Table Of ContentEscritos pré-críticos
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EditoraAssistente
DeniseKatchuianDognini
IMMANUEL KANT
Escritos pré-críticos
(cid:1)(cid:2)
Tradução
Jair Barboza
Joãosinho Beckenkamp
Luciano Codato
Paulo Licht dos Santos
Vinicius de Figueiredo
©2005datraduçãobrasileiraEditoraUNESP
Títulosdosoriginais
DiefalscheSpitzfindigkeitderviersyllogistischenFigurenerwiesen(1762)
VersuchdenBegriffdernegativenGrößenindieWeltweisheiteinzuführen(1763)
UntersuchungüberdieDeutlichkeitderGrundsätzedernatürlichen
TheologieundderMoral(1764)
TräumeeinesGeistersehers,erlautetdurchTräumederMetaphysik(1766)
Demundisensibilisatqueintelligibilisformaetprincipiis(1770)
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CIP–Brasil.Catalogaçãonafonte
SindicatoNacionaldosEditoresdeLivros,RJ
K25e
Kant, Immanuel, 1724-1804
Escritospré-críticos/ImmanuelKant;traduçãodeJair
Barboza...[etal.].–SãoPaulo:EditoraUNESP,2005.
ISBN 85-7139-603-5
1. Kant, Immanuel, 1724-1804. 2. Filosofia alemã.
I. Barboza, Jair, 1966-. II. Título.
05-1713 CDD 193
CDU 1(43)
Editoraafiliada:
CÓPIANÃOAUTORIZADAÉCRIME
ABDR
Asocidaec iAónm dérei cEad Litaotriinaale ys eUln Civaerribsietarias AEsdsiotociraaçsã Uo nBirvaesrsilietiárrai adse ASSOCIAÇREÃSOP BERITAESILOEIRDA IDRE EDIIRTEIOTOSA URETPORRAOLGRÁFICOS
Sumário
Apresentação . 7
Nota à tradução . 23
A falsa sutileza das quatro figuras silogísticas . 25
Ensaio para introduzir a noção
de grandezas negativas em filosofia . 51
Investigação sobre a evidência dos
princípios da teologia natural e da moral . 101
Sonhos de um visionário
explicados por sonhos da metafísica . 141
Forma e princípios do mundo
sensível e do mundo inteligível . 219
Apresentação
Vinicius de Figueiredo
Universidade Federal do Paraná – CNPq
Acoletâneaqueoleitortememmãosreúneboapartedos
textos publicados por Kant entre 1762 e 1770, quando, já
bastanteconhecidonomeiofilosóficoalemão,ocupouocar-
go de Magister na Universidade de Königsberg. Essa reunião
nãoéarbitrária.Eladispõedeumcritérioquesubordinasua
referênciacronológicaprincipal–adécadade1760–auma
unidadedenaturezaintelectual,quemarcaumaetapadecisi-
vadatrajetóriadeKantelançaluzsobresuafilosofiamadu-
ra,iniciadacomaCríticadarazãopura,de1781.Afimdeapre-
sentaremlinhasgeraistalunidade,seráútil,emvezdepassar
diretamente ao comentário dos textos aqui traduzidos, dar
um salto no tempo e ater-se ao contexto no qual Kant, mui-
tosanosdepoisdetê-losescrito,refletiusobreaoportunida-
de de reeditá-los.
Emumacartadatadade13deoutubrode1797,Kantau-
toriza J. H. Tieftrunk a reunir seus textos menores em uma
única publicação, de modo a oferecer ao leitor uma visão de
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Immanuel Kant
conjunto de sua obra. Embora estimule Tieftrunk a prosse-
guir em seu projeto, Kant acrescenta a seguinte ressalva: “eu
nãodesejariaquevocêiniciasseacoletâneacomnadaanterior
a1770,ouseja,àminhadissertaçãosobreomundosensívele
omundointeligível”1Algoofezmudardeidéia,poisaedição
deTieftrunk,publicadaem1799,incluiváriostextosanterio-
resàDissertaçãode1770.Umapossívelexplicaçãoparatalmu-
dançaresidenofatodeque,poressaépoca,tenhamsidopu-
blicadas algumas coletâneas não autorizadas desses escritos,
comimprecisõescatalográficas,queaediçãoaoscuidadosde
Tieftrunk–alguémque,nodizerdeKant,estavadetermina-
doa“defenderacausadaCríticaemsuapureza”–poderiasu-
primir. Podemos também conjeturar que a essa razão cir-
cunstancialsetenhasomadoumaoutra,relativaàdecisãoque
cabiaaKant(entãocomquase75anos)tomardiantedaque-
lapartedesuaobracujodestinopermaneciaatéaliincerto:a
correspondência, as anotações manuscritas feitas nos com-
pêndiosqueutilizavacomoprofessor,ascópiasdeseuscur-
sosredigidasporestudantes,tudoissorequeriaumzeloedi-
torialquecertamenteseestendeuaostextosdequetratamos
aqui.Emsuma,podebemserqueainclusãodosescritospu-
blicadosnasdécadasde1750e1760naediçãodeTieftrunk
1 CartaaJ.H.Tieftrunk.In:KantsWerke,Berlin,GeorgReimer,1902,
v.XII, p.207-8 (ed. Königlich Preussischen Akademie der Wissens-
chaften). Nesta apresentação, referências a essa edição são feitas no
corpodotexto,trazendoentreparêntesesonúmerodovolumeeapa-
ginação; referências aCríticadarazãopura indicam entre parênteses a
paginaçãodaediçãoB(1787),traduzidaporValerioRohdeneUdo
MoosburguerparaacoleçãoOsPensadores(SãoPaulo,AbrilCultu-
ral, 1980).
