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"Quando o mundo estiver unido na busca do conhecimento, e não mais lutando
por dinheiro e poder, então nossa sociedade poderá enfim evoluir a um novo
nível."
Copyright © 1967 Othon M. Garcia
EDITORA FGV
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Grafia atualizada segundo o Acordo Ortográfico da Língua
Portuguesa, em vigor no Brasil desde 2009.
27a edição — 2010 | 1a e 2a reimpressões — 2011
Preparação de originais e atualização de normas técnicas:
Sandra Frank
Revisão: Aleidis de Beltran, Fatima Caroni e Tathyana Viana
Diagramação para eBook: Estúdio O.L.M./Flavio Peralta
Capa: Adaptação de Adriana Moreno sobre projeto gráfico
original de Tira Linhas Studio
Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca
Mario Henrique Simonsen/FGV
Garcia, Othon M. (Othon Moacyr), 1912-2002
Comunicação em prosa moderna : aprenda a escrever,
aprendendo a pensar / Othon M. Garcia – 27. ed. – Rio de Janeiro
: Editora FGV, 2010. 548 p.
Inclui bibliografia e índice.
ISBN: 978-85-225-0831-0
1. Comunicação. 2. Língua portuguesa – Gramática. 3. Língua
portuguesa – Retórica. I. Fundação Getulio Vargas. II. Título.
CDD – 808
À memória de
minha Mãe, Júlia Costa Garcia,
e de meu Pai, Feliciano Peres Garcia
Explicação necessária
Este livro, devemo-lo aos nossos alunos, aqueles jovens a quem, no
decorrer de longos anos, temos procurado ensinar não apenas a escrever, mas
principalmente a pensar — a pensar com eficácia e objetividade, e a escrever
sem a obsessão do purismo gramatical mas com a clareza, a objetividade e a
coerência indispensáveis a fazer da linguagem, oral ou escrita, um veículo de
comunicação e não de escamoteação de ideias. Estamos convencidos — e
conosco uma plêiade de nomes ilustres — de que a correção gramatical não é
tudo — mesmo porque, no tempo e no espaço, seu conceito é muito relativo — e
de que a elegância oca, a afetação retórica, a exuberância léxica, o fraseado
bonito, em suma, todos os requintes estilísticos preciosistas e estéreis com mais
frequência falseiam a expressão das ideias do que contribuem para a sua
fidedignidade. É principalmente por isso que neste livro insistimos em considerar
como virtudes primordiais da frase a clareza e a precisão das ideias (e não é
possível ser claro sem ser medianamente correto), a coerência (sem coerência
não há legitimamente clareza) e a ênfase (uma das condições da clareza, que
envolve ainda a elegância sem afetação, o vigor, a expressividade e outros
atributos secundários do estilo).
A correção — não queremos dizer purismo gramatical — não constitui
matéria de nenhuma das lições desta obra, por uma razão óbvia: Comunicação
em prosa moderna não é uma gramática, como não é tampouco um manual de
estilo em moldes clássicos ou retóricos. Pretende-se, isto sim, uma obra cujo
principal propósito é ensinar a pensar, vale dizer, a encontrar ideias, a coordená-
las, a concatená-las e a expressá-las de maneira eficaz, isto é, de maneira clara,
coerente e enfática. Isto quanto à comunicação.
Mas o título do livro é Comunicação em... “prosa moderna”, moderna e
não quinhentista ou barroca. Os padrões estudados ou recomendados são os da
língua dos nossos dias — ou daqueles autores que, mesmo já seculares ou quase
seculares, como um Alencar, um Azevedo ou um Machado, continuam atuais —,
da língua que está nos cronistas do século XX e não nos do século XV,
romancistas, ensaístas e jornalistas de hoje. As abonações que se fazem com
excertos de autores mais recuados — um Vieira, um Bernardes, um Matias Aires
— devem-se ao fato de serem amostras de expressão eficaz e não de requintes
estilísticos estéreis. Incluem-se também trechos de alguns “requintados” do nosso
tempo — um Rui Barbosa, um Euclides da Cunha —, mas as razões da escolha
foram as mesmas: são exemplos que se distinguem pela eficácia da
comunicação e não pelo malabarismo estilístico desfigurador de ideias.
