Table Of ContentEnciclopédia de Temas Bíblicos
Respostas às principais dúvidas, dificuldades e "contradições" da bíblia
Gleason Archer
Publicado anteriormente com o título:
Enciclopédia de dificuldades bíblicas
Editora Vida
Editora do grupo:
Zondervan,
Harper Collins
Editora filiada a:
Câmara Brasileira do Livro
Associação Brasileira de Editores Cristãos
Associação Nacional de Livrarias
Associação Nacional de Livrarias Evangélicas
Associação Brasileira de Marketing Direto
Direção executiva: Eude Martins
Gerência administrativa: Gilson Lopes
Supervisão de produção: Sandra Leite
Comunicação e marketing: Sérgio Pavarini
Gerência editorial: Fabiani Medeiros
Supervisão editorial: Aldo Menezes
Coordenação editorial:
Judson Canto - obras de interesse geral
Rogério Portella - obras teológicas e de referência
Rosa Ferreira - Bíblias
Silvia Justino - obras de autores nacionais, infantis e juvenis
Do mesmo autor:
Merece confiança o Antigo Testamento? (Vida Nova)
Sobre o livro
© 1982, de Gleason L. Archer
Título do original: Encyclopedia of Bible dificulties,
edição publicada pela Zondervan Publishing House
(Grand Rapids, Michigan, EUA).
Tradução: Oswaldo Ramos
A primeira edição em português foi publicada em 1997 com o título:
Enciclopédia de dificuldades bíblicas.
Todos os direitos em língua portuguesa reservados por
Editora Vida
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
Archer, Gleason Leonard, 1916-
Enciclopédia de temas bíblicos : respostas às principais dúvidas,
dificuldades e "contradições" da Bíblia / Gleason Leonard Archer ; tradução
Oswaldo Ramos. - 2. ed. - São Paulo : Editora Vida, 2001.
Título original: Encyclopedia of Bible Diffículties.
ISBN 85-7367-582-9
1. Bíblia - Dicionários e enciclopédias 2. Bíblia - Exames, questões etc. 3.
Bíblia - Literatura controversa I. Título.
01-5788 CDD-220.6
Índice para catálogo sistemático
1. Bíblia : Dificuldades : Interpretação e crítica 220.6
Categoria: Referência
Fim da execução: outubro de 2002
2ª edição, outubro de 2002
Formato: 16 x 23 cm
Tiragem: 3 mil exemplares
Impressão: Imprensa da Fé
Impresso no Brasil / Printed in Brazil
Equipe de realização
Produção gráfica
Supervisão: Sandra Leite
Fotolito: Imprensa da Fé
Produção editorial
Coordenação: Rogério Portella
Preparação de texto: Gláucia Victer, Judson Canto
Revisão de provas: Marcos Bernini, Rogério Portella
Diagramação: Imprensa da Fé
Criação de capa: Douglas Lucas
Sobre o e-book
A formatação foi toda feita em fonte Times New Roman, por conter palavras
com símbolos do conjunto de caracteres Unicode.
Recomendo não alterar a fonte, nem formatação (itálico, versalete, sobrescrito,
sublinhado), assim como tampouco salvar em formato .TXT, para não perder esses
caracteres, que não estão presentes em algumas outras fontes. Alguns caracteres,
como g e p com linha inferior, que não encontrei, foram substituidos pelas respectivas
letras sublinhadas.
Por se tratar de um livro utilizado em consultas, mantive a numeração das
páginas do livro impresso, para efeito de bibliografias, e para localização de verbetes
dos índices onomástico e de assuntos.
Essa numeração é identificada por uma seta apontando para baixo, indicando
que o texto abaixo pertence àquela página.
Devido a isso, não houve como evitar a quebra de parágrafos.
A revisão e edição deste e-book foi extremamente demorada e o mais
cuidadosa possível, porém certamente encontrarão erros, pelo que peço desculpas.
(Mas garanto que tem menos erros do que o original impresso!)
Boa Leitura!
