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Comunicação e conflitos urbanos
FACULDADE DE COMUNICAÇÃO SOCIAL DA UERJ
UERJ
CATALOGAÇÃO NA FONTE
UERJ/Rede Sirius/PROTAT
L832 Logos: Comunicação & Universidade - Vol. 1, N° 1 (1990)
- . - Rio de Janeiro: UERJ, Faculdade de Comunicação Social,
1990 -
Semestral
ISSN 0104-9933
1. Comunicação - Periódicos. 2. Teoria da informação
-Periódicos. 3. Comunicação e cultura - Periódicos. 4.
Sociologia - Periódicos. I. Universidade do Estado do Rio de
Janeiro. Faculdade de Comunicação Social.
CDU 007
LOGOS 26: comunicação e conflitos urbanos. Ano 14, 1º semestre 2007
UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
CENTRO DE EDUCAÇÃO E HUMANIDADES
FACULDADE DE COMUNICAÇÃO SOCIAL
REITOR
Nival Nunes de Almeida
VICE-REITOR
Ronaldo Martins Lauria
SUB-REITOR DE GRADUAÇÃO
José Ricardo Campelo Arruda
SUB-REITORA DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA
Albanita Viana de Oliveira
SUB-REITOR DE EXTENSÃO E CULTURA
João Regazzi Gerk
DIRETORA DO CENTRO DE EDUCAÇÃO E HUMANIDADES
Maricélia Bispo Pereira
FACULDADE DE COMUNICAÇÃO SOCIAL
DIRETOR
João Pedro Dias Vieira
VICE-DIRETOR
Hugo Rodolfo Lovisolo
CHEFE DO DEPARTAMENTO DE JORNALISMO
Héris Arnt
CHEFE DO DEPARTAMENTO DE RELAÇÕES PÚBLICAS
Fernando Gonçalves
CHEFE DO DEPARTAMENTO DE TEORIA DA COMUNICAÇÃO
Vinícius Andrade Pereira
LOGOS 26: comunicação e conflitos urbanos. Ano 14, 1º semestre 2007
LOGOS - EDIÇÃO Nº 26
Logos: Comunicação & Universidade (ISSN 0104-9933) é uma publicação acadêmica semestral da Faculdade
de Comunicação Social da UERJ e de seu Programa de Pós-Graduação em Comunicação (PPGC) que reúne artigos
inéditos de pesquisadores nacionais e internacionais, enfocando o universo interdisciplinar da comunicação em suas
múltiplas formas, objetos, teorias e metodologias. A revista destaca a cada número uma temática central, foco dos
artigos principais, mas também abre espaço para trabalhos de pesquisa dos campos das ciências humanas e sociais
considerados relevantes pelos Conselhos Editorial e Científico. Os artigos recebidos são avaliados por membros dos
conselhos e selecionados para publicação. Pequenos ajustes podem ser feitos durante o processo de edição e revisão dos
textos aceitos. Maiores modificações serão solicitadas aos autores. Não serão aceitos artigos fora do formato e tamanho
indicados nas orientações editoriais e que não venham acompanhados pelos resumos em português, inglês e espanhol.
EDITORES
Prof. Dr. João Luís de Araújo Maia, Profa. Dra. Denise da Costa Oliveira Siqueira
EDITORA CONVIDADA
Prof. Dr. Ricardo Freitas
EDITOR WEB
Prof. Dr. Fernando Gonçalves
CONSELHOS EDITORIAL E CIENTÍFICO
Ricardo Ferreira Freitas (Presidente do Conselho Editorial), Luiz Felipe Baêta Neves (Presidente do Conselho
Científico), Danielle Rocha Pitta (UFPE), Fátima Quintas (Fundação Gilberto Freyre), Henri Pierre Jeudi (CNRS-
França), Héris Arnt (UERJ), Ismar de Oliveira Soares (USP), Luis Custódio da Silva (UFPB), Márcio Souza
Gonçalves (UERJ), Michel Maffesoli (Paris V - Sorbonne), Nelly de Camargo (USP), Nízia Villaça (UFRJ), Patrick
Tacussel (Université de Montpellier), Patrick Wattier (Université de Strassbourg), Paulo Pinheiro (UniRio), Robert
Shields (Carleton University/Canadá), Ronaldo Helal (UERJ) e Alessandra Aldé (UERJ).
