bíblica merece a atenção de todos, especialmente
no mundo atual, onde vale tudo pela “autoestima”.
Nunca antes na história da humanidade vivemos uma era das aparências tão
evidente. A fama de “legal” possui enorme valor emocional e comercial. E a
internet, com suas redes sociais, é uma máquina de vender imagem, que acaba
por potencializar esse sintoma — que não é novo. Mais do que a ação em si, o
que importa agora é o tal “marketing do comportamento”, o feel good sensation.
Isso acabou resultando numa ditadura velada do politicamente correto, cujos
adeptos buscam monopolizar as boas intenções e os fins “nobres”, em
detrimento do debate sobre os melhores meios para tais metas. Só quem
concorda com seus meios — leia-se: sempre mais estado — defende os pobres, os
negros, as mulheres, os gays, o meio ambiente, a paz.
É a tirania das (supostas) boas intenções, aos cuidados dessas “almas
sensíveis”. Nas redes sociais, essa gente é chamada de poser, já que tudo se
resume ao objetivo de ficar bem na foto. Somente eles desejam um mundo
melhor.
Essa tendência é sedutora, pois basta abraçar um conjunto de crenças para ser
visto como — e para se sentir — uma boa pessoa. Não serão as ações, o
comportamento efetivo e a conduta cotidiana a lhe fazer alguém mais decente e
louvável, mas apenas as frases soltas e o pertencimento a um determinado grupo.
Alardear nobres intenções bem alto, eis o principal objetivo. Edmund Burke já
havia alertado para isso em suas reflexões sobre a Revolução Francesa:
Porque meia dúzia de gafanhotos sob uma samambaia faz o campo tinir com seu inoportuno
zumbido, ao passo que milhares de cabeças de gado repousando à sombra do carvalho inglês
ruminam em silêncio, por favor, não vá imaginar que aqueles que fazem barulho são os únicos
habitantes do campo; ou que logicamente são maiores em número; ou, ainda, que signifiquem
mais do que um pequeno grupo de insetos efêmeros, secos, magros, saltitantes, espalhafatosos e
inoportunos.
Ou, como resumiu ainda mais Mark Twain, “Barulho não prova nada: uma
galinha bota um ovo e cacareja como se tivesse botado um asteroide”. Mas fazer
barulho é com a esquerda caviar mesmo. O termo tem origem na França (gauche
caviar), como não poderia deixar de ser. Mas há os análogos na Inglaterra
(socialista champagne), nos Estados Unidos (liberal limusine) ou na Itália
(radical chic).
Os artistas e os intelectuais se tornaram os grandes ícones desse movimento.
Todas as causas vistas como nobres são abraçadas por essa turma, que parece
infinitamente mais preocupada com os aplausos da plateia e com a própria
sensação de superioridade moral do que com os resultados concretos daquilo que
prega.
*
Salvar o planeta, proteger os índios, cuidar das crianças africanas, enfrentar os
ricos capitalistas em nome da justiça social, pagar a dívida histórica com os
negros, acabar com as guerras, enaltecer as diferenças culturais, idealizar os
jovens, estas são algumas das bandeiras dos abnegados artistas e intelectuais. Os
grandes defensores dos fracos e oprimidos contra as “elites” — como se não
fossem parte da elite.
Há um pequeno detalhe: normalmente, muitos deles são ricos graças ao
capitalismo que atacam; vivem no conforto do Ocidente que desprezam; gozam
Description:Este livro de Rodrigo Constantino é urgente. Uma pérola em meio ao mar de obviedades e mentiras comuns na literatura “intelectual” nacional. O título Esquerda caviar remete a uma expressão de nossos irmãos mais velhos portugueses para descrever a “esquerda festiva” (como dizia o grande