Digitalizado por sssuca
Concluído em 11/12/2011
QR-Code (Utilize o software bar capture para ler)
Sumário
Sobre o livro...................................................3 Obadias......................................................347
Sobre o e-book (Leia!)...................................4 Jonas..........................................................349
Prefácio..........................................................6 Zacarias......................................................352
Prefácio do autor..........................................10 Malaquias...................................................354
Agradecimentos...........................................12 O Novo e o Antigo Testamento.................357
Como usar esta enciclopédia........................13 Os evangelhos sinóticos.............................361
Procedimentos recomendados ao lidar com as Mateus........................................................367
dificuldades do texto bíblico........................14 Marcos.......................................................422
Introdução: O valor da inerrância bíblica ...17 Lucas..........................................................426
O Pentateuco................................................50 João............................................................430
Gênesis.........................................................61 Atos............................................................439
Êxodo.........................................................127 Romanos....................................................449
Levítico......................................................147 1 Coríntios.................................................462
Números.....................................................150 Gálatas.......................................................470
Deuteronômio............................................170 Efésios........................................................471
Josué...........................................................181 Colossenses................................................473
Juízes..........................................................190 2 Tessalonicenses.......................................478
Rute............................................................195 1 Timóteo...................................................479
1 Samuel.....................................................197 2 Timóteo...................................................484
2 Samuel.....................................................213 Hebreus......................................................486
1 Reis.........................................................223 1 Pedro.......................................................491
2 Reis.........................................................238 2 Pedro.......................................................493
1 Crônicas..................................................252 1 João.........................................................496
2 Crônicas..................................................262 Judas..........................................................498
Esdras.........................................................267 Apocalipse.................................................499
Ester...........................................................272 Bibliografia................................................504
Jó................................................................273 Índice onomástico......................................506
Salmos........................................................281 Índice de assuntos......................................514
Provérbios..................................................290 Contracapa.................................................523
Eclesiastes..................................................295
Cântico dos Cânticos..................................303
Isaías...........................................................306
Jeremias......................................................317
Ezequiel......................................................322
Daniel.........................................................329
Oséias.........................................................343
Joel.............................................................345
Amós..........................................................346
6
Prefácio
O dr. Gleason Archer escreveu esta enciclopédia para mostrar que nada existe
na Bíblia de incoerente com a afirmação de ser ela a Palavra inerrante de Deus. Nos
dois últimos séculos, essa doutrina esteve sob intensa crítica. Infelizmente, os cristãos
que se opõem à doutrina da inerrância bíblica em geral não a entendem bem. Na
maior parte dos casos, tais pessoas chegaram paulatinamente à opinião atual,
valendo-se dos ensinos de algum professor de escola dominical maldoutrinado ou de
algum pregador de rádio com excesso de entusiasmo. É provável que tais pessoas
jamais tenham consultado uma obra séria, produzida por um especialista criterioso.
Os leitores desta obra logo descobrirão que a doutrina da inerrância bíblica, conforme
a define e prova o dr. Archer, é a posição histórica dos principais ramos do
cristianismo. Apóiam-na os nomes ilustres de Agostinho, Tomás de Aquino, João
Damasceno, Lutero, Calvino, Wesley e muitos outros. Resumindo, a doutrina da
inerrância ensina que a Bíblia nos fala a verdade e jamais apresenta algo que não seja
verdadeiro.
Pode ser muito útil começar desfazendo alguns dos mal-entendidos mais
comuns relacionados à inerrância bíblica. Os evangélicos não tentam provar que a
Bíblia não contém erros para demonstrar que ela é a Palavra de Deus. Alguém
poderia apresentar um artigo de jornal que esteja totalmente isento de erro. Isso,
todavia, não provaria ser o artigo a Palavra de Deus. Os cristãos sustentam que a
Bíblia é a Palavra (inerrante) de Deus por estarem convencidos de que Jesus, o
Senhor da igreja, assim cria, tendo ensinado seus discípulos a crer também, desse
modo Por fim, a convicção dos cristãos sobre a verdade bíblica fundamenta-se no
testemunho do Espírito Santo.
De maneira semelhante, os evangélicos não ensinam que a inspiração inerrante
tenha eliminado o elemento humano na redação da Bíblia. É verdade que os
evangélicos destacam a autoria divina das Escrituras, mas isso por ser ela muitas
vezes negada e por ser isso o que confere às Escrituras sua importância singular.
Entretanto, os evangélicos instruídos sempre insistiram na existência da autoria
verdadeiramente humana na produção da Bíblia. Até mesmo quem estava inclinado a
usar a palavra "ditado" (como Calvino e também o Concilio de Trento da Igreja
Católica Romana) sempre deixou bem claro não estar se referindo à prática comum
do chefe que dita uma carta à secretária. Em vez disso, busca-se ressaltar a
responsabilidade divina (bem como a humana) pelas palavras das Escrituras,
afirmando-se que tais palavras escriturísticas são palavras de Deus, dotadas de
autoridade, de modo tão verdadeiro quanto se tivessem sido ditadas por ele.
