Table Of Contentdicionário de dificuldades
da língua portuguesa
obras de referência
domingos paschoal cegalla
dicionário de dificuldades
da língua portuguesa
3ª edição revista e ampliada
2ª impressão
Lexikon editora digitaL Ltda.
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CIP-Brasil. Catalogação na Fonte
Sindicato Nacional dos Editores de Livros, RJ
C385d Cegalla, Domingos Paschoal, 1920-
3.ed. Dicionário de dificuldades de língua portuguesa [recurso
eletrônico] / Domingos Paschoal Cegalla. - Rio de Janeiro :
Lexikon, 2012.
432 p., recurso digital
Formato: PDF
Requisitos do sistema: Adobe Digital Editions
Modo de acesso: World Wide Web
Inclui bibliografia
ISBN 978-85-86368-87-5 (recurso eletrônico)
1. Língua portuguesa - Vícios de linguagem - Dicionários.
2. Língua portuguesa - Uso - Dicionários. 3. Livros eletrônicos.
I. Título.
CDD: 469.83
CDU: 811.134.3’271.1
Sumário
Apresentação 3a edição .............................................................................7
Apresentação 1a edição .............................................................................9
O novo Acordo Ortográfico ..................................................................11
Abreviaturas e sinais usados nesta obra ....................................................17
Dicionário .............................................................................................19
Vocabulário .........................................................................................411
Bibliografia ..........................................................................................430
Obras do Autor ....................................................................................431
Apresentação
3a edição
Apesar das dificuldades da época e dos percalços que encontrou em seu caminho,
este dicionário chegou, em pouco mais de doze anos, à sua terceira edição, sem
contar a edição de bolso, lançada pela Lexikon em parceria com a L&PM.
Meu dicionário teve também de enfrentar a concorrência de obras congêneres,
umas boas, outras superficiais, todas, porém, apostadas a levar alguma luz aos estu-
diosos desse nosso rico idioma, que lembra um território imenso e belo, mas cheio
de armadilhas e constantemente fustigado pelos ventos das inovações.
Eminentes professores de português se dignaram de tecer comentários elogiosos
acerca do meu trabalho, e isso foi para mim valioso incentivo para mantê-lo sempre
atualizado.
Esta edição, que se apresenta na nova ortografia, vem ampliada com vários verbe-
tes. Foram introduzidos também inúmeros acréscimos e feitos alguns retoques em
verbetes da edição anterior.
Convicto da utilidade desta obra, apresento a nova edição a quantos têm interesse
em aprimorar seus conhecimentos de português, na modalidade culta.
Rio de Janeiro, 2009
Domingos Paschoal Cegala
Apresentação
1a edição
Ao concluir esta obra, tive a impressão de haver chegado de longa excursão por
um vastíssimo território, belo e rico, mas tremendamente acidentado, com infindá-
veis encruzilhadas desnorteando os passos do caminhante.
Este dicionário pretende ser um guia a indicar rumos certos, um mapa onde estão
assinalados os obstáculos e as encruzilhadas diante dos quais tantas vezes param per-
plexos os usuários da língua portuguesa. Não o escrevi por diletantismo, mas para
ser útil não somente aos profissionais que fazem da palavra o instrumento de seu
trabalho, como também a todos aqueles que desejam falar e escrever a sua língua
com acerto.
Os idiomas dos povos civilizados são sistemas de signos vocais e significativos ex-
tremamente complexos. E o nosso não faz exceção à regra. Ninguém pode gabar-se
de o dominar completamente, sobretudo neste estado de ebulição em que hoje se
encontra. Quem de nós, vez ou outra, não hesita diante da grafia ou da flexão de um
vocábulo, da correta pronúncia de uma palavra, ou não é assaltado por dúvidas sobre
concordância e regência verbal? E não raro, o tempo é escasso, e a tarefa urgente não
nos permite compulsar gramáticas, que aliás, em muitos casos, permanecem mudas
às nossas indagações. Foi refletindo sobre isso que aceitei o desafio de elaborar um
dicionário fácil de compulsar e que desse pronta e satisfatória resposta ao consulen-
te, no âmbito da fonologia, ortografia, morfologia e sintaxe.
