Table Of ContentPRIMEIROS
SOCORROS
em conflitos armados e outras situações
de violência
referência
Comitê Internacional da Cruz Vermelha
19, avenue de la Paix
1202 Genebra, Suíça
T +41 22 734 60 01 F +41 22 733 20 57
[email protected] www.cicr.org
© CICV, maio de 2018
PRIMEIROS
SOCORROS
em conflitos armados e outras situações
de violência
A todos os homens e mulheres que salvam seus
semelhantes, demonstrando todos os dias, por
meio de sua ação discreta e desinteressada, às vezes
colocando suas próprias vidas em risco, que cuidar e
respeitar os demais traz significado para a vida e nos
dá todas as razões para ter esperança.
PRIMEIROS SOCORROS
PREFÁCIO
Prestar os primeiros socorros não significa somente fazer respiração artificial,
colocar um curativo num ferimento ou levar uma pessoa ferida para o hospital.
Significa também pegar na mão de alguém que está ferido, tranquilizar os que
estão assustados ou em pânico, dar um pouco de si. Nos conflitos armados e em
outras situações de violência, os socorristas correm o risco de ser vítimas de tiroteios,
desabamentos, incêndios em veículos, iminência de queda de destroços e uso de
gás lacrimogêneo, mas ainda assim seguem adiante para ajudar os feridos quando
o reflexo mais natural seria ir embora correndo. Quem presta os primeiros socorros
fica tão exposto quanto aquele que está sendo socorrido, pois em tempos de crise
ninguém escapa ileso. Os socorristas têm experiências ricas, é verdade, mas às vezes
precisam lidar com o desespero, quando – apesar de seus grandes esforços e de
toda a sua competência – o sopro de vida que eles tentaram manter vai embora.
Por meio de seu comprometimento, desprendimento e disposição para se expor
a possíveis danos físicos e psicológicos, os socorristas revelam sua humanidade no
sentido completo do termo e temos uma imensa dívida de gratidão com eles –
especialmente porque quase sempre desempenham suas tarefas sem fazer alarde,
procurando não ser reconhecidos, mas apenas ajudar os outros, dando assim mais
sentido as suas vidas.
No que diz respeito aos ideais do Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do
Crescente Vermelho, há um significado particular em prestar primeiros socorros
em situações de violência: manter a visão humanista do mundo e acreditar que a
dignidade de um inimigo é tão valiosa quanto a de um amigo ou até sua própria.
O gesto é de abnegação, não tem significado ou mensagem política, embora
possa ter um impacto político quando simboliza a solidariedade internacional.
Aquele que faz curativos nos ferimentos do outro, que escuta e oferece esperança
renovada, não está defendendo uma causa. Os socorristas são imparciais, neutros,
independentes e não são motivados pelo desejo de ganhos materiais. Acima
de tudo são humanos, como foi Henry Dunant, o primeiro e verdadeiro agente
de primeiros socorros do Movimento, no campo de batalha de Solferino, em
1859. Lembremo-nos das palavras que ele usou para descrever o que sentiu
quando observava a cena: “ A sensação de estar totalmente fora do lugar nessas
circunstâncias solenes e extraordinárias é impronunciável.”
Seria um erro ver num socorrista nada mais do que um ator local nos dramáticos
acontecimentos que se desdobram em torno dele, seja num conflito armado, numa
manifestação violenta de rua ou num desastre natural. O significado da ação dos
socorristas é universal: não apenas porque participam de um Movimento que faz
um trabalho humanitário em todo o mundo, mas porque todos os dias suas ações
PRIMEIROS SOCORROS
criam laços que triunfam sobre as diferenças, o preconceito e a intolerância. Não
vivem num mundo onde as “civilizações se chocam” umas com as outras, num
universo maniqueísta no qual todos precisam tomar partido. Eles certamente
têm suas próprias ideias, opiniões políticas, identidades e convicções seculares ou
religiosas, mas conseguem transcendê-las para construir pontes. E assim concluem
verdadeiras proezas.