É possível sustentar (ilogicamente) que Deus poderia ter impedido os autores
da Bíblia de cometer erros, tirando-lhes a liberdade e a condição de seres humanos.
Entretanto, os evangélicos jamais afirmaram tal coisa. Antes, a Bíblia é produto
totalmente humano e totalmente divino. Como produto divino, detém autoridade
absoluta sobre a mente e o coração dos crentes. Como produto humano, mostra em si
mesma todas as características essenciais de uma composição humana. Sem dúvida,
Deus poderia ter-nos dado uma Bíblia escrita na perfeita linguagem do céu. Nesse
caso, porém, quem a poderia entender? Deus preferiu comunicar-nos sua vontade
mediante o canal imperfeito da linguagem humana, com todas as suas possibilidades
de má compreensão e má
7
interpretação. Não obstante, o dom da linguagem é nosso meio de comunicação mais
digno de confiança, pelo qual podemos transmitir desejos e idéias uns aos outros.
Assim foi que Deus preferiu comunicar-se conosco mediante o instrumento
imperfeito da linguagem humana.
Ao escrever a Bíblia, seus autores usaram figuras de linguagem, alegorias,
símbolos e os vários gêneros literários empregados por outros escritores. Além disso,
pelo fato de terem escrito na língua comum de povos de dois ou três mil anos atrás,
com freqüência acharam melhor não fornecer certos dados técnicos que consideravam
sem importância para os fins propostos. Os autores da Bíblia nunca se expressam
com o jargão científico moderno. Não julgaram ter a obrigação de ser precisos e
exatos em muitas de suas declarações, assim como nós, nas conversas do dia-a-dia. A
inspiração divina garantia a verdade do que escreviam. Deus os preservou do erro, da
ignorância e do engano. Entretanto, o Senhor não os impediu de falar como seres
humanos. Assim, somente se adotarmos a posição ridícula e contraditória segundo a
qual o erro é essencial à fala e à escrita humana, poderemos insistir que a verdadeira
qualidade humana das Escrituras necessariamente traz consigo declarações falsas. Ao
mesmo tempo que preservou a humanidade integral dos escritores das Escrituras,
com tudo quanto ela representa para o caráter da redação, o Espírito Santo impediu
que fizessem declarações errôneas. Por conseguinte, não precisamos escolher ou
pinçar a verdade de entre os ensinos das Escrituras. Tudo o que nela está é a verdade
de Deus.
Quando uma pessoa, como o dr. Archer, tenciona demonstrar não haver erros
nem declarações enganosas na Bíblia, com freqüência enfrenta a objeção de opiniões
contrárias. Alguém até poderia questionar: "Por que se preocupar com a defesa da
Bíblia? Não é necessário defender do camundongo o leão vociferante. Tampouco se
deve adotar a postura imprópria de defensor das Escrituras. Basta que seja pregada.
Ela conquistará as pessoas pelo próprio poder, sem a necessidade de nossos débeis
esforços para lhe dar apoio".
Entretanto, a fé de algumas almas conturbadas é prejudicada pelo fato de
entenderem mal as Escrituras. Confundem-se com o que lhes parecem declarações
infundadas ou contradições. Precisamos, portanto, livrar-nos desses falsos obstáculos
à fé. Se restar algum impedimento à fé, que seja a pedra de tropeço da cruz ou o custo
do discipulado, e não um obstáculo imaginário facilmente eliminado. A despeito do
que ouvimos às vezes, Deus nunca nos pede que sacrifiquemos nosso intelecto para
crer.
A segunda objeção ao tratamento sério das alegadas discrepâncias e erros das
Escrituras advém da posição oposta, segundo a qual não vale a pena defender a Bíblia
por estar perfeitamente claro que ela está repleta de erros. Não existe uniformidade no
modo como se apresenta esse segundo tipo de ponderação, mas todas as suas formas
derivam basicamente da fé extremamente pequena na Bíblia. Por exemplo, o famoso
teólogo Karl Barth declara que a Bíblia proclama dos telhados ser um livro humano e
que faz parte de sua humanidade apresentar erros. Outros afirmam que a Bíblia é o
livro inspirado por Deus com o objetivo de apresentar a verdade religiosa, não os
fatos precisos da ciência e da história. Perder tempo tentando defender a Bíblia nessas
áreas equivale a prestar-lhe um desserviço, segundo eles. Essa tentativa desviaria a
atenção do verdadeiro propósito da Bíblia, que é, antes, instruir-nos nas questões
morais e espirituais. Outra variante dessa posição entende que o propósito da Palavra
de Deus é conduzir-nos à verdade da pessoa de Cristo. A Bíblia pode conter erros em
muitas partes, mas remete ao Salvador. Focalizar a atenção em questões menos
importantes sobre geografia, história, astronomia e biologia só desviará a atenção de
seu verdadeiro objetivo — a fé do crente em Jesus.