Aqui está, pois, o Dicionário de dificuldades da língua portuguesa, resultado de mais de
três anos de paciente trabalho. Acredito ter focalizado a contento a maioria dos casos
geradores de dúvidas e embaraços. Empenhei-me em expor os fatos linguísticos com
objetividade e a maior singeleza possível, de modo que o leitor possa entender pronta
e facilmente a informação desejada. Com esse propósito, evitei o eruditismo estéril e
as terminilogias complicadas.
O liberalismo linguístico de nossos dias, liderado pelos meios de comunicação,
torna difícil para o gramático a tarefa de legislar sobre normas gramaticais. Diante
da enxurrada de estrangeirismos, de inovações sintáticas e neologias de todo tipo
que hoje invade o português falado e escrito no Brasil, assumi uma posição mode-
rada: nem muito ao mar nem muito à terra; nem liberal nem purista; nem dema-
siada condescendência com os desvios da boa norma, nem caturrice vernaculista,
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amarrada a velhos cânones gramaticais, infensa a qualquer inovação. In medio virtus.
Ante questões controvertidas, ou aponto a opção que me parece melhor, ou deixo ao
consulente a iniciativa da escolha.
Deu-se especial destaque aos tópicos que versam sobre regência e concordância
verbal, corroborando cada caso com fartas abonações de conceituados escritores
contemporâ neos. Registraram-se com abundância homônimos, parônimos e adjetivos
eruditos que indicam ‘relação’, como capilar (relativo a cabelo), ígneo (relativo a fogo),
onírico (relativo a sonho). Esses adjetivos devem ser procurados junto aos respectivos
substantivos. Assim, se o consulente desejar conhecer o adjetivo referente a baço, deverá
procurar o verbete baço, onde encontrará a informação: esplênico.
Sempre que me pareceu útil, registrei o étimo (a origem) das palavras estudadas. Boa
ideia também me pareceu incluir neste Dicionário os mais importantes radicais gregos e
latinos, tão frequentes na terminologia científica internacional. Aos estudiosos em ge-
ral e particularmente a médicos e cientistas é de indiscutível utilidade o conhecimento
desses elementos de formação das palavras.
Para consultas rápidas sobre a grafia de palavras consideradas ‘difíceis’, no âmbito
da escrita, há no final desta obra uma ampla relação desses vocábulos, à qual se pode
recorrer, na falta de um dicionário.
Veja-se neste modesto trabalho uma prova de amor à língua portuguesa, hoje falada,
nos cinco continentes, por mais de 200 milhões de pessoas.
Críticas e sugestões dos entendidos para a melhoria desta obra serão sempre bem-
-vindas.
Rio de Janeiro, 1996
Domingos Paschoal Cegalla
O novo acordo ortográfico
O novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa foi assinado em Lisboa, em 1990,
pelos representantes dos sete países lusófonos: Portugal, Brasil, Angola, Moçambi-
que, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde e Guiné-Bissau. O Timor Leste, oitavo país
luso-falante, não assinou o Acordo porque, na época, não tinha ainda conquistado sua
independência política.
Aprovado pelo Congresso Nacional em 1994, o novo sistema ortográfico entra
em vigor, no Brasil, no início de 2009, e em Portugal, a partir de 2014.
Ressalte-se que o objetivo precípuo desse novo Acordo não foi, como era de se
esperar, a simplificação, mas a unificação ortográfica da língua portuguesa falada na
comunidade lusófona. Razões de ordem fonética, ou seja, diversidade na pronúncia
entre portugueses e brasileiros, não permitiram alcançar uma unificação ortográfica
perfeita; mesmo assim, o novo Acordo representa uma louvável iniciativa na busca da
tão desejada unidade ortográfica de um dos idiomas mais falados do planeta.