ENDEREÇO PARA CORRESPONDÊNCIA
Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Faculdade de Comunicação Social - PPGC - Mestrado em Comunicação
Revista Logos
A/C Profa. Dra. Denise da Costa Oliveira Siqueira e Prof. Dr. João Maia
Rua São Francisco Xavier, 524/10º andar, sala 10129, Bloco F
Maracanã - Rio de Janeiro - RJ - Brasil. CEP: 20550-013
Tel.fax: (21) 2587-7829. E-mail: [email protected]
PROJETO GRÁFICO
Marcos Maurity
Samara Maia Mattos
DIAGRAMAÇÃO e CAPA
Marcos Maurity | Escritório de Relações Públicas (ERP | FCS | UERJ)
EDITORAÇÃO ELETRÔNICA
Samara Maia Mattos | Escritório de Relações Públicas (ERP | FCS | UERJ)
REVISÃO
Denise da Costa Oliveira Siqueira (FCS/UERJ);
LOGOS 26: comunicação e conflitos urbanos. Ano 14, 1º semestre 2007
Sumário
Apresentação
Comunicação e conflitos urbanos 7
Denise da Costa Oliveira Siqueira
Ricardo Freitas
Dossier
L’éphémère question des viols collectifs en France (2000-2002): 9
étude d’une panique morale
Laurent Mucchielli
Les habitants des quartiers, entre peur et solidarité 31
Éric Marlière
Brixton, Bronx o Baixada: articulaciones transnacionales 43
en O Rappa
Elysabeth Senra de Oliveira
Música, juventude e tecnologia: novas práticas 58
de consumo na cibercultura
Gisela Grangeiro da Silva Castro
Mangue Beat: húmus cultural e social 70
Paula Tesser
A cidade e o samba 84
Dilmar Santos de Miranda
Comunicação, arte e invasões artísticas na cidade 98
Fernando do Nascimento Gonçalves
Charbelly Estrella
Pichação e comunicação: um código sem regra 111
Luciano Spinelli
Conexões
Mídia e violência urbana: o corpo contemporâneo 123
e suas afetações em uma cultura do risco
Layne Amaral
Medo e horror na cobertura jornalística dos ataques 133
do PCC em São Paulo
Mônica Cristine Fort
Luís Ronaldo Vaca Alvarez de Oliveira
Resenhas
As novas tradições do samba 147
Luiza Real de Andrade Amaral
Móvel como o ser humano 149
Ana Amélia Erthal
Orientação editorial 151
LOGOS 26: comunicação e conflitos urbanos. Ano 14, 1º semestre 2007
Apresentação
Comunicação e conflitos urbanos
Lugares de todas as expressões, as metrópoles são povoadas de poesia,
ainda que, muitas vezes, escritas ou narradas de forma cruel. Inevitavelmente
surpreendentes a cada novo olhar, as grandes cidades oferecem permanente
material de discussão sobre a sociedade e seus enigmas. A dor, o prazer, o so-
frimento, o conforto, a angústia e a diversão são elementos fundamentais das
narrativas urbanas.
Imagem e corpo foram os temas das duas edições anteriores da Logos, já
em formato on-line. Logos 26 dedica-se à reflexão sobre a violência nas cidades.
Assunto contemporâneo com diversas facetas, ganha força midiática com ampla
divulgação em jornais, televisão, sites noticiosos, blogs. Rio de Janeiro, São Pau-
lo, Porto Alegre, Paris e seus subúrbios, como muitas outras cidades do mundo,
expressam, pelos conflitos urbanos, inquietações, preconceitos, racismos. Como
sabemos, os conflitos urbanos não estão somente associados à miséria e à violên-
cia. Dos carros blindados às câmeras de vigilância, a cidade e o corpo continuam
estabelecendo uma dialética fundamental à formação dos valores estéticos con-
temporâneos. A mídia tem um papel fundamental nesse processo.