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Escritos pré-críticos
tenha sido vista por Kant como um passo modesto, mas
oportuno,paraainstituiçãodefinitivadocorpusdesuaobra.
Mas as preocupações vividas por Kant na virada do século
emfacedolegadodesuaobraedacontribuiçãoqueelarepre-
sentavaparaodebatefilosóficoalemãodeseutempoestavam
apenas começando – e isso por razões que ultrapassavam em
muitoasimplesreediçãoacuradadostextosquepublicaraan-
tesdaCríticadarazãopura.Comefeito,àmesmaépocaemque
acolhiaoprojetodeTieftrunk,Kantaprofundavasuasressal-
vasdiantedainflexãoidealistaporquepassavaainterpretação
desuafilosofia–umainflexãoque,parasuacontrariedade,se
permitia modificar profundamente a letra do idealismotrans-
cendental,alegandofidelidadeaseuespírito.Eisqueainsatisfa-
çãotorna-seruptura:emagostode1799,Kantredigeumacarta
públicacontraFichte,naqualrenegatodovínculocomoautor
da Doutrina-da-Ciência. E aproveita a ocasião para recusar pela
raizaidéia,muitodifundidaaolongodadécadade1790,deque
faltaria conferir a suas “intuições” uma forma sistemática:
Paramiméincompreensívelapretensãodemeimputareste
intuito: eu quis fornecer meramente uma propedêutica para a
filosofia transcendental, não o próprio sistema dessa filosofia.
Talintuitonuncamepassoupelacabeça,poiseumesmoavaliei
otodoacabadodafilosofiapuranaCríticadarazãopuracomoa
melhor característica de sua verdade.2
PorsiprópriaaCrítica,advertia-nosentãoKant,jáfazsis-
tema. Tomá-la como a mera preparação do terreno sobre o
2 DeclaraçãosobreadoutrinadaciênciadeFichte.Trad.PauloLicht
dos Santos. Cadernos de filosofia alemã, n.2, USP, 1997.
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Immanuel Kant
qualsedeveriaedificaroverdadeirosistemafilosófico,adver-
tia assim Kant, fornecia um atestado de sua incompreensão
mais radical, a traição de seu espírito. Ocorre que, se não de
todo,aomenosempartealetradafilosofiakantianaapoiava,
eempassosimportantes,omovimentodeiradianteprotago-
nizadoinicialmenteporFichte.Assim,nosProlegômenosatoda
metafísicafutura(1783),porexemplo,Kantafirmaqueameta-
físicasópoderáexistircomociênciaquando“secumpramas
condiçõesaquiexpressas,dasquaisdependesuapossibilida-
de”,conclamando-nosa“umareformacompleta”queequiva-
leráa“umnovonascimentodametafísica,segundoumplano
inteiramente desconhecido até agora” (IV 257). Expressão
semelhante reaparece no Prefácio à 2ª edição da Críticadara-
zão pura (1787), no qual se lê que “a Crítica é a instituição
provisória necessária para promover uma Metafísica funda-
mental como ciência” (B XXXVI). Finalmente, no desfecho
daCrítica,aoconcluirque,apósainterdiçãododogmatismoe
a recusa da solução cética, “somente o caminho crítico está
aberto”, e convidar o leitor a contribuir para transformar o
atalho que percorreu até ali em “estrada principal” (B 884),
Kantparecesublinharaidéiadeque,seaCríticarepresentouo
necessário acerto de contas com a metafísica clássica, ela to-
davianãocoincidecomosistemaacabadoqueesseacertoen-
seja,mas(comoobservaráFichteem1794)opassoanterior
e preliminar ao projeto de elevar a filosofia “à categoria de
ciência evidente”.3
3 FICHTE,J.G.Sobreoconceitodadoutrinadaciênciaoudaassimchamada
filosofia (1794). Trad. Rubens Torres Filho. In: Fichte. São Paulo:
Abril Cultural, 1980, p.5. (Os Pensadores).
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