Mas por que esse nosso interesse quase obsessivo (esses “ss” ressonantes,
por exemplo, não constituem uma daquelas virtudes de estilo tão consagradas
pelos manuais...) pelo teor da comunicação com aparente desprezo pela sua
forma? Forma e fundo, como sabemos... Bem, não há necessidade de
desenvolver isso. Mas a verdade é que uma das características de nossa época,
uma das fontes ou causas das angústias, conflitos e aflições do nosso tempo
parece que está na complexidade, na diversidade e na infidedignidade da
comunicação oral ou escrita, quer entre indivíduos quer entre grupos. Sabemos
dos mal-entendidos, dos preconceitos, das prevenções, das incompreensões e dos
atritos resultantes da incúria da expressão, dos seus sofismas e paralogismos. São
as generalizações apressadas, as declarações gratuitas, as indiscriminações, os
clichês, os rótulos, os falsos axiomas, a polissemia, a polarização, os falsos juízos,
as opiniões discriminatórias, as afirmações puras e simples, carentes de prova...
Enfim, linguagem falaciosa, por malícia, quando não por incúria da atividade
mental, ou por ignorância dos mais comezinhos princípios da lógica. Esses óbices
ou barreiras verbais e mentais impedem ou desfiguram totalmente a
comunicação, o entendimento entre os homens e os povos, sendo não raro causa
de atritos e conflitos.
Em face, pois, desse aspecto da linguagem, é justo que nós professores nos
preocupemos apenas com a língua, que cuidemos apenas da gramática, que nos
interessemos tanto pela colocação dos pronomes átonos, pelo emprego da crase,
pela flexão do infinitivo verbal, pela regência do verbo assistir? Já é tempo de
zelarmos com mais assiduidade não só pelo polimento da frase, mas também, e
principalmente, pela sua carga semântica, procurando dar aos jovens uma
orientação capaz de levá-los a pensar com clareza e objetividade para terem o
que dizer e poderem expressar-se com eficácia.
Esse ponto de vista, que nada tem de novo ou de original, norteou a
elaboração de Comunicação em prosa moderna. Em todas as suas 10 partes
torna-se evidente esse propósito de ensinar o estudante a desenvolver sua
capacidade de raciocínio, a servir-se do seu espírito de observação para colher
impressões, a formar juízos, a descobrir ideias para ser tanto quanto possível
exato, claro, objetivo e fiel na expressão do seu pensamento, e também correto
sem a obsessão do purismo gramatical.
Já desde a primeira parte — sobre a estrutura sintática e a feição estilística
da frase —, sente-se que a “nossa tomada de posição” é diversa da tradicional:
procuramos ensinar a estruturar a frase, partindo das ideias e não das palavras
(como é hábito no ensino estritamente gramatical). Esse método salienta-se
sobretudo nos tópicos referentes à indicação das circunstâncias. No que se refere
ao vocabulário, procuramos, acima de tudo, orientar o estudante quanto à escolha
da palavra exata, de sentido específico. Tentamos mostrar — principalmente no
capítulo sobre “generalização e especificação” — a importância da linguagem
concreta, não propriamente a necessidade de evitar generalizações ou
abstrações, mas a conveniência de conjugá-las com as especificações, a
importância de apoiar sempre as declarações, os juízos, as opiniões, em fatos ou
dados concretos, em exemplos, detalhes, razões. Semelhante critério adota-se
também no estudo do parágrafo, que é uma das partes mais desenvolvidas da
obra. Isso porque, considerado como uma unidade de composição, que
realmente é, ele pode servir — como de fato serviu — de centro de interesse e
de motivação para numerosos ensinamentos sobre a arte de escrever.
Mas é sobretudo nas partes subsequentes à do parágrafo — 4. Com. —
“Eficácia e falácias da comunicação”, 5. Ord. — “Pondo ordem no caos”, 6. Id.