Logos 26, tendo como tema Comunicação e conflitos urbanos, reúne ar-
tigos de pesquisadores brasileiros e de outros países, enfocando música, grafite,
motins urbanos, juventude. Organizada pelo professor Ricardo Ferreira Freitas
durante seu estágio pós-doutoral na Université Paris V – Renné Descartes,
Sorbonne, em 2007, a revista mostra olhares múltiplos sobre as cidades, mas
que em comum têm o traço da tentativa de explicar o fenômeno tão preocu-
pante da violência urbana em suas mais diversas expressões.
Buscando abordagens que tornem possível pensar as multipli-cidades, a
presente edição é aberta com artigo de Laurent Mucchielli sobre a abordagem mi-
diática e sociológica do “caso” dos estupros coletivos no início dos anos 2000 na
França. Em seguida, Eric Marlière contribui com um texto sobre os conflitos de
jovens e polícia em 2005 nos arredores de Paris. Encerrando as contribuições in-
ternacionais, Elysabeth Senra escreve sobre a música do grupo carioca O Rappa.
Artes visuais e música são os temas dos demais artigos de pesquisadores
de diversos estados do Brasil. As resenhas trazem textos de duas alunas do
programa de pós-graduação em Comunicação da UERJ, mostrando o com-
prometimento da publicação com seu PPGC, mas também com a perspectiva
de apresentar idéias, pontos de vista diferentes que possam contribuir como
referência para novos estudos. Assim, Logos mais uma vez busca manter-se
publicação acadêmica plural, com intercâmbios nacionais e internacionais.
Logos 26 chega aos leitores com contéudo inédito, interessante, atual e
no formato de publicação on-line, como resultado do trabalho de professores-
editores, webdesigners, equipe do Escritório de Relações Públicas da Faculdade
de Comunicação da UERJ e alunos do PPGC. Conteúdo, formato e trabalho
generoso em equipe também devem ser valorizados.
Denise da Costa Oliveira Siqueira e Ricardo Ferreira Freitas
Professores do PPGC/UERJ
LOGOS 26: comunicação e conflitos urbanos. Ano 14, 1º semestre 2007
Dossier
Comunicação e conflitos urbanos
LOGOS 26: comunicação e conflitos urbanos. Ano 14, 1º semestre 2007
L’éphémère question des viols
collectifs en France (2000-2002):
étude d’une panique morale
Laurent Mucchielli
Sociólogo, pesquisador do CNRS, professor na Université de Versailles/Saint-Quentin en
Yvelines, diretor do Centre de Recherches Sociologiques sur le droit et les institutions
pénales (CESDIP, UMR 8183).
Resumo
O artigo analisa um exemplo de “pânico moral” acontecido na França, no início dos anos 2000, a propósito
de estupros coletivos. O autor lembra o contexto de medo coletivo frente aos jovens filhos de imigrantes
moradores dos subúrbios e suspeitos de praticar uma religião perigosa (o Islã), e ainda o contexto de um
período de eleições políticas nacionais. Ele analisa os mecanismos de propagação do pânico moral na
mídia e mostra que os meios de comunicação reforçaram o medo e o estigma desses moradores, territórios
e religião. Finalmente, confronta a visão midiática dos estupros coletivos com as pesquisas em ciências
sociais que contradizem todos os argumentos do pânico midiático.
Palavras-chave: Mídia, moral, violência, sociologia.
Abstract
This article analises an exemple of “moral panic” occurred in France, in the beginning of the 2000’s, because of
the colective rape. The author remember the context of colective fear against the young men from foreign origines
that live in the suburbs and were suspects of practicing a dangerous religion (Islam) and also the context of a
period of national elections. The authors analises the mechanisms of propagation of moral panic in the media
and shows that mass media reforced the fear and stigma of these young men, the place where they live and their
religion. Finally, he opposes this media vision to the researches in social sciences that deny the mediatic panic.
Keywords: Media, moral, violence, sociology.
Résumé
Cet article analyse un exemple de « panique morale » survenue en France, au début des années 2000,
à propos des viols collectifs. L’auteur rappelle d’abord le contexte de peur collective vis-à-vis des jeunes
hommes « issus de l’immigration » habitant les « banlieues » et suspectés de pratiquer une religion
dangereuse (l’Islam), ainsi que le contexte d’une période d’élections politiques nationales. Il analyse
ensuite les mécanismes de déclenchement et de propagation de la panique morale dans les médias et il
montre qu’elle a abouti à renforcer la peur et la stigmatisation de ces habitants, de ces territoires et de cette
religion. Enfin, dans une dernière partie, il confronte cette vision médiatique des viols collectifs avec les
recherches en sciences sociales. Ces dernières contredisent tous les arguments de la panique médiatique.