Para nós, brasileiros, as alterações ortográficas introduzidas na língua pelo novo
sistema são, lamentavelmente, superficiais, porquanto se restringem ao uso dos sinais
diacríticos (acentos gráficos, trema, hífen, apóstrofo). São mais sensíveis para os por-
tugueses, que passarão a grafar sem as consoantes mudas c e p palavras como acção,
actor, actual, director, exacto, lectivo, óptimo, etc. Continuarão, porém, os portugueses,
a escrever facto, projecto e outras palavras que o Acordo não menciona claramente.
Grafarão, também, de modo diverso do nosso, vocábulos em que as vogais e e o,
em final de sílaba e seguidas de m ou n, eles pronunciam com timbre aberto, como
génio, académico, efémero, cómodo, tónico, fenómeno, fémur, sémen, ténis, ónus, bónus, etc.,
contrariamente aos falantes brasileiros, que proferem tais palavras com timbre nasal
fechado: gênio, acadêmico, efêmero, cômodo, tênis, ônus, etc. Esses são casos insanáveis de
dupla grafia em português.
Damos, a seguir, as alterações ortográficas introduzidas pelo novo Acordo na língua
portuguesa do Brasil:
O alfabeto
O alfabeto da língua portuguesa passa a ter 26 letras: a, b, c, d, e, f, g, h, i, j, k, l, m,
n, o, p, q, r, s, t, u, v, w, x, y, z.
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Para nós, a inclusão de k, w e y no alfabeto nada muda, pois essas letras de há muito
vêm sendo usadas. Seu emprego limita-se ao que está exposto nas páginas 228, 405 e
407 deste dicionário.
O emprego do h
Nada mudou quanto ao emprego do h. Seu uso continua sendo um sério obstáculo
para quem escreve, principalmente quando se trata de palavras formadas por prefixa-
ção. É contestável, para não dizer incoerente, a grafia desumano e sobre-humano.
O h, apesar de mudo, é letra geradora de hífens: anti-heróis, super-homem, extra-hepático,
neo-helênico, hiper-hidratação, etc.
Acentuação gráfica
Pelo nosso sistema de 1943, os ditongos abertos ei e oi de palavras paroxítonas eram
acentuados na base com acento agudo. Pelo novo sistema, esse acento foi suprimido.
Ex.: ideia, estreia, eu estreio, Coreia, assembleia, seborreico, nucleico, joia, jiboia, heroico, estoico,
eu apoio, celuloide, tireoide, tabloide, etc.
1 – Nas palavras oxítonas, esses ditongos, e também o ditongo éu, continuam sendo
acentuados: chapéu, véu, troféu, herói, destrói, corrói, coronéis, fiéis, papéis, etc.
2 – O novo sistema suprimiu o acento circunflexo no hiato oo: voo, voos, enjoo, zoo,
abençoo, amontoo, etc.
3 – Abolido também foi o acento circunflexo no hiato eem de flexões dos verbos dar, crer,
ler, ver e seus derivados: deem, creem, leem, veem, releem, reveem, descreem, preveem.
4 – Os vocábulos proparoxítonos continuam sendo acentuados: lágrima, término, dés-
semos, polígono, binóculo, número, lâmpada, sonâmbulo, esplêndido, lêssemos, fenômeno,
ônibus, etc.
Acentuam-se também os vocábulos paroxítonos terminados em ditongo cres-
cente: glória, Itália, série, mágoa, régua, errôneo, enxáguo, lírio, fúria, etc.
5 – Excetuadas as palavras que se enquadram nos casos 1, 2 e 3, os demais vocábulos
paroxítonos são acentuados conforme o sistema ortográfico de 1943: armário,
gíria, amável, fácil, fáceis, jóquei, amásseis, lêsseis, ímã, ímãs, órgão, órgãos, bênção, bênçãos,
bíceps, etc.
6 – Não sofreram alterações também quanto à acentuação gráfica as palavras oxíto-
nas: sofá, sofás, amarás, pajé, pajés, você, vocês, Tietê, avó, avô, alguém, armazém, arma-
zéns, fiéis, chapéu, herói, saí, Luís, Jacareí, Jaú, baú, baús, instruí-los, etc.