Os socorristas estão onde você precisa deles e rapidamente ficam a seu lado. Fazem
o que podem para evitar emergências por meio de campanhas de conscientização
e vacinação, além de atividades de treinamento. Ao mesmo tempo, quando
acontece uma emergência, entram em ação e mobilizam outros para ajudá-los.
Nas situações de crise, interrompem suas vidas cotidianas e sacrificam-se sem
se preocupar com o tempo e a energia. Apesar disso, são bem recompensados
por seus sacrifícios antes, durante e depois das crises, com o que recebem dos
homens, mulheres e crianças em dificuldade, cujos caminhos cruzam e com quem
permanecem tanto quanto for necessário para reduzir a dor e aliviar o sofrimento.
Em virtude de tudo o que representam, de tudo o que fazem e são, os homens e
mulheres que se tornam socorristas nos trazem conforto quando as pessoas travam
combates na tentativa de garantir poder ou bens materiais, em nome de crenças
ou ideologias, na busca de interesses nacionalistas e por tantas outras razões. Todas
essas espirais de violência se associam para nos deixar vulneráveis, assustados,
atordoados e chocados. Temos dificuldade de acreditar na humanidade, de esperar
por um mundo melhor para nossos filhos, de olhar para o futuro deles. Sentimo-nos
quase culpados por deixar-lhes um legado de perigo e violência.
E então nossos passos se cruzam com os de um socorrista, no campo de batalha,
num confronto, em nossa rua ou simplesmente na tela da TV, e isto nos emociona.
Admiramos a força que eles têm e ficamos impressionados com sua rapidez e
habilidade. Ficamos preocupados quando vemos suas fisionomias cansadas, seus
rostos enlameados e suas mãos machucadas. A esperança volta. Os socorristas
deixam sua marca não apenas na vida dos enfermos e feridos, mas também, de
certa forma, em toda a humanidade.
Marion Harroff-Tavel
Assessora para Assuntos
Políticos do CICV
PRIMEIROS SOCORROS
Índice
1. Introdução 5
2. Conflitos armados e outras situaçõesde violência 15
2.1 Tipos de situações 17
2.2 Características especiais 18
3. Treinamento dos socorristas 23
3.1 O papel humanitário dos socorristas 25
3.1.1 Conhecimento e respeito pelos
emblemas distintivos e as normas
básicas que protegem os indivíduos 25
3.1.2 Fortalecimento do prestígio moral
e da imagem da Cruz Vermelha e do
Crescente Vermelho 28
3.2 Os deveres e direitos dos socorristas 30
3.2.1 Deveres dos socorristas 30
3.2.2 Direitos dos socorristas 31
3.3 Programas específicos de treinamento 32
3.3.1 Capacidades técnicas 32
3.3.2 Competências pessoais 33
3.4 O equipamento dos socorristas 40
3.5 Preparativos 43
3.5.1 Conhecimentos importantes 43
3.5.2 Durante a fase de mobilização 43
3.5.3 No local 44
3.6 Lidar com o estresse 46
PRIMEIROS SOCORROS
4. Assistência às vítimas 49
4.1 Objetivos e responsabilidades 51
4.2 Contexto 52
4.2.1 Ameaças 52
4.2.2 Problemas de saúde específicos 53
4.3 Princípios operacionais mais importantes
na prestação de assistência 54
4.3.1 A cadeia de assistência a vítimas 54
4.3.2 Comunicação, relatórios e documentação 57
4.4 Sua postura no local 62
5. Gestão da situação 65
5.1 Segurança e proteção 69
5.1.1 Sua segurança pessoal 71
5.1.2 Avaliação da segurança do local 75
5.2 Proteção à vítima 78
5.2.1 Evacuação urgente de uma vítima 78
5.3 Uma vítima ou muitas? 82
5.4 Pedir ajuda 83