Naturalmente há também outros que crêem estar a Bíblia repleta de erros por
serem seus autores homens falhos. Miller Burrows, ex-catedrático de Novo
Testamento (NT) da Universidade de Yale, resume com precisão esse entendimento
típico da atualidade: "Hoje a Bíblia está repleta de coisas inacreditáveis ou, na melhor
das hipóteses, altamente questionáveis a pessoa inteligente e instruída [...] A
tremenda luta da teologia defende na inerrância da Bíblia (i.e., sua verdade total), em
8
contraposição às descobertas da astronomia, da geologia e da biologia, tem se
caracterizado por uma série de retiradas, resultando numa derrota que levou todos os
teólogos sábios a adotar uma posição mais inteligente" (Outline of biblical theology,
Philadelphia, Westminster, 1946, p. 9, 44).
Há algo comum a todas essas objeções: a convicção de que qualquer defesa da
inerrância bíblica é, na melhor das hipóteses, perda de tempo e, na pior delas, danosa
de fato, porque leva a pessoa para longe dos verdadeiros propósitos da Bíblia, que é
conduzir-nos a Deus.
A reação do adepto da inerrância é muito simples. Para ele, a questão básica é:
"Quem é Jesus Cristo?". Se a Bíblia está tão longe da verdade a respeito de quem é o
Filho de Deus, então não resta dúvida: a Bíblia está cheia de declarações erradas. É
tolice debater se a Bíblia nos diz ou não só a verdade em tudo quanto nos ensina, uma
vez que, com efeito, está errada na principal questão de seu ensino. Em suma, os
inerrantistas evangélicos não discutem com os radicais que rejeitam a Jesus Cristo
como Filho de Deus. Todavia, quanto aos que aceitam a Jesus como Senhor divino,
os ensinos de Cristo devem ser tomados com a mais profunda seriedade. Há
coerência em negar a Jesus Cristo como Senhor e também rejeitar a autoridade plena
da Bíblia, mas é incoerente confessá-lo como Senhor e, a seguir, rejeitar seu ensino.
Nessa questão, os evangélicos procuram apenas ser coerentes. Jesus é Senhor, e
cremos no que ensinou sobre a total confiabilidade do Antigo Testamento (AT).
Mediante o Espírito Santo, o Senhor prometeu conferir autoridade semelhante a seus
discípulos, para orientarem a igreja depois de ele haver encerrado seu ministério
terreno.
Os evangélicos, além do mais, não se abalam com as discrepâncias e falhas
alegadas por algumas pessoas, para quem esses erros estão disseminados pela Bíblia
inteira. Entendem que a maior parte desses problemas dissolve-se no momento em
que vêem claramente ser a Bíblia um livro humano, escrito na língua comum de dois
ou três mil anos atrás. Só quando tentamos transformar a Bíblia num livro redigido
em estilo exato, preciso, como estamos acostumados a fazer num laboratório
moderno de redação é que enfrentamos algumas dificuldades.
Pelas mesmas razões, os evangélicos consideram irrazoável exigir que um
crente seja capaz de demonstrar a absoluta e completa harmonia entre todas as
passagens bíblicas, para que seja possível aceitá-las como verdadeiras. A Bíblia foi
escrita há milênios por escritores diversos, saídos de várias culturas ao longo dos
séculos. A vista da natureza da Bíblia, seria muito mais razoável que não pudéssemos
demonstrar, por causa de nosso limitado conhecimento das coisas humanas, a
harmonia perfeita de todos os dados da Bíblia. Bem ao contrário, os evangélicos
ficam espantados diante da realidade de haver tão poucos problemas aparentemente
insolúveis na Bíblia. A inerrância bíblica não é algo inacreditável, tampouco requer o
sacrifício do intelecto. Antes, a situação real com respeito aos problemas bíblicos é
precisamente o que poderíamos esperar, diante do fato de que a Bíblia é o livro da
verdade inerrante, que chegou até nós após ter sido compilada ao longo de muitos
séculos e por muitas culturas diferentes.