— “Como criar ideias”, e 7. Pl. — “Planejamento” — que mais nos
empenhamos em oferecer ao estudante meios e métodos de desenvolver e
disciplinar sua capacidade de raciocínio. Essas quatro partes representam as
principais características da obra. O desenvolvimento que lhes demos tem, ao
que parece, inteira razão de ser, tanto é certo e pacificamente reconhecido que
os jovens, por carecerem de suficiente experiência, não sabem pensar. E, se não
sabem pensar, dificilmente saberão escrever, por mais gramática e retórica que
se lhes ministrem. Portanto, ao se admitir que a arte de escrever pode ser
ensinada — e pode, até certo ponto pelos menos —, o melhor caminho a seguir é
ensinar ao estudante métodos de raciocínio. Daí, as noções de lógica — em certo
sentido muito elementares — que constituem, ou em que se baseia, a matéria
dessas quatro partes. Mas o leitor alerta há de perceber que tais noções vêm
expostas com certa ousadia e até com certa indisciplina formalística; é que se
tratava tão somente de aproveitar da lógica aquilo que pudesse, de maneira
prática, direta, imediata, ajudar o estudante a pôr em ordem suas ideias. Não se
surpreendam, portanto, os entendidos na matéria com a feição assistemática
dada a essas noções: não tínhamos em mente escrever um tratado de lógica.
Essas e outras características da obra (convém assinalar, de passagem, a
oitava parte, relativa à redação técnica) tornam-na mais indicada a leitores que
já disponham de um mínimo de conhecimentos gramaticais, ao nível pelo menos
da nona série do ensino fundamental. Por isso, acreditamos que Comunicação em
prosa moderna venha a ser mais proveitosa aos alunos do segundo ciclo e,
sobretudo, das nossas faculdades de letras, de economia, finanças e
administração. Uma das razões dessa crença está na natureza das informações
relativas à preparação de trabalhos de pesquisa — teses, ensaios, monografias,
relatórios técnicos —, inclusive a documentação bibliográfica e a mecânica do
texto, isto é, a preparação dos originais.
Foi talvez essa orientação referente aos problemas da comunicação eficaz
que levou a Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getulio
Vargas a encomendar-nos a elaboração definitiva do livro, quando dele lhe
apresentamos algumas partes acompanhadas do plano geral, no qual se fizeram
posteriormente algumas alterações de comum acordo com os diretores do
Serviço de Publicações daquela instituição.
Seria falsa modéstia negar que há neste livro uma considerável
contribuição pessoal, quer no seu planejamento quer no desenvolvimento da
matéria. Mas, como não temos o hábito de pavonear-nos com plumagem alheia,
é de justiça reconhecer que a melhor parte destas quinhentas e poucas páginas é
resultado do que aprendemos ou das sugestões que colhemos em abundante
bibliografia especializada. Dois ou três dos mais expressivos exemplos dessa
influência revelam-se no tratamento dado a alguns tópicos sobre a estrutura da
frase (especialmente o capítulo quarto), nos exercícios de vocabulário por áreas
semânticas — duas lições de alguns autores franceses — na importância
atribuída ao estudo do parágrafo e no que respeita, em linhas gerais, à redação
técnica — duas lições de autores americanos. As demais influências ou fontes de
sugestão vêm devidamente apontadas nos lugares competentes.
Aí estão os esclarecimentos considerados indispensáveis: muitos até certo
ponto explicam, mas nenhum desculpa os defeitos reais ou aparentes da obra.
Defeitos graves, de que somos os primeiros a ter, de muitos deles pelo menos,
plena consciência, mas que procuraremos corrigir na hipótese de uma outra
edição, principalmente se contarmos com as bem-vindas sugestões do leitor.
Rio de Janeiro, 10 de julho de 1967
Othon M. Garcia
Agradecimentos
Quero deixar aqui meus agradecimentos aos amigos que, de uma forma
ou de outra, me prestaram inestimável ajuda no preparo desta obra: a Délio
Maranhão, pelo empenho em vê-la publicada; a Rocha Lima, pelas judiciosas e
proveitosas observações feitas à margem da “Primeira parte”; a Jorge Ribeiro,
pela leitura atenta e perspicaz que fez da quase totalidade dos originais; a Maria
José Cunha de Amorim, pelo precioso e gracioso trabalho das cópias
datilografadas; e aos meus alunos, candidatos ao Instituto Rio Branco, pelo
interesse com que assistiram às minhas aulas e pela disposição de servirem de
cobaia dos métodos com eles ensaiados e agora aqui postos em letra de forma.
Othon M. Garcia