5.5 Alerta 84
6. Gestão de vítimas 87
6.1 Exame inicial e medidas imediatas de salvamento 93
6.1.1 Via aérea: avaliação e controle 99
6.1.2 Respiração: avaliação e controle 99
6.1.3 Circulação: avaliação e controle
de hemorragia visível 99
6.1.4 Deficiência: avaliação e controle 99
6.1.5 Exposição: avaliação e controle 99
6.2 Exame completo e medidas de estabilização 100
6.2.1 Lesões na cabeça e pescoço: avaliação
e controle 104
6.2.2 Lesões no peito: avaliação e controle 104
6.2.3 Lesões abdominais: avaliação e controle 104
6.2.4 Lesões nas costas e abdômen:
avaliação e controle 104
6.2.5 Lesões nos membros: avaliação e controle 104
6.2.6 Ferimentos: avaliação e controle 104
6.3 Casos especiais 105
6.3.1 Minas antipessoal e outros resíduos
explosivos de guerra 105
6.3.2 Gás lacrimogêneo 106
6.3.3 Agonizantes e mortos 108
6.3.4 Parada cardíaca 111
Índice
7. Situação de vítimas em massa: triagem 113
8. Após prestar assistência no local 121
8.1 No ponto de coleta e nos pontos de apoio
seguintes da cadeia de assistência a vítimas 123
8.2 Transporte 124
8.2.1 Pré-requisitos 124
8.2.2 Meios e técnicas de transporte 126
9. Outras tarefas dos socorristas 129
10. Após a intervenção 135
10.1 Autocontrole 137
10.1.1 Sessão informativa sobre missão realizada 138
10.1.2 Relaxamento 138
10.2 Gestão dos equipamentos e suprimentos 139
10.3 Conscientização sobre resíduos explosivos
de guerra 140
10.4 Atividades que contribuem para a recuperação
da população 143
10.4.1 Presença da Cruz Vermelha e do
Crescente Vermelho 143
10.4.2 Promoção do trabalho humanitário 144
10.4.3 Treinamento de primeiros socorros 145
Técnicas de salvamento 149
6.1.1 Vias aéreas: avaliação e controles 151
6.1.2 Respiração: avaliação e controle 158
6.1.3 Circulação: avaliação e controle
de hemorragia visível 164
6.1.4 Deficiência: avaliação e controle 172
6.1.5 Exposição: avaliação e controle 178
Extremidades: avaliação e controle 179
Técnicas de estabilização 181
6.2.1 Lesões na cabeça e pescoço: avaliação
e controle 183
6.2.2 Lesões no peito: avaliação e controle 188
6.2.3 Lesões abdominais: avaliação e controle 192
6.2.4 Lesões nas costas e abdômen: avaliação
e controle 197
6.2.5 Lesões nos membros: avaliação e controle 199
6.2.6 Ferimentos: avaliação e controle 204
PRIMEIROS SOCORROS
Anexos 213
1. Glossário 215
2. Mecanismos de uma lesão 219
3. Kit/Bolsa de primeiros socorros 225
4. Liderando uma equipe de primeiros socorros 229
5. A cadeia de assistência a vítimas 233
6. Posto de primeiros socorros 237
7. Novas tecnologias 243
8. Comportamento seguro em situações de perigo 245
9. Recuperação e enterro dos mortos 257
FICHAS
Os Princípios Fundamentais do Movimento Internacional da Cruz Vermelha
e do Crescente Vermelho
Informações básicas sobre Direito Internacional Humanitário (DIH)
Os emblemas distintivos
A mensagem de comunicação e o alfabeto internacional
Cartão médico
Valores normais para pessoas em repouso
Lista de registro das vítimas
Teste de autoavaliação do estresse
Higiene e outras medidas de prevenção
Como produzir água potável
Como prevenir doenças transmitidas pela água
Em caso de diarreia
4
PRIMEIROS SOCORROS
Introdução I
5
Description:quando observava a cena: “ A sensação de estar totalmente fora do lugar nessas circunstâncias .. deveres como socorrista em conflitos armados, tal.