Por fim, é necessário que se diga algo a respeito do autor e de suas
qualificações para a tarefa que se propôs. Poucos especialistas estão tão bem
equipados intelectualmente, tendo o domínio das línguas originais e das ferramentas
da perícia bíblica, como o dr. Archer. Além de ser especialista íntegro, é estudioso
dedicado das Escrituras e digno da confiança de quantos almejem compreender
melhor a Palavra de Deus. Seu livro constitui rica mina de ouro, aberta a todos
quantos se apegam à inerrância das Escrituras e precisam de ajuda para harmonizar
essa convicção com o que lêem nas Escrituras e os fatos empíricos do mundo que nos
rodeia. Acredito que este livro será de imenso valor para muitos cristãos fervorosos.
Recomendo-o com entusiasmo à igreja e a todos os que estudam a Bíblia com
seriedade.
KENNETH S. KANTZER
9
Prefácio do autor
A idéia de escrever este livro ocorreu-me pela primeira vez em outubro de
1978, quando acontecia a Summit Conference of the International Council on
Biblical Inerrancy [Suprema Reunião do Conselho Internacional sobre Inerrância
Bíblica], realizada em Chicago. Na época, a objeção principal à inerrância era que as
cópias existentes da Bíblia continham erros substanciais, alguns dos quais desafiavam
até mesmo o uso mais que elevado da crítica textual. Na minha opinião, essa
acusação pode ser refutada. É possível desmascarar-lhe a falta de fundamento com
um estudo objetivo, elaborado numa perspectiva coerente e evangélica. E nada menos
que a total inerrância dos primeiros manuscritos das Escrituras pode servir de base
para a infalibilidade da Bíblia Sagrada como verdadeira Palavra de Deus.
Durante muitos anos, fui responsável pela área de apologética da revista
Decision, produzida pela Associação Evangelística Billy Graham, em Minneápolis,
nos Estados Unidos. Muitos dos artigos desta enciclopédia foram escritos para a
revista Decision, a todos os quais identifiquei com o símbolo [D] . Os debates mais
longos, entretanto, foram preparados de modo especial para este livro.
Os problemas e as questões tratados nesta obra me foram dirigidos nos últimos
trinta anos de ensino superior na área de crítica bíblica. Quando estudante em
Harvard, fascinei-me pela apologética e pelas razões apresentadas para a aceitação da
genuinidade da Bíblia. Por isso, trabalhei com afinco para obter conhecimento das
línguas e das culturas de grande importância para a perícia bíblica. Estudei latim e
grego como matérias principais do curso de letras clássicas e, depois, estudei francês
e alemão. No seminário, formei-me com especialidade em hebraico, aramaico e
árabe. Nos anos de pós-graduação passei a estudar o siríaco e o acádio, a ponto de
lecionar essas línguas como matérias optativas. Anteriormente, nos dois últimos anos
do curso colegial, interessara-me de modo especial por questões relacionadas ao
médio Império Egípcio, em que me aprofundaria mais tarde, ao ministrar cursos
nessa área. No Instituto Oriental de Chicago, especializei-me em registros históricos
da XVIII dinastia e também estudei o copta e o sumério. Junto com esse trabalho em
línguas antigas, fiz o curso de direito, depois do qual ingressei na Ordem dos
Advogados de Massachusetts, em 1939. Essa experiência me concedeu sólida base no
campo das provas legais. Além disso, passei três meses em Beirute, no Líbano,
fazendo um curso especial do árabe literário moderno. A seguir, passei um mês na
Terra Santa e ali visitei a maior parte dos locais arqueológicos importantes.
Essa vasta instrução, associada ao desafio em classe de enfrentar milhares de
seminaristas a quem tive o privilégio de ensinar, preparou-me de modo especial para
a tarefa que me propus. Acredito francamente que me vi diante de quase todas as
dificuldades bíblicas debatidas nos círculos teológicos de hoje — de modo especial as
que dizem respeito à interpretação e à defesa das Escrituras. Pode acontecer que
alguns leitores deste livro fiquem um tanto desapontados, ao descobrir que algumas
Description:Enciclopédia de temas bíblicos : respostas às principais dúvidas, pequena monta, mas ainda assim eminentemente utilizável como manual que