Mots-cléf: Médias, moral, violence, sociologie.
LOGOS 26: comunicação e conflitos urbanos. Ano 14, 1º semestre 2007
Laurent Mucchielli: L’éphémère question des viols collectifs en France (2000-2002): étude d’une panique morale
Cette recherche est née d’une interrogation face à la médiatisation aussi
intense qu’éphémère de ce que les journalistes ont appelé « tournantes » dans
les années 2000-2002, reprenant à leur compte une expression argotique
désignant des viols collectifs. L’analyse du traitement médiatique fait ressortir
une version dominante présentant ce phénomène comme nouveau, en pleine
expansion et spécifique à un lieu et une population donnés : les « jeunes de
cités », c’est-à-dire les jeunes « issus de l’immigration ». Cette vision s’inscrit
dans le cadre plus large du débat sur l’« insécurité » et « les banlieues », qui sera
amplifié par le gain de peur de l’Islam après les attentats du 11 septembre 2001
(MUCCHIELLI, 2002, 141sqq). Cette médiatisation s’inscrit par ailleurs dans
le contexte des campagnes électorales pour les élections municipales de 2001
et les élections présidentielles de 2002, centrées sur le thème de « l’insécurité ».
La première partie de cet article livre les résultats de l’analyse qualitative et
quantitative du traitement médiatique de ces « tournantes » et permet de
comprendre les mécanismes de déclenchement et de propagation de ce qui
constitue un exemple de « panique morale » (GOODE, BEN-YEHUDA,
1994). La seconde partie présente des documents historiques, une analyse
des statistiques disponibles ainsi que les résultats du dépouillement d’une
trentaine d’affaires jugées entre 1994 et 2003 dans la région parisienne. Ceci
permet de confronter la vision médiatique avec l’état des connaissances dans
la recherche en sciences sociales sur l’origine, l’évolution et les formes actuelles
de ce phénomène (1).
I. Quand les médias découvrent les « tournantes »
La panique médiatique sur les « tournantes » a duré environ deux ans, de
la fin de l’année 2000 à la fin de l’année 2002. Elle peut être subdivisée en deux
phases. La première se situe à la fin de l’année 2000 et au début de la suivante.
Ce n’est pas un fait divers dramatique mais un film (La Squale) qui constitue
l’élément déclencheur (le prétexte ?). Un an et demi plus tard, la très forte
médiatisation d’un livre-témoignage (Dans l’enfer des tournantes, de Samira
Bellil) et d’un nouveau mouvement politique (Ni putes ni soumises) viendront
définitivement consacrer le sujet et fixer son interprétation.
Au commencement était un film
La Squale, premier film réalisé par Fabrice Genestal, ancien professeur
de français à Sarcelles (il a démissionné de l’Éducation nationale), sort dans les
salles en France le 29 novembre 2000. Il bénéficie rapidement d’une très large
converture de presse. Il sera bientôt consacré par une nomination aux « Césars
2001 » dans la catégorie de la « meilleure première œuvre ». Le film se situe
en banlieue parisienne et met en scène des adolescents, pour la quasi totalité
d’origine maghrébine ou noire africaine. Il s’ouvre sur une scène de viol collectif
accompagné d’humiliations violentes : la victime est en particulier marquée sur
les fesses par le « sceau » du meneur de la bande qui l’a amené dans son « repère
secret » (un camion abandonné au bord d’un bois). Il a d’abord des relations
sexuelles consenties avec elle avant de faire entrer les autres membres de la
bande, prévenus d’avance. Cette scène n’occupe qu’une place très marginale
10
LOGOS 26: comunicação e conflitos urbanos. Ano 14, 1º semestre 2007
Description:Deeder Zaman y con el trabajador de los derechos civiles DJ Pandit G. fantasias apocalípticas de Aldous Huxley e George Orwell, pelo menos em conhecido por Presídio da Ilha Grande ou Caldeirão do Diabo, no estado do.